Actigrafia versus Polissonografia para Identificar Alterações nos Padrões de Sono de Adultos com Insônia

  • Andrea dos Santos Garcia UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
  • Juliana Durães das Neves
  • Solange Campos Vicentini
  • Glycia de Almeida Nogueira
  • Juliana Mendes Marques
  • Raphael Neves Barreiros
  • Cristiano Bertolossi Marta
  • Roberto Carlos Lyra da Silva
  • Carlos Roberto Lyra da Silva
Palavras-chave: Actigrafia, polissonografia, Distúrbios de iniciação e manutenção do sono, Adulto

Resumo

Introdução. A insônia é o transtorno de sono-vigília mais frequente em todo mundo. O exame complementar considerado padrão-ouro na identificação de transtornos de sono é a polissonografia. A actigrafia - método facilmente aplicável por vários dias consecutivos - no entanto, tem surgido como ferramenta alternativa. Objetivo. Avaliar a efetividade da actigrafia em comparação com a polissonografia na determinação dos padrões de sono de adultos com insônia. Método. Revisão integrativa com metanálise, na qual foram pesquisados estudos observacionais e clínicos randomizados nas bases de dados Cochrane Library, MEDLINE através do Portal PUBMED, Google Scholar e o meta-buscador TRIP DATABASE, a partir de novembro de 2019. A abordagem GRADE foi utilizada para avaliar a qualidade da evidência. A metanálise foi realizada pelo método estatístico do inverso da variância, sendo considerado o intervalo de confiança de 95% (IC95%). Resultados. Seis estudos foram incluídos, representando 399 pacientes. Os estudos examinaram a efetividade da actigrafia na identificação do tempo total de sono, latência, Wake After Sleep e eficiência do sono. A actigrafia esteve próxima da polissonografia apenas ao verificar a latência do sono com pequena diferença média de -1,46 (IC 95%: -9,61 a 6,70 minutos). Os demais desfechos avaliados tiveram seus valores subestimados pela actigrafia. A qualidade da evidência foi moderada e baixa. Conclusão. As evidências para avaliar a efetividade da actigrafia ainda são limitadas – especialmente quando se pretende compará-la com a polissonografia, uma vez que os estudos encontrados apresentam limitações metodológicas, principalmente na mensuração dos resultados.

Resultados: Seis estudos foram incluídos, representando 399 pacientes. Os estudos examinaram a eficácia da actigrafia na identificação do tempo total de sono, latência, Wake After Sleep e eficiência do sono. A actigrafia esteve próxima da polissonografia apenas ao verificar a latência do sono com uma pequena diferença média de -1,46 (IC 95%: -9,61 a 6,70 minutos). Os demais desfechos avaliados tiveram seus valores subestimados pela actigrafia. A qualidade da evidência foi moderada e baixa.

Conclusão: As evidências para avaliar a efetividade da actigrafia ainda são limitadas – principalmente quando se pretende compará-la com a polissonografia – uma vez que os estudos encontrados apresentam limitações metodológicas, principalmente na mensuração dos resultados.

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Publicado
2020-06-27
Como Citar
Garcia, A. dos S., Neves, J. D. das, Vicentini, S. C., Nogueira, G. de A., Marques, J. M., Barreiros, R. N., Marta, C. B., Silva, R. C. L. da, & Silva, C. R. L. da. (2020). Actigrafia versus Polissonografia para Identificar Alterações nos Padrões de Sono de Adultos com Insônia. Revista Neurociências, 28, 1-25. https://doi.org/10.34024/rnc.2020.v28.10600
Seção
Revisão Sistemática