Tecendo parentesco e palestinidade nos contextos íntimos da vivência familiar
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Neste artigo, analiso certas cenas etnográficas que me conduziram a refletir sobre as relações entre palestinidade e parentesco, dando especial atenção para aqueles momentos em que o parentesco é vivenciado, exemplificado, performado. Optei por registrar não as “estruturas” e “formas” que o parentesco assume, mas sim as maneiras como as pessoas se relacionam, uma vez que o registro dos modos através dos quais os membros de uma família estabelecem vínculos entre si constitui a descrição de modos mais ou menos coesos e superpostos de relacionalidade. Ao analisar as relações instituídas entre os membros de uma família, minha intenção é explorar como a palestinidade é corporificada entre diferentes gerações nos contextos íntimos da vivência familiar. Dessa forma, as experiências em torno da “casa” e dos “objetos” surgem como centrais. Minha intenção é demonstrar como a palestinidade, entendida como o esforço (ético) por fazer parte de uma comunidade imaginada composta por palestinos e palestinas de tempos e lugares distintos, é dependente de certos repertórios ético-políticos aprendidos nos espaços de intimidade (a família, por exemplo). Em outras palavras, a participação nas comunidades imaginadas depende da coexistência com diversas formas de intimidade cultural.
Detalhes do artigo
Seção

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de publicação, sob a licença Creative Commons-NonCommercial-NoDerivs Attribution 2.0 Generic.
Os autores se responsabilizam pelo teor do texto, considerando que a revista adota ferramentas de verificação anti-plágio e segue as diretrizes éticas do Committee on Publication Ethics (COPE), do Code of Ethics American Educational Research Association (AERA), do Código de Boas Práticas Científicas – FAPESP e do Council of Science Editors (CSE) em relação a publicação.
Em caso de artigo traduzido ou em outros idiomas, entrar em contato com os editores responsáveis para evitar conflitos de política de direitos autorais relativa à publicação do material.
Como Citar
##plugins.generic.shariff.share##
Referências
Anderson, B. (1993). Comunidades imaginadas: reflexiones sobre el origen y la difusión del nacionalismo. Fondo de Cultura Económica.
Biehl, J.; Niebuhr, F. (2021). OIKOGRAPHY: ethnographies of house-ing in critical times. Cultural Anthropology, 36(2), 539–547.
Caramuru Teles, B. (2023). “La resistência palestina es mujer y está furiosa”: palestinidades em diáspora a partir dos marcadores sociais de diferença: um olhar interseccional [Tese de doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina].
Caramuru Teles, B.; Othman, H. M. M. (2025). Etnografias das experiências de pessoas palestinas em deslocamento. Campos – Revista de Antropologia, 26(1), 9–16.
Carsten, J. (2000). (Org.). Cultures of relatedness: new approaches to the study of kinship. Cambridge University Press.
Carsten, J. (2004). After kinship. Cambridge University Press.
Carsten, J.; Hugh-Jones, S. (Eds.) (1995). About the house: Lévi-Strauss and beyond. Cambridge University Press.
Corrêa, P. A. R. (2024). Tradição, cotidiano e soberania: produções da palestinidade entre uma família de Sapucaia do Sul/RS [Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina].
Corrêa. P. A. R. (2025). Ressonâncias da palestinidade entre os espaços de intimidade: a “casa” e a “causa” e os modelos exemplares. Campos – Revista de Antropologia, 26(1), 92–114.
Darwish, M. (2020). Da presença da ausência. Editora Tabla.
Herzfeld, M. (2005). Cultural intimacy: social poetics in the Nation-State (2ª ed.). Routledge.
Jardim, D. F. (2000). Palestinos no extremo sul do Brasil: identidade étnica e os mecanismos sociais de produção da etnicidade. Chuí/RS [Tese de doutorado, Universidade Federal do Rio de Janeiro].
MacIntyre, A. (2021). Depois da virtude: um estudo sobre teoria moral. Vide Editorial.
Marques, A. C. D. R., & Leal, N. S. (Orgs.) (2018). Alquimias do parentesco: casas, gentes, papéis, territórios. Gamma; Terceiro Nome.
Masalha, N. (2021). Expulsão dos palestinos: o conceito de transferência no pensamento político sionista 1882-1948. Editora Sundermann.
Napolitano, V. (2014). Anthropology and traces. Anthropological Theory, 15(1), 47–67.
Navaro-Yashin, Y. (2009). Affective spaces, melancholic objects: ruination and the production of anthropological knowledge. Journal of Royal Anthropological Institute, 15(1), 1–18.
Oliveira, R. G. (2015). Selah Al Museka: uma etnografia das produções e práticas musicais palestinas [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Paraná].
Pappé, I. (2017). A limpeza étnica da Palestina. Editora Sundermann.
Peters, R. (2006). Imigrantes palestinos, famílias árabes: um estudo antropológico sobre a recriação das tradições através das festas e rituais de casamento [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul].
Reinhardt, B. (2020). Desagregando a mediação: tecnologias e atmosferas religiosas. Mana, 26(2), 1–33.
Said, E. (2011). A questão palestina. Editora Unesp.
Schiocchet, L. (2020). Social belonging process and social organization among arab forced migrants: theoretical-methodological contributions. Venia Docendi für Kultur-und Sozialanthropologie, Fakultät für Sozialwissenschaften, Universität Wien.
Schneider, D. M. (1984). A critique of the study of kinship. The University of Michigan Press.
Seremetakis, N. (1994). The memory of the senses, part I: marks of the transitory. In N. Seremetakis (Ed.), The senses still: perception and memory as material culture in modernity (pp. 1–18). Routledge.
Smith, D. (2000). Moral geographies: ethics in a world of difference. Edinburgh University Press.