• Documentos
    v. 6 n. 10 (2019)

    Neste décimo número a Revista de fontes publica seu tradicional volume de documentos históricos, relevantes para o desvendamento dos mais variados temas, épocas e períodos.

    Numa primeira contribuição, os membros do Grupo PET do Departamento de História da Unifesp Anderson dos Santos Ribeiro e Marcos Paulo Moraes e Melo, trazem uma primeira catalogação da documentação do dossiê "Charles R. Boxer", integrante do arquivo da Companhia Editora Nacional, assim como a transcrição de uma seleta da correspondência desse importante autor da História do império português com seus editores. Já Lucia Werneck Xavier transcreve uma ata notarial de Amsterdã lavrada em português em 1604, dando a ver a importância dessa colônia na cidade holandesa, assim como o seu papel no contrabando de pau-brasil entre Pernambuco e a Itália. Jaime Rodrigues também transcreve um documento do século XVII: um manual de ensino náutico datado de 1676 e que elenca, em forma de diálogo, as qualidades técnicas que se esperavam de militares e marinheiros do período. Jaqueline Ferreira da Mota, por sua vez, por meio da tradução de um trecho de diversos confessionários do século XVIII redigidos em Tupi, mostra como é possível extrair deles informações importantes para a compreensão da história dos indígenas. Finalmente, Henrique Antonio Ré traz a tradução do inglês de um opúsculo do agente do Império brasileiro William Henry Clark, datado de 1865, sobre "As relações entre os governos britânico e brasileiro", publicado em Londres no contexto de rompimento de relações diplomáticas pós questão Christie.

    Lembremos que a Revista de fontes tem periodicidade semestral, intercalando números temáticos de textos autorais sobre tipos ou conjuntos documentais e números compostos de transcrições e traduções de documentos e ainda instrumentos de pesquisa. As possibilidades de se contar histórias a partir destes documentos ou instrumentos de pesquisa são exploradas pelos textos introdutórios dos autores que, sem intenção de serem profundas análises do seu conteúdo, apontam caminhos e perspectivas de investigação.

    Agradecemos à Biblioteca Nacional de Portugal pelo fornecimento de imagens em alta resolução e à FAPESP e à FAP-Unifesp pelo financiamento de parte dos custos da edição deste número.

  • Os papéis da Inquisição. Conservação e dispersão na Europa, América e Ásia
    v. 5 n. 9 (2018)

    Este número da Revista de fontes traz um conjunto de texto que, como lembra seus organizadores em sua apresentação, “pretende ser um contributo para o conhecimento das atitudes institucionais, sociais e culturais sobre o património documental inquisitorial que possibilite uma releitura dos ‘fundos inquisitoriais’ à luz da sua constituição – isto é, da conservação dos antigos cartórios dos tribunais –, mas também dos canais de dispersão que promoveram a divisão do que seriam, no início, unidades sistemicamente integradas”. Para além da apresentação, de autoria de Miguel Rodrigues Lourenço, Susana Bastos Mateus e Gabriel Torres Puga, que trata de modo abrangente do legado documental das Inquisições, as abordagens da historiografia sobre o tema e os problemas que a reconstituição da história custodial desses fundos implicam, o dossiê é composto de sete textos.

    Bruno Lopes e Fernanda Olival centram-se nos resquícios da documentação do Fisco do tribunal da Inquisição de Évora existentes em fundos de instituições dessa cidade. Bruno Feitler trata das diferentes fases da história do arquivo do tribunal do Santo Ofício de Goa. Como no caso de Évora, também é de natureza econômica a documentação do tribunal valenciano analisada por Enrique Cruselles Gómez, José María Cruselles Gómez, Irene Manclús Cuñat e María José Carbonell Boria. Andrea Cicerchia analisa a organização que se fez da documentação da Congregação do Santo Ofício (Roma) no âmbito da república romana de 1849. Gabriel Torres Puga aborda os dilemas entre destruição e preservação de seus documentos pelos quais passaram vários tribunais inquisitoriais. Jaqueline Vassallo trata dos arquivos periféricos das comisarías inquisitoriais do tribunal de Lima. Finalmente, Gerardo Lara Cisneros debruça-se sobre o funcionamento e reconstituição do arquivo do Provisorato de Indios y Chinos do arcebispado do México.

    Revista de fontes deseja a todos ótima leitura e agradece a dedicação de Flavio Peralta e Ricelli Silva na disponibilização deste número.

