O semanário Marcha, Carlos Quijano e a configuração de um circuito cultural de resistência no Uruguai (anos 1960-70)

  • Mariana Villaça Doutora em História Social pela USP Professora da graduação e pós-graduação em História, com ênfase em História da América Independente, pela Universidade Federal de São Paulo
Palavras-chave: Semanário Marcha, Regime Civil-Militar Uruguaio, Resistência Cultural

Resumo

O semanário uruguaio Marcha, principal publicação da editora de mesmo nome, dirigida por Carlos Quijano, exerceu papel fundamental na consolidação de um circuito de resistência cultural naquele país, no contexto de acirramento do autoritarismo que marcou o governo de Pacheco Areco e culminou na instauração de um regime civil-militar em 1973. Partimos da hipótese de que Marcha exerceu papel de agente e formulador de uma política cultural responsável pela sedimentação desse circuito e de uma hegemonia cultural de esquerda. No presente trabalho, focamos a importância da trajetória de Carlos Quijano para a compreensão histórica do perfil de Marcha e da política cultural empreendida por esse organismo. Também destacamos, a fim de mapear a natureza dessa política cultural, alguns eventos e ações apoiados por Marcha que contribuíram, por um lado, para consolidar seu papel de pólo de resistência política e, por outro, reforçar vínculos culturais com países vizinhos, em uma perspectiva de afirmação do latino-americanismo, o qual, a partir de então, se torna um vetor influente na ressignificação da identidade uruguaia experimentada nos anos 1970.

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Publicado
2019-03-25
Como Citar
Villaça, M. (2019). O semanário Marcha, Carlos Quijano e a configuração de um circuito cultural de resistência no Uruguai (anos 1960-70). Revista Hydra: Revista Discente De História Da UNIFESP, 2(3), 257-272. https://doi.org/10.34024/hydra.2017.v2.9110
Seção
Artigos Livres