Diplomacia em tempos de ruptura: Alberto da Costa e Silva e a Revolução dos Cravos (1974)
DOI:
https://doi.org/10.34024/fontes.2026.v13.21020Palavras-chave:
Diplomacia brasileira, Revolução dos Cravos, Descolonização africanaResumo
O presente texto analisa e transcreve a carta de Alberto da Costa e Silva a Mario Gibson Barboza, escrita em 4 de maio de 1974, poucos dias após a Revolução dos Cravos em Portugal. A correspondência, longe de um documento oficial, combina relato testemunhal e reflexão diplomática, oferecendo um panorama privilegiado da queda do regime de Marcelo Caetano e de seus possíveis desdobramentos para a política ultramarina portuguesa e para a posição do Brasil diante da descolonização africana. Ao descrever a atmosfera em Lisboa e projetar os desafios do general António de Spínola, Costa e Silva evidencia tanto a fragilidade do salazarismo derrotado quanto a incerteza do processo de transição, apontando para a centralidade da questão colonial africana na legitimação do novo governo. A análise desse documento permite compreender a atuação de diplomatas brasileiros como observadores diretos de conjunturas críticas, bem como ilumina o papel do Itamaraty, durante a ditadura militar, na formulação de uma política africana que transitava entre pragmatismo e solidariedade estratégica.
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Referências
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