“Atos clandestinos” de resistência

a ornamentação dos altares e capelas do Rosário dos Pretos

Autores

  • Luciana Braga Giovannini Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

DOI:

https://doi.org/10.34024/n1mhm880

Palavras-chave:

Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. Iconografia religiosa. Resistência simbólica.

Resumo

Com o propósito de compreender as representações artísticas que decoram os altares e templos erguidos pelas Irmandades de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, o artigo analisa os procedimentos adotados pelas comunidades africanas e afrodescendentes envolvidas na experiência da escravidão angariar os recursos necessários à contratação dos artífices responsáveis pelos programas decorativos, as escolhas temáticas e as apropriações e interpretações dos cânones iconográficos europeus de Nossa Senhora do Rosário. Para tanto, examinados os Livros de Compromissos das irmandades religiosas, o Libelo Cível envolvendo Manuel da Costa Ataíde e a Confraria do Rosário dos Pretos de Mariana, fragmentos documentais provenientes da Capitania de Minas Gerais, o repertório iconográfico difundido pelas gravuras e as obras de arte que ornamentam os templos mineiros e portugueses. Concluímos que as composições dos altares e as pinturas representaram um “ato clandestino de insurgência” – pacífico e não violento – contra a opressão do ambiente colonial.

Biografia do Autor

  • Luciana Braga Giovannini, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

    Pós-doutoranda em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com Estágio de Pesquisa no Instituto de História da Arte (ARTIS) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL). O projeto de pesquisa de pós-doutorado tem sido realizado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Doutora em História, com pesquisa em História da Arte e Estágio de Pesquisa em Portugal, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em História pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com pesquisa em História da Arte. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Possui graduação em História pelo Centro Universitário Cidade Verde (UniCV). Participa do grupo de pesquisa Perspectiva Pictorum (UFMG). Participa como pesquisadora colaboradora no Projeto de pesquisa "Pinturas do Arraial do Tijuco e do Serro Frio: revendo atribuições", coordenado pela Profa. Maria Claudia Almeida Orlando Magnani da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Atua principalmente nas seguintes áreas: história da arte, arte colonial mineira, pintura colonial mineira, pintura de forro em perspectiva ilusionista, iconologia e iconografia.

Referências

Alves, C. M. (1997). Artistas e Irmãos: o Fazer Artístico no Ciclo do Ouro Mineiro. [Dissertação de Mestrado não publicada]. Universidade de São Paulo.

Boschi, C. (1986). Os leigos e o Poder: Irmandades Leigas e Política Colonizadora em Minas Gerais. Ática.

Delfino, L. (2013). Senhora das Conquistas e das Missões: origens da devoção da Virgem do Rosário como santa Mãe protetora dos pretos no Ultramar. Revista ARS Histórica, 6, 107-127.

https://revistas.ufrj.br/index.php/ars/article/view/45262

Didi-Huberman, G. (2017). Introdução. In G. Didi-Huberman (Org.), Levantes (pp.13-21). Edições Sesc.

Didi-Huberman, G. (2018). Imagens e sons como forma de luta. SESC São Paulo. Tradução de Edgard de Assis Caravalho e Mariza Perassi Bosco.

https://portal.sescsp.org.br/online/artigo/12580_IMAGENS+E+SONS+COMO+FORMA+DE+LUTA+ENSAIO+DE+GEORGES+DIDIHUBERMAN

Fonseca, J. (2016). Religião e liberdade: os negros nas Irmandades e Confrarias portuguesas (séculos XV a XIX). Húmus.

Giovannini, L. B. (2022). A construção de cúpulas imaginárias na capitania de Minas Gerais: a pintura de perspectiva e a expressão de uma concepção religiosa (1725-1800). [Tese de Doutorado, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais]. Repositório Aberto da Universidade Federal de Minas Gerais.

https://repositorio.ufmg.br/items/427390b9-8b69-4cd2-98ff-9273aecd35ce

Giovannini, L. B. (2024). Reconciliação e Resistência: a iconografia da pintura da Capela de Santa Efigênia de Ouro Preto, c. 1765. In E. A. Melo & P. Urias (Orgs.), VI Conferência de Pesquisas Interdisciplinares em História da Arte, Arquitetura e Patrimônio Mariana (pp. 95-132). Editora Fi.

https://www.editorafi.org/ebook/c016-vi-conferencia

Giovannini, L.B. (2025). Os templos do Rosário dos Homens Pretos: territórios demarcados de resistência. Revista Patrimônio e Memória, 21, 1-26.

https://pem.assis.unesp.br/index.php/pem/issue/view/165

Magnani, M. C. A. O. (2024). José Soares de Araújo: a grande decoração barroca em Diamantina no século XVIII. Enredars.

Gomes, F., Lauriano, J., & Schwarcz, L. M. (2021). Enciclopédia negra: biografias afro-brasileiras. Companhia das Letras.

Malgouyres, P. (2017). Au fil des perles, la prière comptée. Somogy.

Oliveira, M., & Campos, A. (2010). Barroco e Rococó nas igrejas de Ouro Preto e Mariana. IPHAN.

Palestra de Georges Didi-Huberman abre em São Paulo a exposição Levantes. Revista de Fotografia Zum.

https://revistazum.com.br/noticias/exposicao-levantes/

Reginaldo, L. (2011). O Rosário dos Angolas: irmandades de africanos e crioulos na Bahia Setecentista. Alameda.

Rupe, A. de. (1847). O Saltério de Jesus e Maria: gênese, história e revelação do Santíssimo Rosário (reimpressão; obra originalmente publicada em 1470). Forum Cornelli.

Santa Maria, F. A. de. (1723). Santuário Mariano e História das imagens milagrosas de Nossa Senhora e das milagrosamente aparecidas, que se veneram em todo o Bispado do Rio de Janeiro, e Minas, e em todas as Ilhas do Oceano [tomo décimo]. Oficina de Antonio Pedroso Galram.

Santos, Y. L. dos. (2017). História da África e do Brasil afrodescendente. Pallas.

Scarano, J. (1978). Devoção e escravidão: a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos no Distrito Diamantino no século XVIII. Nacional.

Souza, M. de M. (2002). Catolicismo negro no Brasil: santos e minkisi, uma reflexão sobre a miscigenação cultural. Afro-Ásia, 28, 125-146. https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/view/21046

Trindade, J. B. (2019). Iconografia em Suspeição: a destituição de S. Gregório Magno na decoração da Igreja de Santa Efigênia do Alto da Cruz, em Ouro Preto. In XIV Encontro de História da Arte (Anais, pp. 56-80). Unicamp. https://econtents.sbu.unicamp.br/eventos/index.php/eha/article/view/3312

Vail, A. (1998). A história do Rosário. Loyola.

Vide, S. M. da. (1853). Constituições primeiras do Arcebispado da Bahia (obra originalmente publicada em 1707). Typographia 2 de dezembro.

Downloads

Publicado

2026-01-13

Como Citar

Giovaninni, L. (2026). “Atos clandestinos” de resistência: a ornamentação dos altares e capelas do Rosário dos Pretos. Imagem: Revista De História Da Arte, 7(2), 244-276. https://doi.org/10.34024/n1mhm880
Recebido 2025-10-19
Aceito 2025-12-10
Publicado 2026-01-13