  • Documentos
    v. 5 n. 8 (2018)

    Neste oitavo número a Revista de fontes publica seu tradicional volume de documentos históricos, relevantes para o desvendamento dos mais variados temas, épocas e períodos. Lembremos que a Revista de fontes tem periodicidade semestral, intercalando números temáticos de textos autorais sobre tipos ou conjuntos documentais e números compostos de transcrições e traduções de documentos e ainda instrumentos de pesquisa. As possibilidades de se contar histórias a partir destes documentos ou instrumentos de pesquisa são exploradas pelos textos introdutórios dos autores que, sem intenção de serem profundas análises do seu conteúdo, apontam caminhos e perspectivas de investigação.

    Este número traz cinco conjuntos de documentos transcritos por um leque de pesquisadores de diversos países (Brasil, Chile e Portugal). Eles abordam um vasto marco cronológico, indo do medieval ao contemporâneo, e também geográfico, do Norte Fluminense ao Norte de Angola, passando pela península ibérica, Países Baixos e Veneza.

    Uma primeira contribuição, de Ana Pereira Ferreira, é a transcrição do testamento de Teresa Rodrigues, mulher do tabelião lisboeta João Esteves. Redigido em 1396, esse testamento descortina a realidade social de um elemento muito importante da vida cotidiana dos centros urbanos em desenvolvimento.

    São também testamentos a contribuição de Ignacio Chuecas Saldías. Redigidos entre 1587 e 1673, esses documentos, descobertos em arquivos espanhóis e holandeses, permitem a que “se acessem múltiplos aspectos da existência, atividades e situação vital dos círculos de judaizantes hispano-portugueses”, no caso, a influente família dos Coronel.

    Victor Luis Alvares Oliveira descortina a segunda parte de um importante relatório redigido em 1785 sobre o distrito de Campos dos Goytacazes. Uma primeira parte desse texto já é bem conhecida da historiografia sobre a economia e a sociedade colonial. Esta segunda parte, encontrada no Arquivo Histórico do Exército, complementa e conclui ideias desenvolvidas na primeira parte do texto do capitão de infantaria Manuel Martins do Couto Reis.

    Voltando à temática do tabelionato, Augusto Fagundes da Silva dos Santos e Rafael Marques Ferreira Barbosa Magalhães, a partir da transcrição de uma escritura pública de começos do século XIX, abordam questões de paleografia importantes para a compreensão desse tipo documental.

    Finalmente, Bruno Pastre Máximo transcreve dois documentos que dão a ver uma organização pouco conhecida, porém de relevo, para a independência de Angola, o partido político NGWIZANI A KONGO.

    Desejamos aos pesquisadores que consultem com proveito a Revista de fontes, e aproveitamos para agradecer com sinceridade o valioso apoio de Armando Pereira Bezerra Junior e Ricelli Silva na finalização do processo editorial deste número.

  • Fontes para a história do trabalho
    v. 4 n. 7 (2017)

    Neste número da Revista de fontes foi dado espaço a historiadores do trabalho que utilizam, em suas pesquisas recentes, fontes até hoje pouco utilizadas, seja pelo ineditismo dado pela dispersão documental e dificuldade de acesso, seja porque começaram a ser exploradas na última década a partir de uma reorientação e diversificação interpretativa da história social do trabalho.

    Os estudiosos de história do trabalho no Brasil, a par dos percursos analíticos trilhados pela historiografia internacional sobre o tema, têm privilegiado, sobretudo desde o fim dos anos de 1970 e a década de 1980, as fontes impressas oriundas do movimento operário. A chamada imprensa operária, melhor definível como imprensa produzida pelas organizações, grupos e partidos ligados à militância política e sindical no mundo do trabalho, ainda hoje se constitui como um conjunto documental fundamental para compreensão profunda deste tema, uma vez que, sobretudo para o período da Primeira República, quase não há outras fontes que se originam das comunidades de trabalhadores, apesar de expressar uma visão militante, sendo, portanto, explicitamente caracterizadas de um ponto de vista político. [...]

  • Documentos e instrumentos de pesquisa
    v. 4 n. 6 (2017)

    Neste sexto número a Revista de fontes publica seu agora tradicional volume de documentos históricos, relevantes para o desvendamento dos mais variados temas, épocas e períodos. As possibilidades de se contar histórias a partir destes documentos ou instrumentos de pesquisa são exploradas pelos textos introdutórios dos autores que, sem intenção de serem profundas análises do seu conteúdo, mais apontam caminhos e perspectivas de investigação.

    Abordando um tema tradicional da historiografia brasileira, o pesquisador Ricardo Seabra mostra que a escravidão também foi uma realidade do Portugal medieval a partir da transcrição de um instrumento de escambo portuense.

