Funções editoriais, paratextos e circulação do conhecimento nos primeiros periódicos científicos: a história editorial do relato de Valentin Stansel sobre o cometa de 1668
DOI:
https://doi.org/10.34024/fontes.2025.v12.21053Palavras-chave:
Periódicos científicos, Paratextos na Época Moderna, Valentin StanselResumo
Este artigo tem como ponto de partida uma reavaliação da trajetória do relato de Valentin Stansel sobre o cometa de 1668, produzido na Bahia e mencionado por Newton nos Principia. A narrativa consagrada, segundo a qual Stansel teria enviado um artigo ao editor do Giornale de’ Letterati de Roma, por sua vez lido e traduzido por Huygens para as Philosophical Transactions de Londres, não tem respaldo documental. Valendo-se do pretexto de revisitar essa narrativa, este artigo empreende uma ampla análise dos paratextos nos três periódicos científicos fundadores do gênero, entre aproximadamente 1665 e 1674. O exame evidencia a necessidade de reconhecer o valor paratextual de manifestações que vão muito além de elementos formais consagrados, como títulos e prefácios, e ressalta como, no caso dos periódicos, teias complexas de paratextos se formam, uns apontando para outros. Indicamos como, sobre essa paratextualidade generalizada, emerge, funcionalmente, a figura do editor como regulador da credibilidade, da autoridade e de trocas na economia política do conhecimento científico da Época Moderna.
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