Grupo Cerebelo

Experimentalismos poético-educativos em Pelotas (anos 1980)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34024/xtfypm81

Palavras-chave:

Arte contemporânea, Práticas poético-educativas, Década de 1980

Resumo

O artigo reflete sobre o Grupo de Arte Experimental e Pesquisa Cerebelo, fundado pela artista e professora Lenir de Miranda (1945) na década de 1980, na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Desde os anos 1960, escolas de arte e ações poético-educativas, frequentemente conduzidas por mulheres artistas, tensionaram as diretrizes dos regimes ditatoriais latino-americanos. Nesse contexto, destaca-se a atuação do Grupo Cerebelo, que aproximou linguagens da arte contemporânea, como a arte postal, instalações e performances, de uma instituição de ensino superior no Sul do Brasil. Partindo da análise de documentos, correspondências e registros visuais vinculados à trajetória da artista, colocados em diálogo com a historiografia da arte, o texto compreende essas fontes como indícios de dinâmicas artístico-pedagógicas mais amplas. Essas experiências permitem refletir sobre a construção da História do Tempo Presente, evidenciando artistas e coletivos situados fora dos grandes eixos de produção e circulação da arte contemporânea no país.

Biografia do Autor

  • Guilherme Susin Sirtoli, Universidade Federal de Pelotas

    Licenciado em Artes Visuais (2019) com período de mobilidade acadêmica na Universidade de Aveiro (2019), Bacharel em Museologia (2024), Especialista em Artes (2021) e Mestre em Artes Visuais (2022), área de concentração Arte Contemporânea, pela Universidade Federal de Pelotas. Doutorando em Artes Visuais na área de concentração História, Teoria e Crítica de Arte pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAV/UFRGS). Doutorando em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Pelotas (PPGH/UFPel) com bolsa pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Servidor Público, atuando como Professor de Arte na Prefeitura Municipal de Caxias do Sul. Pesquisador e vice-líder do Núcleo de Memória e Contravisualidades (UFPel/CNPq). Seus estudos recentes incluem investigações nas áreas de História da Arte, História do Tempo Presente, Arte e Política, Arte e Educação, Cultura Visual, e Educação Museal.

Referências

Agamben, G. (2009). O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Argos.

Araújo, R. R., & Holanda, P. H. C. (2022). O labor criativo de Augusto Rodrigues na criação das Escolinhas de Arte do Brasil e do Jornal Arte & Educação. Revista Educação, Artes e Inclusão, 18(2), 128–151. https://revistas.udesc.br/index.php/arteinclusao/article/view/21844 DOI: https://doi.org/10.5965/198431781822022128

Barbosa, A. M. (Ed.). (2014). Ensino da arte: memória e história. Editora Perspectiva.

Barcellos, V. C. (2004). O nervo óptico (Depoimento). In A. M. A. de Carvalho (Ed.). Espaço N.O Nervo Óptico (pp. 18–20). Funarte.

Bohns, N. (2019). Ninguém sobrevive incólume. In Icleia Borsa Cattani & Paulo Ramos (Eds.), Pintura périplo/odyssey painting (pp. 435–436). Editora da UFRGS.

Brasil. (1971). Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, e dá outras providências. https://www.scielo.br/j/reben/a/JQHzhXKqbSH7PYPNJDjnTTR/?lang=pt

Camnitzer, L. (2008). Didáctica de la liberación: arte conceptualista latinoamericano. Casa Editorial HUM.

Cañada, L. (2017). Las jornadas del color y de la forma: una experiencia artística colectiva en tiempos de terrorismo de Estado [Dissertação de mestrado, Universidad de Buenos Aires].

Cañada, L. (2024). Hacer del encuentro una condición de existencia: Experiencias colectivas entre arte y educación en Brasil, Argentina, Paraguay y Perú. Diferencia(s) – Revista de Teoría Social Contemporánea, 18, 121–143. https://www.revista.diferencias.com.ar/index.php/diferencias/article/view/330/229

Cattani, I. B. (2019). Pintura périplo. In Icleia Borsa Cattani & Paulo Ramos (Eds.), Pintura périplo/odyssey painting (pp. 45–178). Editora da UFRGS.

Danto, A. (2020). O que é a arte. Relicário Edições.

Dewey, J. (2010). Arte como experiência. Martins Fontes.

Diário Popular. (1983). Edição de 30 de junho de 1983.

Diniz, C. R. B. (1996). Nos descaminhos do imaginário: a tradição acadêmica nas artes plásticas de Pelotas [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul].

Dunn, C. (2016). Contracultura: Contracultura: alternative arts and social transformation in authoritarian Brazil. The University of North Carolina Press. DOI: https://doi.org/10.5149/northcarolina/9781469628516.001.0001

Fajardo-Hill, C. (2018). A invisibilidade das artistas latino-americanas: problematizando práticas da história da arte e da curadoria. In Cecilia Fajardo-Hill & Andrea Giunta (Eds.), Mulheres radicais: arte latino-americana, 1965–1980 (pp. 21–28). Pinacoteca de São Paulo.

Freitas, A. (2017). Festa no vazio: Performance e contracultura nos Encontros de Arte Moderna. Intermeios.