    No entanto, este número se destaca pela publicação de instrumentos de trabalho para o historiador. É aqui elencada a documentação de três diferentes fundos, de modo completo ou ilustrativo, abordando-se uma variada gama de temas da história institucional, do trabalho e da cultura do Brasil. André Roberto de A. Machado e seus orientandos Samuel Rocha Ferreira, Bruna Valença Mallorga, Evelyn Ariane Lauro e Amanda Aparecida Silva de Carvalho indexaram dois códices do Arquivo Público do Pará referentes à atividade do Conselho Presidencial e do Conselho Geral da Província do Pará (1824-1831).

    Karina Oliveira Morais do Santos apresenta e descreve os documentos referentes à Fábrica de Ferro de São João de Ipanema (1810-1842) mantidos no Arquivo Público do Estado de São Paulo.

    Finalmente, Jaime Rodrigues, debruçando-se sobre documentação mantida no Arquivo Histórico Municipal de São Paulo, apresenta uma primeira catalogação de uma “Coleção de Programas de Teatro, Música e Dança”, que engloba mais de duzentas instituições (sobretudo da cidade de São Paulo) ativas entre os 1940 e os anos 1980.

    Desejamos aos pesquisadores que consultem com proveito a Revista de fontes, e aproveitamos para agradecer com sinceridade o valioso apoio de Armando Pereira Bezerra Junior e Ricelli Silva na finalização do processo editorial deste número.

  • Fontes materiais e a pesquisa histórica
    v. 3 n. 5 (2016)

    Este número da Revista de fontes é produto indireto da Jornada de Fontes promovida pela Departamento de História da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Ferderal de São Paulo (EFLCH-UNIFESP) em 2015, cujo objetivo era discutir o uso de fontes materiais na pesquisa histórica. Para tanto, o conceito de “cultura material” foi destacado, e entre os palestrantes, havia profissionais de campos variados: historiadores, arqueólogos e museólogos. Dessa forma, os artigos que seguem estão conectados com o interesse daquele evento – o debate sobre fontes materiais, sobre o conceito de cultura material e a ação interdisciplinar (ou multidisciplinar) frequentemente relacionada a ele. Os três primeiro artigos apresentam propostas de abordagem de setores específicos de fontes materiais, um histórico do tratamento acadêmico do objeto e estudos de caso, nos quais as questões são mais aprofundadas. Mais que isso, a abordagem é explicitada, colocada à prova. O último, uma discussão teórica do conceito de documento histórico e sua relação com as fontes materiais.

    O primeiro artigo, Linear B, uma introdução de Juliana Cladeira Monzani, apresenta um tipo de fonte escrita, cuja interpretação foi consistentemente feita a partir de dois campos principais: a Filologia e a Arqueologia. De um lado, as pesquisas sobre a decriptação da escrita (que revelou uma forma antiga da língua grega, chamada pelos especialistas de grego micêncio), e o contexto predominante de uso (o contexto administrativo), foi conectado aos dados arqueológicos sobre esse tipo de escrita, tais como a sua cronologia, os suportes e os espaços de imobilização. A observação articulada desses dados proporciona, assim, ao historiador interessado, além de um claro exemplo de abordagem inter- ou multidisciplinar, um exemplo de abordagem de escrita com suporte físico preservado, fundamentos para se pensar em dinâmicas sobre a cultura e a economia do chamado “período micênico”, um segmento da história da Idade do Bronze do Mediterrâneo Antigo; entretanto, sem a constituição de uma narrativa história factual.

    Edifícios como fonte histórica: o caso do templo de Ares na Ágora de Atenas (século I a.C.) de Fábio Augusto Morales, destaca outro tipo de fonte: edifícios. De início, o autor denuncia a pouca atenção dos historiadores com esse tipo de fonte, que foi mais consistentemente tratada por outras disciplinas (como a História da Arte e a Arqueologia) e segmentos muito específicos da História ou da Arquitetura (a História da Arquitetura). Com isso, impõe-se a observação das estratégias de abordagem desse tipo de objeto, atenção às propostas já tratadas por esses domínios acadêmicos: novamente, uma observação integrada baseada em diálogos disciplinares. O estudo de caso apresentado é a movimentação do templo de Ares na Ágora de Atenas, especialmente no século I a.C., o que proporcionou um debate sobre a história do período, articulando elementos da política e da religião.

