VALORIZAÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL DE UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA: O RITUAL DO CANDOMBE COMO ATRATIVO TURÍSTICO DA SERRA DO CIPÓ/MG.

Autores

  • Renata Ferreira Campos

DOI:

https://doi.org/10.34024/rbecotur.2011.v4.5945

Resumo

“Ói nóis são lá do Açude, somo dum buraco fundo Ó Senhora do Rosário, abençoa todo mundo”. Com o crescente interesse do homem pela natureza devido à maior conscientização e à conseqüente mudança dos valores culturais, uma das atividades mais procuradas no ramo do lazer tem sido o ecoturismo. Muito mais do que o turismo realizado em áreas naturais, o ecoturismo deve atender às necessidades básicas da população local, assegurar a manutenção da diversidade cultural e das tradições da comunidade, além de garantir a participação da mesma nas tomadas de decisão. Nesse sentido, acredita-se que o ecoturismo seja um forte encorajador da consciência em relação ao ambiente e do senso de identidade cultural dos residentes. Assim, este trabalho objetiva tratar da valoração dos bens culturais de um destino ecoturístico, mais especificamente a comunidade quilombola do Açude, localizada no distrito de Serra do Cipó, município de Santana do Riacho, Minas Gerais. Para tanto, como instrumentos de metodologia, lançou-se mão, além de extensa revisão de bibliografia sobre o tema, do método de observação de campo, realizada no dia 11 de setembro, data de ocorrência do Candombe no ano de 2010. A palavra candombe significa dança sagrada. A manifestação, considerada a principal das oito guardas de congado, é tida como uma das mais primitivas de Minas Gerais. Vindo da África para reverenciar, com danças e batuques, Nossa Senhora do Rosário, o Candombe é realizado na Serra do Cipó, sempre no segundo sábado de setembro. Pessoas de todo o país vão à comunidade do Açude prestigiar a vibração da festa que ganha o terreiro ao som do batuque dos tambores. O ritual se inicia com uma reza feita por Dona Mercês, a matriarca da comunidade. A dança consiste em movimentos da pessoa que está conduzindo o canto e os gestos ocorrem de acordo com a criatividade do dançante e das evocações do canto. Os versos são curtos e disparados em tom de desafio. Muitas vezes, o candombeiro improvisa seu canto e a roda de participantes responde, em coro. Qualquer pessoa, mesmo quem não pertence à comunidade do Açude, pode entrar na roda e participar. A festa segue até a madrugada, e é servido bolo de fubá para os convidados. Mas o combustível dos candombeiros é mesmo a tradicional cachaça mineira. Com a popularização de suas manifestações, a Comunidade do Açude passou a receber cerca de 5.000 turistas por ano. Em 2004, o povo do Açude ganhou o prêmio de Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo então ministro, Gilberto Gil. Assim, partindo-se do pressuposto de que a atividade turística pode ser bastante positiva para uma localidade, por desenvolvê-la no aspecto social e econômico, faz-se necessário realizar um planejamento focado, principalmente, na realidade da comunidade receptora. Pois a despeito dos benefícios que o ecoturismo apresenta, há que se considerar o risco da desestruturação cultural da comunidade. Portanto, acredita-se que a participação comunitária no planejamento da atividade turística seja essencial para o fortalecimento da identidade local e para a conservação ambiental e cultural da região. Palavras-chave: Ecoturismo; Bens Culturais; Planejamento turístico.

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Publicado

10/24/2011

Como Citar

Campos, R. F. (2011). VALORIZAÇÃO DA IDENTIDADE CULTURAL DE UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA: O RITUAL DO CANDOMBE COMO ATRATIVO TURÍSTICO DA SERRA DO CIPÓ/MG. Revista Brasileira De Ecoturismo (RBEcotur), 4(4). https://doi.org/10.34024/rbecotur.2011.v4.5945

Edição

Seção

Arquivos Individuais
Recebido: 2011-07-01
Aceito: 2011-08-05
Publicado: 2011-10-24