Nietzsche e a sua leitura ambígua sobre O nascimento da tragédia

  • Victor Hugo Mazia Mestre pela Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Palavras-chave: ambiguidade, metafísica, romantismo, moral, vir-a-ser

Resumo

sabe-se que, em 1886, Nietzsche escreve novos prefácios aos seus antigos livros, avaliando e repensando as suas próprias ideias. Os livros que recebem novos prefácios são: O Nascimento da tragédia; Humano, demasiado humano (livro I e II); Aurora; A Gaia Ciência. Este artigo tem como objetivo central apresentar, com base no prefácio Tentativa de autocrítica (1886), a ambiguidade de O nascimento da tragédia (1872). A nosso ver, Nietzsche mostra, em seu tardio prefácio, como O nascimento da tragédia se posiciona para a superação da metafísica, mas como o livro parece, ao mesmo tempo, dar continuidade a mesma. Portanto, a metafísica de artista, conceito basilar de O nascimento da tragédia, romperia com a interpretação moral da existência, promovendo, a partir do vir-a-ser, uma justificação estética do mundo, mas, simultaneamente, ela também parece ser uma continuação da tradição metafísica tão criticada, tornando-se ambígua.

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Publicado
2019-03-24
Como Citar
Mazia, V. H. (2019). Nietzsche e a sua leitura ambígua sobre O nascimento da tragédia. Revista Limiar, 4(8), 41-69. https://doi.org/10.34024/limiar.2017.v4.9198