O que os historiadores podem aprender com Edward Said?

Conteúdo do artigo principal

Fernando Cauduro Pureza
Bárbara Ribeiro Arruda

Resumo

O presente artigo pretende demonstrar alguns aspectos nos quais o campo da historiografia pode se beneficiar de maior diálogo com a obra do crítico literário palestino Edward Said. Tendo como principal referência o livro O orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente (1996), o que se pretende aqui é demonstrar como, na estrutura da obra, há uma série de concepções que exigem que o historiador reflita sobre os limites da sua disciplina. Para isso, apresentam-se três eixos reflexivos: as concepções teóricas desenvolvidas por Edward Said, o seu impacto na historiografia e, por fim, como as mudanças recentes no campo historiográfico abrem para novas interpretações acerca do legado saidiano.

Detalhes do artigo

Seção

Oriente e Ocidente

Biografia do Autor

Fernando Cauduro Pureza, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Professor do Departamento de Práticas Educacionais e Currículo do Centro de Educação da UFRN (2023). Professor do Programa de Pós-Graduação em Ensino de História da UFPB (2020) e professor do Programa de Pós-Graduação em História da UFPB (2021). Doutor em História pela UFRGS (2016). Mestre (2009), Bacharel (2009) e Licenciado (2005) em História pela UFRGS. Tem experiência na área de História Social do Trabalho, percorrendo temas de Historia e Literatura, História Pública e Ensino de História. É um dos coordenadores do Grupo de Pesquisa e Estudos em História do Trabalho (GEPEHTO) na Universidade Federal da Paraíba. Atualmente desenvolve pesquisas no campo da História da Ásia e é coordenador do grupo Observatório da Ásia (OASIA) na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publicou o livro "História da Ásia" pela Editora Contexto (2023).

Bárbara Ribeiro Arruda, Universidade Federal da Paraíba

Possui graduação de Licenciatura em História (2017-2021) pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Paraíba, Brasil. Mestrado completo em História pela Universidade Federal de Campina Grande (2021-2023). Atualmente, cursando doutorado em História com bolsa (CAPES) pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Autoria do livro "D. Pedro II e o Conde de Gobineau (1869-1876): análise dos relatos de viagem e as faces do Orientalismo no século XIX" (2024). Experiência na área de História Política e Social, no que abrange História Moderna e Contemporânea do Brasil e suas relações diplomáticas com o Oriente Médio, em especial, guerra árabe-israelense. Foca nas abordagens do Orientalismo, culturas e identidades nas perspectivas do neocolonialismo europeu e estadunidense. Atualmente, é membra do Conselho Editorial da Birosca do Meroveu; palestrante, coordenadora e membra do Observatório de Estudos Asiáticos vinculado ao curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); e membra do Núcleo de Pesquisa Interdisciplinar em Estudos Curdos (NUPIEC), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Direito da PUC-Minas.

Como Citar

O que os historiadores podem aprender com Edward Said?. EXILIUM Revista de Estudos da Contemporaneidade, [S. l.], v. 6, n. 11, p. 8–25, 2025. DOI: 10.34024/f9y8y380. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/exilium/article/view/21634. Acesso em: 24 set. 2026.

##plugins.generic.shariff.share##

Referências

Ahmad, A. (2002). Linhagens do presente: ensaios. Boitempo.

Arantes, P. (2014). O novo tempo do mundo. Boitempo.

Asad, T. (1973). Two European images of non-European rule. Economy and Society, 2(3), 263–277.

Bernal, M. (1987). Black Athena: The afroasiatic roots of classical civilization. Volume 1: The fabrication of Ancient Greece 1785-1985. Rutgers University Press.

Bhabha, H. (1998). O local da cultura. Editora UFMG.

Canetitieri, S. (2022). A crítica do presentismo historiográfico a partir da concepção de “tempo curto” em Marc Bloch. Revista de Teoria da História, 3(7), 1–17.

Chakrabarty, D. (2000). Provincializing Europe. Princeton University Press.

Chatterjee, P. (2004). Colonialismo, modernidade e política. Ed. UFBA.

