COMUNICAÇÃO NEUROIMUNOLÓGICA Comunicação neuroimunológica no desenvolvimento de doenças mentais

Palavras-chave: Doenças neurodegenerativas, neuroimunomodulação, doenças mentais

Resumo

Introdução. Atualmente, sabe-se que os mecanismos cerebrais como o desenvolvimento de memórias traumáticas, sofrem interferência do sistema imune e, portanto, são modulados por processos imunológicos. Nesta linha, estudos relatam o aumento ou a diminuição de mediadores inflamatórias em pessoas com déficits cognitivos ou distúrbios de humor como depressão. Objetivo. Explanar a influência do sistema imunológico na fisiologia do sistema nervoso central. Método. Revisão bibliográfica a partir de buscas em bancos de dados acadêmicos e dados epidemiológicos como SCIELO, SCIENCE DIRECT, PUBMED e DATASUS. A consulta foi realizada utilizando como palavras-chave: “doenças neurodegenerativas”, “doenças psicológicas”, “sistema imunológico” “neuroimunomodulação” e “mecanismos cerebrais”. Artigos na língua inglesa e portuguesa, publicados nos últimos 15 anos foram considerados. Resultados. Inúmeros estímulos provenientes do SNC são capazes de modular uma resposta imune e vice-versa. O eixo Hipotálamo-Pituitária Adrenal (HPA) é um dos responsáveis nessa troca de informação. Também participam desta relação alguns hormônios como: endorfinas, prostaglandina, tireotrofinas, hormônio do crescimento e o Sistema Nervoso Autônomo Simpático (SNAS). Além disso, a ativação do eixo HPA e a consequente produção dos hormônios glicocorticoides durante o processo de estresse são um dos principais mecanismos responsáveis pelas alterações da resposta imune corporal. Conclusão. Insere-se uma importante comunicação entre o sistema nervoso central e o sistema imune, mostrando que a neuroimunomodulação, entra hoje, com uma nova oportunidade terapêutica para o esquecimento de fatos traumáticos, distúrbios de humor e déficits cognitivos.

Referências

Louveau A, Smirnov I, Timothy JK, Eccles JD, Rouhani SJ, Peske JD, et al. Structural and functional features of central nervous system lymphatic vessels. Nature 2015;523:337-41. http://doi.org/10.1038/nature14432

Marques AH, Cizza G, Sternberg E. Interações imunocerebrais e implicações nos transtornos psiquiátricos. Braz J Psychiatr 2007;29:s27-32. http://doi.org/10.1590/S1516-44462007000500006

Falco AD, Cukierman DS, Hauser-Davis RA, Rey NA. Alzheimer's disease: etiological hypotheses and treatment perspectives. Quím Nova 2016;39:63-80. http://doi.org/10.5935/0100-4042.20150152

Tiwari PC, Pal R. The potential role of neuroinflammation and transcription factors in Parkinson disease. Dial Clin Neurosci 2017;19:71. http://doi.org/10.31887/DCNS.2017.19.1/rpal

Oliveira HM, Albuquerque PBD. Explanatory Mechanisms of False Memories in DRM Paradigm. Psicol Refl Crit 2015;28:554-64. http://doi.org/10.1590/1678-7153.201528314

Bauer M, Severus E, Möller HJ, Young AH. Pharmacological treatment of unipolar depressive disorders: summary of WFSBP guidelines. Int J Psychiatr Clin Pract 2017;21:166-76. http://doi.org/10.1080/13651501.2017.1306082

Sink KM, Holden KF, YAFFE K. Pharmacological treatment of neuropsychiatric symptoms of dementia: a review of the evidence. Jama 2005;293:596-608. http://doi.org/10.1001/jama.293.5.596

Alves GJ, Palermo-Neto J. Neuroimunomodulação: sobre o diálogo entre os sistemas nervoso e imune. Braz J Psychiatr 2007;29:4. http://doi.org/10.1590/S1516-44462006005000052

Medeiros AC, Maynard DDC. A influência intestinal no desenvolvimento de processos depressivos e o uso de probióticos como tratamento. Brasília (Monografia). Brasília: Centro Universitário de Brasília; 2019.

https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/prefix/13492/1/21605773.pdf

