Paratextos cartográficos: enquadramento, escalas e cartuchos nos mapas das terras do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.34024/fontes.2025.v12.21010Palavras-chave:
cópia de mapas, paratextos cartográficos, Paratextos na Época ModernaResumo
Tendo como fio condutor o enquadramento adotado em mapas produzidos, impressos e copiados em diferentes cidades da Europa, direcionados de forma que o Oeste está no alto e uma linha reta marca os limites do mapa e das terras do Brasil, este artigo explora as relações existentes entre cópias de mapas e paratextualidade. Nos mapas estudados, elementos paracartográficos, como enquadramento, escalas, ilustrações e cartuchos permitem compreender os objetos em seu contexto de produção e de reprodução e os sentidos que lhe são atribuídos. A análise tem início com o mapa de Giacomo Gastaldi, de 1556, e se conclui com a cópia de um mapa inserido na obra de João José de Santa Tereza, sobre a retomada de Pernambuco pelos portugueses, de 1698.
Downloads
Referências
ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas. Reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
BAUER, Ralph; MARROQUÍN ARREDONDO, Jaime. “1519: Conquista, Tradução e Descoberta na Ciência Moderna”. In: KALIL, Luís Guilherme Assis; FERNANDES, Luiz Estevam de Oliveira (orgs.). 1519 Circulação, conquistas e conexões na Primeira Modernidade. Jundiaí: Paco Editorial, 2021, pp. 67-96.
BLICK, Sarah. “Exceptions to Krautheimer’s Theory of Copying”. Visual Resources: An International Journal of Documentation, 20:2-3 (2011), pp. 123-142. Disponível em: https://doi.org/10.1080/0197376042000207525. Acesso em 20 de dezembro de 2025.
BOON, Marcus. In Praise of Copying. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2013.
BUCHOTTE. Les regles du dessein et du lavis, Pour les Plans particuliers des Ouvrages & de Bâtiments, & pour leurs Coupes, Profils, Elévations & Façades, tant de l´Architecture militaire que civile. Paris: Chez Charles-Antoine Jombert, 1754.
CANFORA, Luciano. Il copista come autore. Palermo: Sallerio Editore, 2002.
CHICANGANA-BAYONA, Yobenj Aucardo. Imagens de canibais e selvagens do Novo Mundo. Do maravilhoso medieval ao exótico colonial séculos XV-XVII). Trad. Marcia Aguiar Coelho. São Paulo: Editora Unicamp, 2017.
CLARKE, G. N. G. “Taking possession: the cartouche as cultural text in eighteenth-century American maps.” Word & Image: A Journal of Verbal/Visual Enquiry, 4 (1988), pp. 455-474.
COMPAGNON, Antoine. La seconde main ou Le travail de la citation. [1979]. Paris: Seuil, 2016.
COSGROVE, Denis. "Introduction: Mapping Meaning". In: COSGROVE, Denis (ed.) Mappings. London: Reaktion Books, 2002, pp. 1-23.
DAINVILLE, François. Le langage des géographes. Termes, Signes, Couleurs des Cartes Anciennes 1500-1800. Paris: Editions A. et J. Picard & Cie., 1964.
“Discorso d'un gran capitano di mare francese del luogo di Dieppa sopra le navigazioni fatte all Terra Nuova dell'Indie occidentali, chiamata la Nuova Francia, da gradi 40 fino a gradi 47 sotto il polo artico, e sopra la terra del Brasil, Guinea, isola di San Lorenzo e quella di Summatra, fino alle quali hanno navigato le caravelle e navi francese”. In: RAMUSIO, Giovanni Battista. Navigazioni e Viaggi. A cura di Marica Milanesi. Einaudi Editore, vol. 6, 1988, pp. 911-926.
DORÉ, Andréa. Cartografia da promessa: Potosi e o Brasil em um continente chamado Peruana. São Paulo: Intermeios, 2020.
