Complicações da Derivação Ventrículo-Peritoneal em Pacientes Pediátricos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34024/rnc.2021.v29.12128

Palavras-chave:

Derivação ventrículo-peritoneal, Hidrocefalia, Hidrocefalia congénita, Crianças, Neurocirurgia, Tratamento

Resumo

Introdução. A hidrocefalia é uma afecção caracterizada pelo excesso de líquido cefalorraquidiano e apresenta a derivação ventrículo-peritoneal (DVP) como uma das principais abordagens terapêuticas definitivas. Objetivo. Identificar as principais complicações deste procedimento. Método. Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo e quantitativo que analisou prontuários de 102 pacientes submetidos à cirurgia de derivação ventrículo-peritoneal para correção de hidrocefalia em um Hospital Pediátrico Terciário de Curitiba–PR, a fim de registrar as variáveis contidas no instrumento de pesquisa criado pelas pesquisadoras. Resultados. As etiologias de hidrocefalia mais incidentes foram neoplasia do sistema nervoso central, seguido da prematuridade e mielomeningocele. Grande parte dos pacientes apresentaram complicações após colocação de DVP (63%), e dentre as principais pode-se citar a disfunção valvular, infecção e hiponatremia, as quais condizem com os dados presentes na literatura. O tempo médio de internamento de aproximadamente 1 mês após a primeira DVP corresponde às informações reveladas na bibliografia utilizada. Apesar da maioria das crianças com alguma complicação precisar de troca do sistema valvular (54%) no presente estudo (taxa maior do que a encontrada nos demais trabalhos), o índice de óbito demonstrou-se menor do que o registrado em outros publicações. Conclusão. Conclui-se que embora a derivação ventrículo-peritoneal seja, na maioria das vezes, a escolha principal de tratamento da hidrocefalia, ela ainda é acompanhada de altas taxas de complicações.

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Publicado

2021-10-13

Como Citar

Muller da Cunha, M., Colecha, L. V., Rafagnin, L. G., Moraes, V. T. de, & Miyazaki, R. S. (2021). Complicações da Derivação Ventrículo-Peritoneal em Pacientes Pediátricos. Revista Neurociências, 29, 1–19. https://doi.org/10.34024/rnc.2021.v29.12128

Edição

Seção

Artigos Originais
Recebido em 2021-05-11
Aceito em 2021-09-08
Publicado em 2021-10-13