EVENTOS E TRADIÇÃO FAMILIAR NO HIPISMO SUL-RIO-GRANDENSE NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

  • Ester Liberato Pereira Doutora em Ciências do Movimento Humano (PPGCMH/UFRGS). Professora do Departamento de Educação Física e do Desporto da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Coordenadora do Grupo de Estudos em História do Esporte e da Educação Física (GEHEFE) do Laboratório de Estudo, Pesquisa e Extensão do Lazer (Ludens).
  • Giandra Anceski Bataglion Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Integrante do Núcleo de Estudos em História do Esporte e da Educação Física - NEHME e do Observatório do Esporte Paralímpico.
  • Janice Zarpellon Mazo Doutora em Ciências do Desporto (FADE/UP). Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento Humano da UFRGS. Coordenadora do Núcleo de Estudos em História e Memória do Esporte e da Educação Física (NEHME) e do Observatório do Esporte Paralímpico.
Palavras-chave: Hipismo, Eventos hípicos, História do Esporte

Resumo

Este artigo procura analisar como sucedeu a relação entre os eventos hípicos e a tradição familiar na prática do hipismo no Rio Grande do Sul (RS) nas primeiras décadas do século XX. Para entender esta configuração, a partir de noções sociohistóricas, efetuou-se uma análise documental de fontes impressas, como também foi reproduzida uma fonte oral. A análise das fontes evidenciou que a conjuntura particular da prática hípica do RS, à medida que foi se conformando, permitiu alcançar o cenário esportivo nacional e internacional, por meio da participação de atletas em Jogos Olímpicos. Observou-se que diversos atributos característicos de um esporte moderno já se faziam presentes, ainda que com diferentes particularidades, no contexto hípico, desde o início de seu aparelhamento. Tal arranjo denotava a atuação de, afora homens militares e civis, mulheres atreladas às elites econômicas do estado, bem como o investimento financeiro de suas famílias, descortinando um cenário em que o RS firmava etapas e ligações consecutivamente na vanguarda deste esporte olímpico. Tais representações sociais de distinção e sociabilidades relacionadas ao hipismo, bem como a sua dinâmica constante, foram avigoradas pela introdução do capital privado nesta prática. Apurou-se que o hipismo se apresentou como agente e como objeto de um cenário em que o estado age beneficiando, basicamente, interesses privados.

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Publicado
2019-03-25
Como Citar
Pereira, E. L., Bataglion, G. A., & Mazo, J. Z. (2019). EVENTOS E TRADIÇÃO FAMILIAR NO HIPISMO SUL-RIO-GRANDENSE NAS PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX. Revista Hydra: Revista Discente De História Da UNIFESP, 3(5), 154-192. https://doi.org/10.34024/hydra.2018.v3.9077
Seção
Dossiê