A contrarrevolução miguelista e o exílio político liberal

Portugal e Brasil (1828-1834)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/2236-463336ed30223

Palavras-chave:

revolução, contrarrevolução, liberalismo, emigração, reinado de d. Miguel, exílio

Resumo

Neste artigo, são abordados alguns aspectos do processo de emigração política, resultante da dinâmica entre revolução e contrarrevolução, em Portugal, nas décadas de 1820 e 1830. Ainda que os sentidos e as direções dos exílios variem de acordo com o resultado das sucessivas disputas que se travaram no país entre realistas e liberais, será quando D. Miguel ascende ao poder, em 1828, que um número estimado em quase uma dezena de milhar de pessoas, acusadas de “acérrimas liberais”, é obrigado a deixar o país. Buscando ressaltar a natureza transnacional e transcontinental desse fenômeno migratório, apontamos as condições nas quais se encontravam esses emigrados, assim como os diferentes destinos que tomaram, incluindo, entre eles, o Rio de Janeiro e outras províncias do Brasil.

Métricas

Carregando Métricas ...

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BONIFÁCIO, Maria de Fátima. D. Maria II. Lisboa: Círculo de Leitores, 2005.

BRON, Grégoire. Révolution et nation entre le Portugal et l’Italie: les relations politiques luso-italiennes des Lumières à l’internationale libérale de 1830. 2013. 856 f. Tese (Doutorado em História) – Instituto Universitário de Lisboa; École Pratique des Hautes Études, Paris, 2013.

BURKE, Peter. Perdas e ganhos: exilados e expatriados na história do conhecimento na Europa e nas Américas, 1500-2000. São Paulo: Editora da Unesp, 2017.

CANAL, Jordi. Carlismo y contrarrevolución. La Aventura de la historia, Dialnet, La Rioja, n. 77, p. 49-50, 2005.

CARDOSO, António Barros. Liberais e absolutistas no Porto: (1823-1829). Estudos em homenagem ao Professor Doutor José Marques, Porto, v. 1, p. 274, 2006. Disponível em: http://hdl.handle.net/10216/53000. Acesso em: 6 jun. 2023.

CASSINO, Carmine. Portugal e Itália: emigração, nação e memória (1800-1832). 2015. 459f. Tese (Doutorado em História) – Universidade de Lisboa, Lisboa, 2015.

CASTANHEIRA, Maria Zulmira. Exílio e Escrita de Viagem ao Tempo do Liberalismo do Brigadeiro António Bernardino Pereira do Lago em Inglaterra: Ver e Aproveitar. Revista de Estudos Anglo-Português, [s. l.], p. 183-215, 2020.

CATROGA, Fernando. Pátria, nação e nacionalismo. In: SOBRAL, José Manuel; VALA, Jorge (ed.). Identidade Nacional, inclusão e exclusão social. Lisboa: ICS, 2010.

D’APRILE, Iwan-Michelangelo. Historias interconectadas de los medios de comunicación y el desarrollo de un discurso constitucional europeo en los albores del siglo XIX. Ayer, Valencia, n. 94, p. 49-69, 2014. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/24759527. Acesso em: 22 jul. 2023.

FARIA, Eduardo de. Dicionário da língua portuguesa, seguido de dicionário de sinônimos. 4. ed. Rio de Janeiro: Tipografia Imperial e Constitucional de J. Villeneuve E. C., 1859. v. 1.

FARIA, Fábio Alexandre. O exílio liberal português de 1828-1832: um fenómeno multidimensional: práticas sociais e culturais. Revista de História da Sociedade e da Cultura, n. 16, p. 271-292, 2016.

FARIA, Fabio Alexandre. Circulações Internacionais e Liberalismo. O exílio liberal português, 1828-1832. 2015. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto Universitário de Lisboa, Lisboa, 2015.

FERRÃO, António. Reinado de D. Miguel: o Cerco do Porto (1832-1833). Lisboa: Publicações da Comissão de História Militar, 1940.

FERREIRA, Maria de Fátima Sá e Melo. O “Terror miguelista” revisitado. Estado, intervenção popular e violência política no reinado de D. Miguel. In: MARCHI, Ricardo (coord.). Ideais e percursos das direitas portuguesas. Lisboa: Texto Editora, 2014.

FERREIRA, Fátima Sá e Melo. Povo – Povos. LER história, [s. l.], p. 141-154, 2008. Disponível em: https://journals.openedition.org/lerhistoria/2271. Acesso em: 25 de jun. 2023.

FRASQUET, Ivana. Restauración y revolución en el Atlántico Hispanoamericano. In: RÚJULA Pedro; SOLANS, Javier Ramón (ed.). El desafio de la revolución. Reaccionarios, antiliberales y contrarrevolucionários (siglos XVIII y XIX). Granada: Comares, 2017.

