Retorno, ruína e redenção Aimé Césaire e o "tempo-agora" messiânico

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Amani Zoghbi

Resumo

Este ensaio propõe uma leitura de Diário de um retorno ao país natal (2012 [1939]), de Aimé Césaire, como elaboração poética de uma temporalidade disjuntiva que desafia a linearidade do historicismo colonial. Ao tensionar ruína e redenção, o poema engendra uma experiência temporal fragmentária e insurgente, marcada pela oralidade, pelo surrealismo e pela afirmação da negritude como prática política. Em diálogo com a filosofia da história de Walter Benjamin, especialmente com sua noção de tempo-agora (Jetztzeit) messiânico (1985 [1940]), bem como com as considerações de Frantz Fanon sobre a alienação colonial (2008 [1952], 1968 [1961]) e de Édouard Glissant (1990) sobre o direito à opacidade, argumentamos que Césaire pensa a interrupção da narrativa progressiva da modernidade colonial ao convocar a memória de mártires como centelhas de insurreição. Ao entrecruzar o tempo linear da história oficial com lampejos de uma historicidade redentora, Césaire oferece não apenas uma chave de interpretação de sua época, mas também uma reflexão crítica fundamental para o nosso presente, no qual as continuidades da violência colonial reafirmam a urgência de pensar a rememoração como exercício político. 

Detalhes do artigo

Seção

Crítica da Contemporaneidade

Biografia do Autor

Amani Zoghbi, Universidade Estadual de Campinas

Mestranda em Linguística pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual Paulista (Unicamp). Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) (Processo: 24/10883-1). Integrante do grupo de pesquisa PsiPoliS (Psicanálise, Política e Significante). 

Como Citar

Retorno, ruína e redenção: Aimé Césaire e o "tempo-agora" messiânico. EXILIUM Revista de Estudos da Contemporaneidade, [S. l.], v. 6, n. 11, p. 53–63, 2025. DOI: 10.34024/4ptgf881. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/exilium/article/view/21216. Acesso em: 24 set. 2026.

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