Reversões da liberdade em servidão Claude Lefort, leitor de La Boétie

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Paul Zawadzky

Resumo

Com Miguel Abensour, Claude Lefort faz parte dos raros teóricos da política que reconhecem a importância do Discurso da servidão voluntária como um clássico dotado de uma verdadeira potência de inteligibilidade e propõe uma leitura rigorosa da obra em 1977. Segue igualmente seus traços em Camille Desmoulins, Constant, Guizot, Michelet, Quinet... Orwell, mas se dedica sobretudo a submetê-la à prova da experiência histórica. Em primeiro lugar, para contribuir em tornar inteligível o fenômeno totalitário. Visto que o totalitarismo surgiu – segundo Lefort – de uma reversão da democracia, La Boétie é igualmente solicitado para pensar as instituições da própria democracia. A contemporaneidade do enigma explorado por La Boétie se deve ao risco da reversão da liberdade em servidão, que opera sobre o longo percurso da modernidade democrática e conduz especialmente à interrogação sobre os paradoxos dinâmicos das fugas para fora da liberdade, das quais se beneficiam os autoritarismos populistas contemporâneos.

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Como Citar
ZAWADZKY, P. Reversões da liberdade em servidão: Claude Lefort, leitor de La Boétie. EXILIUM Revista de Estudos da Contemporaneidade, [S. l.], v. 1, n. 2, p. 141–165, 2021. DOI: 10.34024/exilium.v1i2.12222. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/index.php/exilium/article/view/12222. Acesso em: 21 set. 2021.
Seção
Crítica da Contemporaneidade
Biografia do Autor

Paul Zawadzky, Universidade de Paris

Professor de Ciências Sociais e Filosofia Política na Universidade de Paris 1 - Panthéon Sorbonne e pesquisador do  Groupe Sociétés, Religions, Laïcités do CNRS.

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