Vandewalle J, Luypaert A, Bosscher KD, Libert C. Therapeutic mechanisms of glucocorticoids. Trends Endocrinol Metab 2018;29:42-54. http://doi.org/10.1016/j.tem.2017.10.010

Machado APR, Carvalho IO, Rocha Sobrinho HM. Neuroinflamação na doença de Alzheimer. Rev Bras Mil Cienc 2020;6:30-8. http://doi.org/10.36414/rbmc.v6i14.33

Calcia MA, Bonsall D, Bloomfield P, Selvaraj S, Barichello Howes, OD. Stress and neuroinflammation: a systematic review of the effects of stress on microglia and the implications for mental illness. Psychopharmacol 2016;233:1637-50. http://doi.org/10.1007/s00213-016-4218-9

Pinho-Ribeiro FA, Jr Verri WA, Chiu IM. Nociceptores sensoriais neurônio-interação imunológica na dor e inflamação. Trends Immunol 2017;38:5-19. http://doi.org/10.1016/j.it.2016.10.001

Souza CACD, Sander PDT. Déficits variados após lesões neurológicas bacterianas ou virais: implicações clínicas, periciais e psicossociais. Psychi Onl Bras 2003;8. http://www.polbr.med.br/ano03/artigo1103_b.php

Zhang QS, Heng Y, Yuan YH, Chen NH. Pathological α-synuclein exacerbates the progression of Parkinson’s disease through microglial activation. Toxicol Lett 2017;265:30-7. http://doi.org/10.1016/j.toxlet.2016.11.002

Quevedo J, Feier G, Agostinho FR, Martins MR, Roesler R. Memory consolidation and post traumatic stress disorder. Rev Bras Psiquiatr 2003;25:25-30. http://doi.org/10.1590/S1516-44462003000500007

Hodes GE, Kana V, Menard C, Merad M, Russo SJ. Neuroimmune mechanisms of depression. Nat Neurosci 2015;18:1386-93. http://doi.org/10.1038/nn.4113

Gold SM, Irwin MR. Depression and immunity: inflammation and depressive symptoms in multiple sclerosis. Immunol Allergy Clin North Am 2009;29:309-20. http://doi.org/10.1016/j.iac.2009.02.008

Christian L. Effects of stress and depression on inflammatory immune parameters in pregnancy. Am J Obstet Gynecol 2014;211:275-7. http://doi.org/10.1016/j.ajog.2014.06.042

Gonçalves M. Microbiota: Implicações na imunidade e no metabolismo (Dissertação). Lisboa: Universidade Fernando Pessoa, 2014. https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/4516/1/PPG_21951.pdf

Nesi GA, Franco MR, Capel LMM. A disbiose da microbiota intestinal, sua associação no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas e seus possíveis tratamentos. Brazil J Develop 2020;6:63306-26. http://doi.org/10.34117/bjdv6n8-677

Silvestre C. O diálogo entre o cérebro e o intestino – Qual o papel dos probióticos? (Dissertação) Lisboa: Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, 2015. https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/26287/1/CarinaRFSilvestre.pdf

Itzhaki RF, Lathe R, Balin BJ, Ball M, Portador E, Braak H, et al. Microbes and Alzheimer’s disease. J Alzheimers Dis 2016;51:979. http://doi.org/10.3233/JAD-160152

Barreiros A, David J. Estresse oxidativo: relação entre gerações de espécies reativas e defesa do organismo. Quím Nova 2006;29:113-23. http://doi.org/10.1590/S0100-40422006000100021

Radulovic J, Jovasevic V, Meyer MAA. Neurobiological mechanisms of state-dependent learning. Curr Opin Neurobiol 2017;45:92-8. http://doi.org/10.1016/j.conb.2017.05.013

Publicado
2021-03-04
Como Citar
Peixoto, L. C., Brito, V. de A., Galvão, R. K. S., & Melgarejo da Rosa, M. (2021). COMUNICAÇÃO NEUROIMUNOLÓGICA Comunicação neuroimunológica no desenvolvimento de doenças mentais. Revista Neurociências, 29, 1-15. https://doi.org/10.34024/rnc.2021.v29.11181
Seção
Artigos de Revisão