    Em Aplicação da ferramenta de aprimoramento de imagens DStretch® em sítios rupestres: uma releitura do sítio Bom Nome IV (Pão de Açúcar, AL), Carolina Guedes apresenta a proposta de uso de uma ferramenta tecnológica para a reavaliação do registro de arte rupestre. O primeiro passo é a observação da viabilidade dessa nova ferramenta, comparando os resultados com outras tradicionalmente utilizadas. Para a observação mais aprofundada, é tratado o caso de alguns grafismos do sítio alagoano Bom Nome IV, no qual, com a ferramenta em questão, foi possível identificar novos elementos até então não registrados, além da reavaliação daqueles já conhecidos.

    O último artigo, Fonte material, fonte textual e a noção de documento de Gilberto da S. Francisco, apresenta uma discussão do conceito de documento. Não uma discussão filosófica, mas a partir do uso que a bibliografia faz do termo. Nesse contexto, é possível observar que, na disciplina histórica, a noção de documento, ainda recentemente, é amplamente conectada à ideia de documento textual, sobretudo aquele de base escrita, e certo distanciamento da fonte material, normalmente identificada como “arqueológica”. Entre a noção de fonte textual, fonte escrita, fonte literária, fonte histórica, fonte material e fonte arqueológica, o texto propõe uma discussão do próprio conceito de documento e das consequências disso para a pesquisa histórica.

    Desejamos a todos uma boa leitura!

                                                                                                                                                                        Gilberto Francisco

  • Documentos e instrumentos de pesquisa
    v. 3 n. 4 (2016)

    Neste quarto número a Revista de fontes volta à sua missão de publicar documentos históricos que sejam relevantes para o desvendamento dos mais variados temas, épocas e períodos. As possibilidades de se contar histórias a partir dos mesmos são exploradas pelos textos introdutórios dos autores que, sem intenção de serem profundas análises do seu conteúdo, mais apontam caminhos e perspectivas de investigação, lançam luz à velhos e novos temas e revelam como a documentação pode sempre trazer surpresas e informações inusitadas. Este é caso do relato das exéquias de D. João V encontrado por Angelo Alves Carrara e Lucas Nascimento Moreira nos registros contábeis de um comerciante, documento que também serve de exemplo para as dificuldades de transcrição e de interpretação com as quais os pesquisadores podem se deparar.

    Este número traz duas importantes contribuições à história da medicina e da saúde pública no Brasil, com a transcrição de uma rara lista das “enfermidades mais notáveis” da cidade de Mariana (1833), elaborada por Harley Francisco de Assis e Rogéria Cristina Alves, e com a tabulação do acervo de prontuários do Manicômio Judiciário do Estado de São Paulo do começo do século passado (1903-1930), elaborado pelo PET-História da Unifesp, em parceria com o Arquivo Público do Estado de São Paulo, sob a orientação de Jaime Rodrigues, Marcia Eckert Miranda e Denilson Botelho.

    Ana Caroline Carvalho Miranda traz neste número a transcrição de um exemplo de testamento como modo de chamar a atenção para a importância desse tipo de fonte para a História social e cultural, no caso, de uma preta forra de Pitangui, com o testamento datado de 1777. Outra fonte importante para a história da população escrava e liberta é aquela das irmandades de Nossa Senhora do Rosário. Ana Gabriela da Silva Santos, Gabriela Moreira de Almeida, Vinicius Lourenço Barbosa e Vitor Paffile Schimpf propõem aqui a transcrição do livro de bens, joias, alfaias e demais pertences da irmandade do Rosário da paróquia de Guarulhos (1833-1892). Ainda no âmbito da história da escravidão e da “agência” escrava, Felipe Garcia de Oliveira transcreveu um caso de ação judicial (uma “ação de alma”) envolvendo um escravo e um preto forro na São Paulo do século XVIII.

  • Os arquivos das casas editorais (documentos e livros) como fontes para a História
    v. 2 n. 3 (2015)

    Neste terceiro número da Revista de fontes apresentamos um dossiê que é fruto da "II Jornada de fontes: os arquivos das casas editoriais (documentos e livros) como fontes para a História" realizada em 18 de novembro de 2015, pelo Departamento de História da Unifesp. Nessa ocasião, pesquisadores convidados demonstraram diversas possibilidades de investigação da produção e circulação de impressos, bem como a riqueza da documentação presente nos fundos de coleções e arquivos de editoras, bibliotecas e outras instituições de produção e guarda. O dossiê convida todos a conhecerem algumas abordagens vinculadas à História do Livro, das Edições e da Leitura, que nos permitem compreender historicamente projetos editoriais, processos de seleção, edição e circulação de impressos, bem como formas de organização e preservação de acervos.