DORÉ, Andréa. “Dos estreitos de Malaca ao estreito de Magalhães: a viagem de Magalhães-Elcano na perspectiva asiática”. In: ASSIS KALIL, Luís Guilherme; OLIVEIRA FERNANDES, Luiz Estevam (orgs.) 1519: circulação, conquistas e conexões na Primeira Modernidade. Jundiaí: Paco Editorial, 2021, pp. 97-127.
DORÉ, Andréa. “Antes de existir o Brasil. Planisfério de Cantino, 1502”. In: DORÉ, Andréa; FURTADO, Junia (orgs.). História do Brasil em 25 mapas. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, pp. 18-32.
DORÉ, Andréa. “Contiguidade e insularidade. Descrição de todo o Estado do Brasil, João Teixeira Albernaz I, c. 1626”. In: DORÉ, Andréa; FURTADO, Junia (orgs.). História do Brasil em 25 mapas. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, pp. 33-47.
DORÉ, Andréa. “La traducción de una ciudad: copias de Suaquem en la cartografia manuscrita portuguesa del Mar Rojo”. Espacio, Tiempo y Forma. Serie IV Historia Moderna (2022), pp. 157-180. Disponível em: https://doi.org//10.5944/etfiv.35.2022.34630. Acesso em 20 de dezembro de 2025.
DORÉ, Andréa. “La traversée de l'intérieur de l'Amérique du Sud: insularité, contiguïté et circulation”. In: BÉNAT-TACHOT, Louise; JACQUELARD, Clotilde; ONETTO, Mauricio (eds.). Lectures géopolitiques de la transversalité américaine: rôles et problématiques des passages aux XVIe et XVIIe siècles. Paris: Sorbonne Lettres, Le Manuscrit, 2022, pp. 327-355.
DORÉ, Andréa; ARAÚJO, André de Melo; HADDAD, Thomás A. S.; LIMA, Verônica Calsoni; LIMA, Luís Filipe Silvério. “Paratextos e Paratextualidade na Época Moderna: Limiares, Funções e Transformações”. In: Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 33, 2025, pp. 1-35. Disponível em: https://doi.org/10.11606/1982-02672025v33e43. Acesso em 13 de janeiro de 2026.
DURO, Paul. "Introduction". In: DURO, Paul (ed.). The Retoric of the Frame. Essays on the Boundaires of the Artwork. Cambridge: Cambridge University Press, 1996.
DYM, Jordana; LOIS, Carla. “Bound images: maps, books, and reading in material and digital contexts”. Word & Image, 37, 2, (2021), pp. 119-141. DOI: 10.1080/02666286.2020.1801262.
EDNEY, Matthew. Cartography. The Ideal and its history. Chicago and London: University of Chicago Press, 2019.
GANDAVO, Pero de Magalhães. História da Província Santa Cruz [1576]. Org. Ricardo Martins Valle. Introdução e notas: Clara C. Souza Santos e Ricardo Martins Valle. São Paulo: Hedra, 2008.
GAUTIER, Henri. L’art de laver ou Nouvelle maniere de peindre sur le papier. A Lyon: Chez Thomas Amaulry, 1687.
GENETTE, Gérard. Paratextos editoriais. Trad. Álvaro Faleiros. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2009.
GIACOMELLI, Lisetta; SCANDONE, Roberto. “La fortuna dei dati sbagliati. Le eruzioni dei vulcani italiani rappresentate su mappe e affreschi”. [2022]. Disponível em: https://ingvvulcani.com/2022/07/18/la-fortuna-dei-dati-sbagliati/. Acesso em 20 de dezembro de 2025.
GRAFTON, Anthony. Inky fingers. The making of books in early modern Europe. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 2020.
GRANDE, Stefano. La carte d’America di Giacomo Gastaldi. Contributo a la storia dela cartografia del secolo XVI. Torino: Carlo Clausen, 1905.
GROESEN, Michiel van. Amsterdam's Atlantic. Print Culture and the Making of Dutch Brazil. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2017.
HARLEY, John Brian. “The Map and the Development of the History of Cartography”. In: HARLEY, John Brian; WOODWARD, David (eds.). The History of Cartography, Vol. 1. Cartography in Prehistoric, Ancient, and Medieval Europe and the Mediterranean. Chicago: University of Chicago Press, 1987, pp. 1-42.
