Comentário Crítico Sobre Revisão Sistemática Baseado no Artigo:

Benzodiazepínicos e Drogas Relacionadas para Insônia no Cuidado Paliativo*

  • Fernando Rodrigues de Carvalho Cirurgião dentista, Doutorando, UNIFESP, São Paulo-SP, Brasil;
  • Débora Aparecida Lentini-Oliveira Cirurgião dentista, Doutorando, UNIFESP, São Paulo-SP, Brasil;
  • Marco Antonio Cardoso Machado Cirurgião dentista, Doutor, Setor Neuro-Sono, UNIFESP, São Paulo-SP, Brasil;
  • João Eduardo Coin de Carvalho Psicólogo, Doutor, Setor Neuro-Sono, UNIFESP, Professor da UNIP. São Paulo-SP, Brasil;
  • Márcia Regina Barros Historiadora, Doutora, FFLCH da USP, São Paulo-SP, Brasil;
  • Lucila Bizari Fernandes do Prado 5.Médica, Doutora, Diretora do Laboratório Neuro-Sono, UNIFESP, São Paulo-SP, Brasil
  • Luciane B Coin de de Carvalho Psicóloga, Doutora, Professora Afiliada, UNIFESP, São Paulo-SP, Brasil
  • Gilmar Fernandes do Prado Neurologista, Professor Livre-Docente da UNIFESP, chefe do setor Neuro-Sono da Disciplina de Neurologia, São Paulo-SP, Brasil
Palavras-chave: Revisão Sistemática, Metanálise, Insônia, Benzodiazepina

Resumo

Introdução. A quantidade de informação científica disponível é muito grande e crescente. As revisões sistemáticas (RS) auxiliam no processo de aproveitar essas informações na prática clínica. Uma RS pode agru­par os resultados dos estudos que a originaram por um método estatís­tico da metanálise. O objetivo foi discutir o conceito de RS a partir do artigo de Hirst & Sloan, sobre o uso de benzodiazepínicos para insônia em pacientes com doença crônica. Método. Foi realizada busca na Co­chrane Library; Medline; Embase; PsychInfo; segundo estratégia elabo­rada pelo “Cochrane Pain, Palliative Care And Supportive Care Group Search Strategy”. Resultados. Não foram encontrados ensaios clínicos sobre esse assunto. Conclusão. Não há como se recomendar qualquer intervenção para a insônia em pacientes “terminais” que seja indiscu­tivelmente qualificada. Resultados negativos como este não significam que a medicação não tem efeito. Pode-se dizer que não é possível saber se o efeito observado foi pela medicação, mas não foi possível demons­trá-lo. Comentário. Esta é ainda a mais frequente conclusão de Revisão Sistemática, ensejando sensação de descrédito e perda ao mesmo leitor que busca sua fortaleza na ciência. Neste artigo tentamos demons­trar que a RS é exatamente o mesmo produto de nossa ciência diária.

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Referências

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Publicado
2012-03-31
Como Citar
Carvalho, F. R. de, Lentini-Oliveira, D. A., Machado, M. A. C., Carvalho, J. E. C. de, Barros, M. R., Prado, L. B. F. do, de Carvalho, L. B. C. de, & Prado, G. F. do. (2012). Comentário Crítico Sobre Revisão Sistemática Baseado no Artigo:. Revista Neurociências, 20(1), 13-25. https://doi.org/10.4181/RNC.2011.IP.13
Seção
Artigos Originais