O Paradigma do Prion

Autores

  • Afonso Carlos Neves Neurologista. Coordenador do Núcleo de Estudos do Conhecimento (Necon) da Disciplina de Neurologia da Unifesp – EPM.

DOI:

https://doi.org/10.34024/rnc.2003.v11.8893

Palavras-chave:

Prion, paradigma científico, história da ciência, doença de Creutzfeldt-Jacob, encefalopatia espongiforme bovina

Resumo

A proposição de ser o prion uma “proteína infectante” em substituição à hipótese do “vírus lento” – agente causal de certas doenças do sistema nervoso (doença espongiforme bovina, doença de Creutzfeldt-Jacob, entre outras) causou grande polêmica no meio científico, por contrariar dogmas centrais da biologia. Entre a hipótese do prion, formulada por Prusiner em 1982 e a outorga do prêmio Nobel a esse autor, em 1997, ocorreu a epidemia da doença espongiforme bovina no gado do Reino Unido e o aparecimento de uma nova variante da doença de Creutzfeldt-Jacob em humanos, com fortes indícios de haver ligação entre esses dois quadros. Assim, a hipótese do prion trouxe um novo paradigma científico, inicialmente ligado a doenças raras, que ganhou reforço com o aparecimento dessas epidemias. Neste trabalho, discutese o transcorrer desses eventos à luz das considerações de Thomas Kuhn sobre as revoluções científicas.

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Publicado

2003-03-31

Como Citar

Neves, A. C. (2003). O Paradigma do Prion. Revista Neurociências, 11(1), 40–45. https://doi.org/10.34024/rnc.2003.v11.8893

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