JACOB, Christian. L’empire des cartes. Approche théorique de la cartographi à travers l’histoire. Paris: Albin Michel, 1992.
JEANNERET, Michel. “Chantiers de la Renaissance. Les variations de l’imprimé au XVI siècle”. Genesis, 6, (1944).
KANTOR, Iris. “Usos diplomáticos da ilha-Brasil: polêmicas cartográficas e historiográficas”. Varia Historia, 23, 37 (2007), pp. 70-80.
MACLEAN, Marie. “Pretexts and paratexts: the art of the peripheral”. New Library History, 22 (1991), pp. 273-279.
MELLO, José Antônio Gonsalves de. “A istória de Frei Santa Teresa”. Estudos Universitários, Recife, 6, 3 (1966), pp. 27-37.
MILMAN, Miriam. "Une tentative de définition du trompe-l'oeil". In: CARLIER, Sylvie; GAVOILLE, Aurélie (sous la direction de.). Le trompe l'oeil. De 1520 à nos jours. Paris: 2024, pp. 28-63.
MONTANUS, Arnoldus. America being the latest, and most accurate description of the New World... Collected from most Authentick Authors, Augmented with later Observations, and Adorn'd with Maps and Sculptures by John Ogilby. London: Printed by the Author, and are to be had at his house in White Fryers, 1671.
NIETO OLARTE, Mauricio. Las máquinas del império y el reino de Dios. Bogotá: Universidad de los Andes, 2013.
NUTI, Lucia. “The World Map as an Emblem: Abraham Ortelius and the Stoic Contemplation”. Imago Mundi, 55 (2010), pp. 38-55.
OKUNEVA, Olga. “Ensaio sobre o mapa “Brasil” de G. Gastaldi pertencente ao Dele navigationi e viaggi de G. B. Ramusio”. Terra Brasilis (Nova Série), 2 (2013), pp. 1-17.
SALVADOR, Frei Vicente de. História do Brasil 1500-1627 [1627]. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1982.
SANTA TERESA, João José de. Istoria delle guerre del Regno del Brasile accadute tra la corona di Portogallo, e la Republica di Olanda. Roma: nella stamperia degl'Eredi del Corbelletti, 1698.
SCHAIK, Anne-Rieke; VANNIEUWENHUYZE, Bram. “On the Threshold of an Old Map: A Paracartographic Approach to Joost Jansz Bilhamer’s Caerte van Noorthollant”. The Rijks Museum Bulletin, 71, 3 (2023).
STORMS, Martjn. “The siege of Bahia… or was it Sluis? Fake news from Brazil”. In: VAN GROESEN, Michiel et al. (eds.). Maps that Made History. 1000 Years of World History in 100 Maps. Leiden: Univesiteit Leiden; Lannoo, 2022.
SUTTON, Elizabeth A. Capitalism and Cartography. In the Dutch Golden Age. Chicago and London: The University of Chicago Press, 2015.
TATSCH, Flavia Galli; GOMES, René Lommez. “De selvagens canibais a pacíficos comerciantes: a invenção da iconografia dos ameríndios na Europa renascente, 1492-1555”. In: CAÑIZARES-ESGUERRA, Jorge; FERNANDES, Luiz Estevam de Oliveira; MARTINS, Maria Cristina Bohn (orgs.). As Américas na Primeira Modernidade (1492-1750). Vol. 3. Vitória: Editora Milfontes, 2020, pp. 313-400.
VAN DUZER, Chet. Frames that Speak. Cartouches on Early Modern Maps. Leiden: Brill, 2023.
VAN DUZER, Chet. Martin Waldseemueller’s “Carta Marina” of 1516. Study and Transcription of the Long Legends. SprinOpen, 2020.
WOOD, Denis; FELS, John. The Natures of Maps: Cartographic Constructions of the Natural World. Chicago: The University of Chicago Press, 2008.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Andréa Doré

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Revista de Fontes está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.