GONÇALVES, Andréa Lisly. O que “andam sussurrando em versos e trovas?”. A militância popular contra D. Miguel e as relações entre Brasil e Portugal. Torres Vedras, 1828-1834. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 40, n. 85, p. 99-120, 2020.

GONÇALVES, Andréa Lisly. O apoio popular à monarquia no contexto das revoluções liberais Brasil e Portugal (1820 e 1834). Varia Historia, Belo Horizonte, v. 35, n. 67, p. 241-272, 2019, a.

GONÇALVES, Andréa Lisly. “Liberalismo e irreligião no reinado de d. Miguel: o caso do pernambucano José Faustino Gomes (Portugal, 1828- 1834)”. Topoi, Rio de Janeiro, v. 20, p. 368-393, 2019, b.

GONÇALVES, Andréa Lisly. “‘Contra a Pessoa de El Rei e a Segurança do Estado’: brasileiros na resistência ao miguelismo em Portugal (1828-1834)”. Revista do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte, v. 20, n. 41, p. 132-143, 2015.

GONÇALVES, Andréa Lisly. A luta de brasileiros contra o miguelismo em Portugal (1828-1834): o caso do homem preto Luciano Augusto. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 33, p. 211-234, 2013.

ISABELLA, Maurizio; ZANOU, Konstantina (ed.). Mediterranean Diasporas: Politics and Ideas in the Long 19th Century. London: Bloomsbury, 2015.

LAGO, António Bernardino Pereira do. Cinco Annos d’Emigração na Inglaterra, na Bélgica, e na França. Do Brigadeiro Antonio Bernardino Pereira do Lago. Lisboa: Imprensa Nacional, 1834.

LIMA, Oliveira. D. Pedro e D. Miguel. A querela da sucessão. Brasília, DF: Senado Federal, 2008. v. 36.

LOPES, João Baptista da Silva. Istoria do cativeiro dos prezos d’estado na Torre de São Julião da Barra de Lisboa durante a dezastroza epoca da uzurpação do legitimo governo constitucional deste reino de Portugal. Lisboa: Imprensa Nacional, 1833. v. 4.

LOUSADA, Maria Alexandre. O miguelismo (1828-1834). O discurso político e o apoio da Nobreza titulada. Lisboa: Faculdade de Letras, 1987.

LOUSADA, Maria Alexandre; FERREIRA, Maria de Fátima Sá e Melo. D. Miguel. Lisboa: Círculo do Livro/Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa, 2009.

LYNCH, Christian Edward Cyril. Modulando o tempo histórico: Bernardo Pereira de Vasconcelos e o conceito de “regresso” no debate parlamentar brasileiro (1838-1840). Almanack, Guarulhos, n. 10, p. 314-334, 2015.

MAIA, Joaquim José da Silva. Memórias Históricas, Políticas e Filosóficas da História Moderna Portuguesa. História da Revolução do Porto em maio de 1828, dos Emigrados portugueses pela Espanha, Inglaterra, França e Bélgica. Rio de Janeiro: Tipografia Universal de Laemmert, 1841.

MARQUES, A. H. de Oliveira. História da Maçonaria em Portugal. Política e Maçonaria, 1820-1869. Lisboa: Editorial Presença, 1996. v. 2.

MARQUES, A. H. de Oliveira. Nova História de Portugal. Lisboa: Editorial Presença, 2002. v. 9.

MARX, Karl. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

MONTEIRO, Nuno Gonçalo. Societa rural i actituds polítiques a Portugal (1820-34). In: FRADERA, Josep Maria; MILLAN, Jesús; GARRABOU, Ramon (ed.). Carlisme i moviments absolutistes. Capellades: Eumo Editorial, 1990.

NEMÉSIO, Vitorino. Exilados 1828-1832. História sentimental e política do liberalismo na emigração. Lisboa: Bertrand, 1946.

OLIVEIRA, Kelly Eleutério M. Os brasileiros do Batalhão de Voluntários Acadêmicos de Coimbra e a defesa do liberalismo em Portugal (1826-1828). [S. l.]: No prelo.

PAQUETTE, Gabriel. Imperial Portugal in the Age of Atlantic Revolutions: the Luzo-Brazilian World, 1770- 1850. Cambridge: Cambridge University Press, 2013.

PARRON, Tâmis. A política da escravidão no Império do Brasil, 1826-1865. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011

RIBEIRO, Gladys Sabina. A liberdade em construção. Identidade nacional e conflitos antilusitanos no Primeiro Reinado. Rio de Janeiro: Eduff, 2022.

