Do assalto ao céu ao estado exterminista

  • Renato Franco Professor livre docente (aposentado) da Faculdade de Ciências e Letras, da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), Araraquara, e Professor voluntário da mesma instituição. Criador e coordenador do GEP Teoria Crítica: tecnologia, cultura e formação na Unesp.
Palavras-chave: Olgária Matos, 1968, França e Brasil, Movimento estudantil: 1968, Política e terror, Revolução e terror, Estado exterminista, Literatura brasileira em 1968

Resumo

Este pequeno ensaio – escrito com o intuito de homenagear a filósofa Olgária Matos – parte de considerações sobre as relações casualmente estabelecidas pelo autor com a referida homenageada (I); em seguida, após destacar a importância dos livros escritos por ela, analisa uma passagem de A escola de Frankfurt: Luzes e sombras do Iluminismo apontando nela um conjunto de questões que apareceria também tanto em um livro anterior escrito em 1981 – Paris 1968: As Barricadas do desejo – quanto em outro posterior intitulado Advinhas do tempo: êxtase e revolução, publicado em 2008. Após a identificação e a análise do referido conjunto de questões, que implica também a determinação da originalidade do movimento estudantil ocorrido em maio de 1968 na França (II) o foco da análise se desloca para o 1968 brasileiro a fim de se identificar sua especificidade. Nesse movimento, são analisados – em contraposição à análise de “Os Amantes Constantes” de Phillipe Garrel levada a cabo pela referida autora – três romances brasileiros publicados em 1967-68 (III). Finalmente, os romances examinados permitem a identificação tanto da permanência da lógica política do ódio, do ressentimento e da lógica política amigo-inimigo no Brasil quanto a gênese de um Estado exterminista no país, caracterizado em seguida em seus principais traços (IV).

Referências

ARANTES, Paulo E. “1964”. In: O novo tempo do mundo, São Paulo: Editora Boitempo, 2014.
ARRIGUCI Jr, Davi. “Jornal, realismo, alegoria: o romance brasileiro recente”. In: Achados e Perdidos. São Paulo: Ed. Polis, 1979.
BENJAMIN, Walter. Rua de mão única. Belo Horizonte: Ed Autêntica, 2013.
BRANDÃO, Ignácio L.; Bebel que a cidade comeu. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1968.
CALLADO, Antonio. Quarup. 8.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense, 1978.
CANDIDO, Antônio. “Literatura e subdesenvolvimento”. In: A Educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ed Ática, 1987.
______. “A nova narrativa”. In: A Educação pela noite. São Paulo: Ed. Ática, 1987.
CALVEIRO, Pilar. Política y/o violência. Buenos Aires: Ed. SigloVeintiuno, 2013.
CONY, Carlos H. Pessach: A travessia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
FRANCO, Renato. Itinerário político do romance pós-64: A Festa. São Paulo: Ed Unesp, 1998.
HOBSBAWM, Eric. A Era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
MATOS, Olgária. Paris 1968. As barricadas do desejo. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1981.
______. Advinhas do tempo: êxtase e revolução. São Paulo: Ed Hucitec, 2008.
______. A Escola de Frankfurt – Luzes e sombras do iluminismo. São Paulo: Ed Moderna, 1993
SCHWARTZ, Roberto. Pressupostos, salvo engano, da dialética da malandragem. In: Que Horas São? São Paulo: Cia das Letras, 1987.
______. “Cultura e Política no Brasil: 1964-1969”. In: O Pai de família e outros estudos, São Paulo, Editora Paz e Terra, 1977.
VIRILIO, Paul e LOTRINGER, Sylvére. Guerra Pura: a militarização do cotidiano. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1984.
Publicado
2018-12-20
Como Citar
Franco, R. (2018). Do assalto ao céu ao estado exterminista. Revista Limiar, 5(10), 110-127. Recuperado de https://periodicos.unifesp.br/index.php/limiar/article/view/9493