Este número da Revista de fontes é dedicado a textos que apontam caminhos a seguir nos estudos da história ambiental. Área dos estudos históricos relativamente nova por sua abordagem global, como apontam os organizadores do dossiê, Janes Jorge e Patricia Raffaini em seu texto de apresentação, com enorme relevância social e assim política, ela aqui se desdobrou em cinco vertentes. Os autores destes artigos propõem abordagens metodológicas e/ou tipos documentais específicos ao campo. Bianca Lucchesi, por meio sobretudo de documentação do Centro de Memória da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, mostra como representações fotográficas do começo do século XX ajudam a entender o embate entre a construção de identidades urbanas e rurais na São Paulo do período. Elenita Pereira e Sara Fritz, a partir da documentação privada de José Lutzemberger estudam a participação desse importante ambientalista do último quarto do século XX na constituição de fundações que tinham como conceito-base a teoria de Gaia. Bianca de Almeida, a partir de O Turista aprendiz (1927-1929), de Mário de Andrade, aponta caminhos para o uso de obras literárias e memorialísticas para a compreensão das interações entre o homem e a natureza. Roger Colacios toma como foco de análise a legislação ambiental brasileira, trazendo os Direitos Ambientais como instrumento analítico para essa legislação. Finalmente, o artigo de Marcio Bertazi tem como objetivo discutir como textos filosóficos, a partir de conceitos como o de ecologia profunda, podem auxiliar nos estudos das rupturas entre a cultura e a natureza. Que a riqueza destas contribuições sirva de inspiração a novas pesquisas!

Boa leitura a todos.

Agradecemos à Fap-Unifesp pelo financiamento dos custos deste número e à equipe do Portal de Periódicos Unifesp por lhe dar condições de estar no ar. 

 

Imagem: Foto de Mário de Andrade (detalhe). Acervo do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo. In: http://revistacarbono.com/artigos/08-turista-aprendiz-teleancona/

“Bom-Futuro bonita/ O II é um igrejó gótico/ 6-VII-27/ rio Madeira/Ver as sumanúmas dos dois lados/ água de Narciso” (notação no verso). 

Publicado: 2019-12-31