Caminhos percorridos pela Educação Ambiental para a valorização cultural: o Fandango do Litoral Sul de São Paulo e Litoral Norte do Paraná

  • Amilcar Marcel de Souza Universidade Federal do Paraná, Curitiba, PR
  • Antonio Carlos Diegues Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
Palavras-chave: Fandango, Valorização Cultural, Educação Ambiental

Resumo

O presente relato refere-se a uma narrativa rememorativa de um evento histórico de valorização cultural do Fandango do Litoral Sul de São Paulo e Litoral Norte do Paraná pela realização do I Encontro de grupos de Fandango do Vale do Ribeira e litoral Norte do Paraná realizado em 2003 e sua expressão 14 anos mais tarde. O processo de valorização cultural do Fandango fundamentou-se nas propostas de pesquisa-intervenção-educacional participativa (VIEZZER; OVALLES, 1995) e tendo como objetivo contribuir para a valorização da cultura caiçara. O local desse encontro foi no Parque Estadual da Ilha do Cardoso que está localizado no litoral sul do Estado de São Paulo, em Cananéia, a 272 Km da capital do Estado. Faz divisa com o Estado do Paraná e está inserido na região do Vale do Ribeira. O I encontro de Grupos de Fandango foi realizado nos dias 22 e 23 de fevereiro de 2003. Nesta intervenção foi estimulado o intercâmbio cultural entre os grupos de Fandango, sendo eles comunidade do Itacuruçá (Ilha do Cardoso), Grupo de Fandango de Cananéia, Jovens da Juréia e o Grupo Folclórico Caiçaras do Paraná (Ilha dos Valadares), buscando a valorização de seus hábitos, danças, ritmos locais, dificuldades e sucessos de cada grupo e conhecimentos da biodiversidade ligados a cultura do Fandango. As instituições organizadoras deste evento foram Instituto Ecos da Mata (IEM), Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC) e Núcleo de Apoio a Pesquisa Sobre Populações Humanas e Áreas Úmidas Brasileiras (NUPAUB). Os patrocinadores foram: Fundo de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo, Consulado Alemão, Instituto Ecos da Mata (IEM), Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC) e Instituto de Pesca de Guaragueçaba (IPG). A análise 14 anos mais tarde deste evento de reflexão e discussões com os próprios fandangueiros, foi permeada por análise documental, observação participante e conversas estruturadas com pesquisadores e fandangueiros. Foi possível observar que o Fandango ainda tem dificuldades com sua expressividade, principalmente porque ele é resultado de processos coletivos na comunidade como a colheita de culturas agrícolas, a despesca de cerco entre outros e que por inúmeros motivos que não foi abordado neste trabalho transformaram as comunidades mais individualizadas e comprometendo a execução de rodas ou bailes de Fandango. Por outro lado, foi observado que o Fandango está “vivo”, tendo várias ações nesta região estudada como protagonistas desta manutenção cultural que vão desde políticas públicas até ações individuais.

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Publicado
2020-02-15
Como Citar
Souza, A. M. de, & Diegues, A. C. (2020). Caminhos percorridos pela Educação Ambiental para a valorização cultural: o Fandango do Litoral Sul de São Paulo e Litoral Norte do Paraná. Revista Brasileira De Educação Ambiental (RevBEA), 15(1), 62-82. https://doi.org/10.34024/revbea.2020.v15.9891
Seção
Relatos de Experiências