RÚJULA, Pedro. Realismo y contrarrevolución en la Guerrra de la Independencia. Ayer, Valencia, v. 86, n. 2, p. 45-66, 2012.

SANTOS, Maria de Lourdes Costa Lima dos. Intelectuais Portugueses na Primeira Metade de Oitocentos. Lisboa: Editorial Presença, 1985.

SAYAD, Abdelmalek. L’immigration ou les paradoxes de l’altérité. Tradução Cristina Murachco. São Paulo: Edusp, 1998.

SAYAD, Abdelmalek. La double absence. Des illusions de l'émigré aux souffrances de l'immigré. Paris: Seuil, 1999.

SAYAD, Abdelmalek. O retorno: elemento constitutivo da condição do imigrante. Travessia: Revista do Migrante, São Paulo, v. esp, p. 7-32, 2000.

SIMAL, Juan Luis. El exilio en la génesis de la nación y del liberalismo (1776-1848): el enfoque transnacional. Ayer, Valencia, v. 94, n. 2, p. 23-48, 2014.

SIMAL, Juan Luis. El exilio: un fenómeno global entre la revolución y la contrarrevolución, 1814-1834. Avances del Cesor, [s. l.], v. 8, n. 8, p. 63-79, 2011.

SILVA, Luiz Gustavo Martins da. Entre penas e impressos: A experiência política de exilados liberais na Europa e no Brasil (1826-1837). Belo Horizonte: Fino Traço, 2022, a.

SILVA, Luiz Gustavo Martins da. “União e olho bem vivo” – luta política na imprensa brasileira: o jornal Astréa e o exilado Silva Maia (1821-1830). Revista Historiar, [s. l.], v. 14, n. 27, p. 76-99, 2022, b. Disponível em: //historiar.uvanet.br/index.php/1/article/view/442. Acesso em: 16 jul. 2023.

SORIANO, Simão José da Luz. História da Guerra Civil e do estabelecimento do governo parlamentar em Portugal – compreendendo a história diplomática, militar e política deste reino desde 1777 até 1834. Tomo III – Parte I. Desde a emigração da divisão leal por Galiza para Inglaterra em julho de 1828 até a tomada das ilhas dos Açores pelas tropas liberais da guarnição da Terceira em 1831. Lisboa: Impressa Nacional, 1883.

SOUSA, José Batista de. Almeida Garrett and anglo-portuguese cultural interaction, 1800-1850. Buckingham: University of Buckingham, 1999.

SOUSA, José Baptista. Catão em Plymouth. Revista de Estudos Anglo-Portugueses, Lisboa, n. 10, p. 23-42, 2001.

TABORDA, Humberto Jorge Dias. História do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro (primeiro centenário) 1837-1937. Rio de Janeiro: RGLP, 1940.

TENGARRINHA, José. Nova história da imprensa portuguesa: das origens a 1865. Lisboa: Círculo de Leitores (Temas e Debates), 2013.

TORGAL, Luís Reis. A contrarrevolução e a sua imprensa no vintismo: notas de uma investigação. Análise social, [s. l.], v. 16, n. 61-62, p. 279-292, 1980.

VALENTE, Vasco Pulido. Os levantamentos «miguelistas» contra a Carta Constitucional (1826-1827). Análise Social, [s. l.], v. 30, n. 133, 1995.

VARGUES, Isabel Nobre; TORGAL, Luís Reis. Da revolução à contra-revolução: vintismo, cartismo, absolutismo. O exílio político. In: MATTOSO, José de (dir.). História de Portugal. O Liberalismo (1807-1890). Círculo de Leitores: Lisboa, 1993. v. 5.

VELOZO, Pedro da Fonseca Serrão. Collecção de Listas que contem os nomes das pessoas, que ficarão pronunciadas nas devassas, e summarios, a que mandou o Governo Usurpador depois da heroica contra-revolução, que arrebetou na mui nobre, a leal Cidade do Porto em 16 de Maio de 1828, nas quaes se faz menção do destino, que a Alçada, creada pelo mesmo Governo para as julgar, deu a cada uma dellas. Porto: Tipografia de Viúva Alvares Ribeiro & Filmo, 1833.

Downloads

Publicado

2024-04-22

Como Citar

Gonçalves, A. L., & Martins da Silva, L. G. (2024). A contrarrevolução miguelista e o exílio político liberal: Portugal e Brasil (1828-1834). Almanack, (36). https://doi.org/10.1590/2236-463336ed30223

Edição

Seção

Dossiê: Al filo de la transición. Contrarrevolucionarios, realistas y antiliberales en la encrucijada de las independencias iberoamericanas