Freitas, A. (2022). Arte de guerrilha: vanguarda e conceitualismo no Brasil. Editora da Universidade de São Paulo.

Ginzburg, C. (1989). Mitos, emblemas e sinais: morfologia e história. Companhia das Letras.

Gogan, J. (2017). Frederico Morais, os Domingos da Criação e o museu-liberdade. In Jessica Gogan & Frederico Morais (Eds.), Domingos da criação: uma coleção poética do experimental em arte e educação (pp. 250–264). Instituto Mesa.

Gonçalves, D., Rocha, E., & Santos, T. B. dos. (2024). Sulear (verbo). In Eduardo Rocha & Tiago Bruno dos Santos (Eds.), Verbolário da caminhografia urbana (p. 297). Editora Caseira.

Gonçalves, M. H. (2017). Sobre ser professor-artista-etc e vice-versa, ou como construir escolas de arte. Revista Apotheke, 5(1), 28–39. https://www.revistas.udesc.br/index.php/apotheke/article/view/9489

Gonçalves, M. H. (2019). Antes que se vuelva pedagogía: a criação de escolas como prática artística [Tese de doutorado, Universidade Estadual de Santa Catarina].

Grupo Cerebelo. (1986). Cartaz de divulgação da Exposição Internacional de Arte Postal [Material não publicado]. Acervo de Lenir de Miranda.

Herbstrith, J. C. da R. (2025). Entre nós/zonas de tensão: arte contemporânea no Rio Grande do Sul, anos 1980/90 [Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul].

Malmacena, L. B. (2018). O eixo sul experimental: conceitualismo e contracultura nos cenários artísticos de Curitiba e Porto Alegre, anos 1970 [Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo]. https://carlospasquetti.com.br/publicacoes-e-pesquisas/malmaceda-l-b-o-eixo-sul-experimental-conceitualismos-e-contracultura-nos-cenarios-artisticos-de-curitiba-e-porto-alegre-anos-1970-dissertacao-2018/

Melendi, M. A. (2018). Para construir novas casas e desconstruir velhas metáforas de fundação.In Cecilia Fajardo-Hill & Andrea Giunta (Eds.), Mulheres radicais: arte latino-americana, 1965–1980 (pp. 229–238). Pinacoteca de São Paulo.

Miranda, L. de. (2007). Fanzine “Por viver nestes tempos, como traçar poéticas que não sejam conturbadas?” [Fanzine não publicado]. Acervo Lenir de Miranda.

Miranda, L. de. (2025, 5 de agosto). Correspondência virtual ao autor [Material não publicado].

Miyada, P. (Ed.). (2019). AI-5 50 anos: Ainda não terminou de acabar [Catálogo]. Instituto Tomie Ohtake.

Müller, A., & Iegelski, F. (2022). História do tempo presente: mutações e reflexões. In Angélica Müller & Francine Iegelski (Eds.),. História do tempo presente: Mutações e reflexões (pp. 11–28). FGV Editora.

Napolitano, M. (2023). Juventude e contracultura. Contexto.

Pequeno, F. (2018). Artes visuais no Rio de Janeiro em 1968: MAM, Arte no Aterro, Apocalipopótese, Lygia Pape. In 1968: Reflexos e Reflexões. Edições Sesc.

Ramalho, W. (2023). Sobre os limites do tempo: história do tempo presente, policromia e performatividade. História (São Paulo), 42, 1–22. https://doi.org/10.1590/1980-4369e2023036 DOI: https://doi.org/10.1590/1980-4369e2023036

Ramos, P. (2019). Cronodisseia de Lenir de Miranda: uma aprendiz de sinais. In Icleia Borsa Cattani & Paulo Ramos (Eds.), Pintura Périplo/Odyssey Painting (pp. 253–324). Editora da UFRGS.

Reilly, M. (2018). Curatorial activism: towards an ethics of curating. Thames & Hudson.

Revel, J. (1998). Jogos de escalas: a experiência da microanálise. Editora da FGV.

Rosenthal, D. (2011). Joseph Beuys: o elemento material como agente social. Ars, 9(18), 111–133. https://doi.org/10.1590/S1678-53202011000200008 DOI: https://doi.org/10.1590/S1678-53202011000200008

Sirtoli, G. S. (2022). Metodologias em arte e educação desenvolvidas no sul do Brasil: un Sur adelante [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Pelotas]. http://guaiaca.ufpel.edu.br/handle/prefix/8571

Teixeira, H. (2024). Rebeldes e marginais: cultura nos anos de chumbo (1960–1970). Bazar do Tempo.

Zielinsky, M. (1995). Cinco significados e representações. n Maria Lúcia Bastos Kern, Mônica Zielinsky, & Icleia Borsa Cattani (Eds.), Espaços do corpo: Aspectos das artes visuais no Rio Grande do Sul (1977/1985) (pp. 59–158). Editora da UFRGS.

Downloads

Publicado

2026-02-26

Edição

Seção

Dossiê Temático

Como Citar

Susin Sirtoli, G. (2026). Grupo Cerebelo: Experimentalismos poético-educativos em Pelotas (anos 1980). Imagem: Revista De História Da Arte, 8(1), e21303. https://doi.org/10.34024/xtfypm81
Recebido 2025-10-14
Aceito 2026-02-09
Publicado 2026-02-26