Feitiço Negro, Despachos Brancos Epistemologia do despacho e pedagogia anticolonial

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MURILO MEIHY
https://orcid.org/0000-0002-6435-302X

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão sobre as resistências negro-africanas a partir da “epistemologia do despacho”. Partimos de uma análise genealógica e semântica do termo despacho em coexistência com outro termo de uso corrente no mesmo período inicial da expansão colonial portuguesa: feitiço. O despacho é um procedimento jurídico-burocrático que atualiza a presença do Rei e do Estado para além de seu corpo, criando mecanismos de objetificação, domínio e controle sobre os corpos colonizados. Feitiço, por outro lado, surge como categoria portuguesa utilizada para se referir aos amuletos africanos na Guiné e condená-los como objetos “feitos”, pois não teriam verdade metafísica. A condenação dos feitiços africanos é complementar à consolidação dos despachos jurídicos-burocráticos do Estado colonial. Essa complementaridade entre despacho e feitiço como operador colonial é redimensionada no período da abolição no Brasil, quando a categoria despacho, anteriormente restrita ao campo burocrático, é ressignificada pelos saberes negros enquanto agenciamento de uma corporeidade viva e comunitária. Em diálogo com princípios da “pedagogia da encruzilhada”, a “epistemologia do despacho” propõe um caminho para pensar e ativar essa corporeidade viva e fortalecer a troca de saberes negros nas discussões sobre educação no Brasil.  

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Como Citar
MEIHY, M. Feitiço Negro, Despachos Brancos: Epistemologia do despacho e pedagogia anticolonial. EXILIUM Revista de Estudos da Contemporaneidade, [S. l.], v. 4, n. 7, p. 79–97, 2023. DOI: 10.34024/exilium.v4i7.15190. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/index.php/exilium/article/view/15190. Acesso em: 27 fev. 2024.
Seção
Crítica da Contemporaneidade