Chesneaux, J. (1995). As armadilhas do quadripartismo histórico. In J. Chesneaux (Org.), Por uma história mundial (pp. 30—36). Instituto Piaget.

Daher, J. (2024, 1º abril). Orientalism, imperialism and the Western coverage of Palestine. Al Jazeera Media Institute. https://institute.aljazeera.net/en/ajr/article/2619

Foucault, M. (1999). Vigiar e punir: nascimento da prisão (R. Ramalhete, Trad., 20ª ed.). Vozes.

Goody, J. (2008). O roubo da História: como os europeus se apropriaram das ideias e invenções do Oriente. Contexto.

Gramsci, A. (2001). Caderno 12 (1932): Apontamentos e notas dispersas para um grupo de ensaios sobre a história dos intelectuais. In A. Gramsci, Cadernos do cárcere. Volume 2: Os intelectuais. O princípio educativo. Jornalismo (C. N. Coutinho, Ed. e Trad., L. S. Henriques & M. A. Nogueira, Co-eds., 2ª ed., pp. 13–54). Civilização Brasileira.

Harootunian, H. (2012). “Memories of underdevelopment” after area studies. Positions: East Asia Cultures Critique, 20(1), 7–35.

Hartog, F. (2011). Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo. Autêntica.

Hobbs, S. (2021). Why the phrase “Arab Spring” should be retired. Cairo Review of Global Affairs. https://www.thecairoreview.com/essays/why-the-phrase-arab-spring-should-be-retired/

Hobsbawm, E. (2011). Tempos fraturados: cultura e sociedade no século XX (2ª ed.). Companhia das Letras.

Hourani, A. (2000). Uma história dos povos árabes. Companhia das Letras.

Irwin, R. (2006). Pelo amor ao saber. Record.

Koselleck, R. (2006). Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Contraponto.

Lênin, V. I. (2011). O imperialismo: etapa superior do capitalismo. Unicamp.

Lewis, B. (2004). A crise do Islã: Guerra santa e terror profano. Jorge Zahar.

Mackenzie, J. (1994). Edward Said and the historians. Nineteenth-Century Contexts: An Interdisciplinary Journal, 18(1), 9–25.

Mamdani, M. (2020). Neither settler, nor native: The making and unmaking of permanent minorities. The Belknap Press of Harvard University.

Memmi, A. (2007). Retrato do colonizado precedido pelo retrato do colonizador. Civilização Brasileira.

Mignolo, W. (2007). La idea de América Latina: La herida colonial y la opción decolonial. Biblioteca Iberoamericana de Pensamiento.

Murphy, B. (22 maio 2018). Bernard Lewis, o historiador que ressuscitou o “choque de civilizações”, morreu aos 101 anos. O Público. https://www.publico.pt/2018/05/22/mundo/noticia/bernard-lewis-eminente-historiador-do-medio-oriente-morre-aos-101-anos-1831207

Parry, B. (1993). A critique mishandled. Social Text, (35), 121–133.

Pureza, F. (2023). História da Ásia. Contexto.

Ramzy, R. (2006). Historiography as a means of power: ‘Otherization’ and imperialism through the writings of Edward Said. In S. Nagy-Zekmi (Ed.), Paradoxical citizenship: Edward Said. Lexington Books.

Said, E. (1996). Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. Companhia das Letras.

Said, E. (2011). Cultura e imperialismo. Companhia das Letras.

Santos, M. (2001). Território e sociedade: entrevista com Milton Santos. Fundação Perseu Abramo.

Todorov, T. (2003). A conquista da América: a questão do outro (B. P. Moi, Trad., 2ª ed.). Martins Fontes.

Turin, R. Presentismo, neoliberalismo e os fins da história. In A. Avila, F. F. Nicolazzi & R. Turin (Orgs.), A história (in)disciplinada: teoria, ensino e difusão de conhecimento histórico (pp. 245–271). Milfontes.

Vukovich, D. (2013). China and Orientalism: Western knowledge production and the P. R .C. Routledge.