Fatores presentes na escolha de carreiras científicas por meninas periféricas: gênero e periferia em perspectiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34024/prometeica.2026.33.22140

Palavras-chave:

mulheres na ciência, escolha da carreira, periferia, adolescência

Resumo

Com o objetivo de contribuir para as pesquisas voltadas à inclusão de pessoas do gênero feminino em carreiras científicas, neste artigo buscamos responder à seguinte pergunta de investigação: quais são os marcadores de gênero e periferia presentes nas escolhas profissionais de meninas periféricas? Para tanto, apoiamo-nos em referenciais teóricos sobre gênero e periferia. Em seguida, realizamos uma pesquisa qualitativa em educação composta por duas etapas: a análise dos dados empíricos de ingressantes (2018-2023) dos cursos de Ciências-Licenciatura e Engenharia Química da Universidade Federal de São Paulo e, posteriormente, a realização de entrevistas presenciais semiestruturadas com oito discentes desses cursos, oriundas de regiões periféricas de São Paulo. Os resultados revelam que a escolha da carreira em ciências por adolescentes periféricas do gênero feminino está permeada por fatores como o longo tempo de deslocamento no transporte público, a dificuldade de conciliar os estudos com os afazeres domésticos (fator também associado a estereótipos de gênero), o desafio de suprir lacunas de aprendizagem decorrentes de suas trajetórias na educação básica e pelas vivências e atividades relacionadas às Ciências que realizaram ao longo da escolaridade.  Embora esteja presente na reflexão das participantes no momento da escolha do curso, o preconceito de gênero em áreas científicas não emerge como um limitador na decisão final. Conclui-se, ainda, que a articulação entre os marcadores de gênero e periferia durante o processo de escolha da carreira foi crucial para a construção identitária dessas adolescentes.

9 7

Biografia do Autor

  • Erika Pereira de Magalhães, Universidade Federal de São Paulo

    Graduada em Letras - Português e Inglês pela Universidade Bandeirante de São Paulo (2010), com bolsa integral pelo PROUNI. Pós-Graduação em Ensino de Língua Portuguesa e Literatura pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Mestra em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - Campus Diadema. Atualmente é assistente em administração na Universidade Federal de São Paulo.

  • José Alves da Silva, Universidade Federal de São Paulo

    Professor associado da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) - Campus Diadema. Foi coordenador do Programa de Pós Graduação em Ensino de Ciências e de Matemática (PECMA) da Unifesp-Diadema (2022-2025). Pesquisa adolescência no contexto escolar, aliando-a com a discussão crítica da pós-modernidade na educação, bem como as questões de estética e simetria no ensino de física. Atua com formação inicial e continuada de professores, tendo prestado consultorias para diferentes instituições. É membro da Rede Escola Pública e Universidade (REPU). É doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (2008), mestre em Ensino de Ciências - Modalidade Física pela Universidade de São Paulo (2002) e graduado em Licenciatura em Física pela Universidade de São Paulo (1998). Foi diretor-geral da DOT - Diretoria de Orientação Técnica da Secretaria Municipal de Educação da Cidade de São Paulo, consultor da Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico do Ministério da Educação e autor da coleção de livros didáticos de Física do Projeto Escola e Cidadania (Editora do Brasil) e professor das redes públicas municipal e estadual de São Paulo.

Referências

Brasil. Ministério da Educação. (2018). Base Nacional Comum Curricular. MEC. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/

Corrochano, M. C. (2023). Preparar para o trabalho? Qual trabalho? In A. P. Corti, F. Cássio, & S. Stoco (Org.), Escola pública: Práticas e pesquisas em educação (pp. 139–148). UFABC.

D’Andrea, T. (2020). Contribuições para a definição dos conceitos periferia e sujeitas e sujeitos periféricos. Novos Estudos, 39(1), 19–36. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002020000100019 DOI: https://doi.org/10.25091/S01013300202000010005

Davis, A. (2016). Mulheres, raça e classe. (H. R. Candiani, Trad.). Boitempo.

Dutra, J. N. (2007). Rap: Identidade local e resistência global (Dissertação de mestrado, Universidade Estadual Paulista, Instituto de Artes). Repositório Institucional Unesp. https://repositorio.unesp.br/entities/publication/1737592f-3a72-49f6-86a7-afdce2836d32

Erikson, E. (1976). Identidade, juventude e crise. Zahar.

Gonzalez, L. (2020). Por um feminismo afro-latino-americano: Ensaios, intervenções e diálogos (F. Rios; M. Lima, Org.). Zahar.

Herculano-Houzel. S (2016). O cérebro adolescente: a neurociência da criança à transformação em adulto. Nversos.

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. (2020). Tipologias de estrutura de classe no Brasil: Discussão teórica, proposta metodológica e implicações para as políticas públicas. Ipea. http://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/10252

Japiassu, H. (2001). A revolução científica moderna. Letras & Letras.

Lima, M. L. S. (2022). O adolescente da região periférica de São Paulo e os fatores que o levam a escolher a química como profissão (Dissertação de mestrado, Universidade Federal de São Paulo, Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas). Repositório Institucional UNIFESP. https://repositorio.unifesp.br/items/173c3d6f-5387-4bb3-9100-d1617

Pereira, A. C. A. (2005). O adolescente em desenvolvimento. Harbra.

Pinheiro, B. C. S. (2020). Descolonizando saberes: mulheres negras na ciência. Livraria da Física.

Santo André. Prefeitura Municipal. (2015). Panorama da pobreza em Santo André.

Schiebinger, L. (2001). O feminismo mudou a ciência? EDUSC. https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=4392726&forceview=1

Silva, J. A. (2023). Uma escola para adolescentes é possível? In A. P. Corti, F. Cássio, & S. Stoco (Orgs.), Escola pública: Práticas e pesquisas em educação (pp. 109–119). UFABC.

Silva, J. A. (2013). Formar professores na sociedade pós-industrial: As contribuições do conceito de projeto de vida e as especificidades da docência em ciências e matemática. In J. A. Silva & V. Kluth, Aproximações e distanciamentos no ensino de ciências e matemática: Questões de identidade da área no âmbito filosófico e institucional (pp. 69–92). Porto e Ideias.

Tanaka, G. (2006). Periferia: Conceito, práticas e discursos: Práticas sociais e processos urbanos na metrópole de São Paulo (Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo). Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP. https://doi.org/10.11606/D.16.2006.tde-26052010-133856 DOI: https://doi.org/10.11606/D.16.2006.tde-26052010-133856

Universidade Federal de São Paulo. (2014). UNIFESP campus Diadema: Apresentação. https://www.unifesp.br/campus/dia/institucional/apresentacaodia

Universidade Federal de São Paulo. (2023). Mulheres aumentam participação em cargos de direção na UNIFESP. https://unifesp.br/reitoria/proec/noticias-anteriores/item/6326-mulheres-aumentam-participacao-em-cargos-de-direcao-na-unifesp

Publicado

2026-05-18

Edição

Seção

Artigos - Dossiê 1
Recebido 2026-04-01
Aceito 2026-05-12
Publicado 2026-05-18

Como Citar

Pereira de Magalhães, E., & Alves da Silva, J. (2026). Fatores presentes na escolha de carreiras científicas por meninas periféricas: gênero e periferia em perspectiva. Prometeica - Revista De Filosofia E Ciências, 33, e22140 (1-16). https://doi.org/10.34024/prometeica.2026.33.22140