    Editoras com grande projeção nacional, no século XX, foram alvo das pesquisas ora apresentadas: Fábio Franzini analisa a Coleção Documentos Brasileiros, da Livraria José Olympio Editora. Essa mesma editora foi objeto de investigação de Gustavo Sorá, que propõe uma etnografia histórica de seus arquivos. Paulo Teixeira Iumatti explora a materialidade do livro a partir de suas pesquisas sobre preservação e restauro do acervo da Editora Brasiliense. Também merecem destaque os artigos sobre a Companhia Editora Nacional, cujos arquivos estão sob a guarda do Centro de Memória da Unifesp. Os trabalhos de Maria Rita de Almeida Toledo, Jaime Rodrigues e Márcia Eckert Miranda revelam a importância histórica de seu acervo e as muitas possibilidades de pesquisa.

    Para além das fronteiras nacionais, Gabriela Pellegrino Soares analisa a circulação da prestigiada publicação francesa Revue des Deux Mondes, distribuída na América Latina, no século XIX; e Richard Oram esmiúça o arquivo literário da editora norte-americana Knopf, Inc., um dos maiores do gênero em língua inglesa. Fechando esse número, já fora da temática da II Jornada de fontes, Denise Soares de Moura apresenta uma ferramenta de pesquisa produzida na Unesp, que disponibiliza em formato digital parte do patrimônio histórico-documental das câmaras do Brasil-colônia existente no acervo do Conselho Histórico Ultramarino.

    Boa leitura!

  • Documentos e instrumentos de pesquisa
    v. 2 n. 2 (2015)

    Neste segundo número a Revista de fontes faz jus à sua principal missão: a de publicar documentos históricos que sejam relevantes para o desvendamento dos mais variados temas, épocas e períodos. As possibilidades de se contar histórias a partir dos mesmos são exploradas pelos textos introdutórios dos autores que, sem intenção de serem profundas análises do seu conteúdo, mais apontam caminhos e perspectivas de investigação, bem como lançam luz à velhos e novos temas. Este é caso do chamado “Relatório Harrison” (1945), traduzido e apresentado por Luiz Salgado Neto, que, como uma preciosa fonte para se analisar a situação dos sobreviventes dos campos de concentração após o fim da Segunda Guerra Mundial, continua a informar questionamentos e perguntas ao passado. Da mesma forma, o texto das inquietações de Amador Patrício de Portugal, escrito após a Conjuração Mineira (1788-89) com o propósito de servir de alerta às autoridades metropolitanas acerca dos riscos existentes em outras capitanias do Brasil, como bem nos apresenta Miguel Dantas da Cruz.

    Dar luz à fontes menos exploradas e conhecidas, é o que fazem de maneira instigante Jaime Rodrigues e Adriana Pereira Campos ao transcreverem as “Memórias do Rio Doce” como um plano de governo para a capitania do Espírito Santo em meio ao período reformista português. Da mesma forma, a publicação dos relatórios de visitas do bispado de Pernambuco (de 1680 a 1746, provenientes do Archivio Secreto Vaticano), que tinham como objetivo informar regularmente ao Papa sobre o estado temporal e espiritual das diversas paróquias de um bispado, aqui transcrito e apresentado por Patrícia Moreira Nogueira. Já o artigo de Maria Emília Vasconcelos dos Santos, na valorização de uma temática a partir de um conjunto de fontes documentais, apresenta-nos um instrumento de pesquisa para análise dos registros policiais existentes para municípios da Zona da Mata Sul de Pernambuco (entre os de 1884-1893), perscrutando a experiência dos trabalhadores dos engenhos no final do século XIX (1884-1893).

    Que as fontes ora apresentadas sirvam de inspiração a muitos!

  • Processos judiciais como fonte para o historiador
    v. 1 n. 1 (2014)

    Os processos judiciais tem sido uma fonte praticamente inesgotável para os historiadores desde há muito tempo. Ao menos desde que a história passou a ser contada não apenas com grandes personagens e heróis, com a definitiva entrada em cena de novos agentes cuja abrangência social impôs a necessidade de buscar suas pistas, trajetórias e formas de ação e pensamento em uma maior multiplicidade de resquícios do passado. Não há dúvida que, com isso, ganhou a realidade histórica uma dimensão mais humana, marcada por conflitos, tensões e/ou acomodações nos seus vários níveis, e seu conhecimento com novos problemas e perspectivas de análise. O dossiê que ora se apresenta pretende revisitar, aqui, algumas dessas perspectivas tendo em vista dois pontos de discussão que consideramos de fundamental importância quando falamos hoje de processos: sua dimensão institucional e a necessidade de se pensar a justiça para além do espaço propriamente judicial. [...]