Turismo em território extrativista: Um estudo na comunidade São Francisco do Rio Iratapuru (AP)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34024/nyb6ka71

Palavras-chave:

Unidade de conservação. Comunidade tradicional. Laranjal do Jari.

Resumo

A comunidade de São Francisco do Iratapuru, localizada no estado do Amapá no município de Laranjal do Jari, tem sua trajetória marcada por iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável, com destaque para a criação da Cooperativa Mista dos Produtores e Extrativistas do Rio Iratapuru (COMARU) e a implementação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Iratapuru. Essas ações impulsionaram a valorização de produtos extrativistas e promoveram melhorias socioeconômicas, especialmente após a parceria com a empresa de cosméticos Natura. No entanto, a construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio do Jari provocou significativos impactos sociais e territoriais, exigindo da comunidade esforços de resiliência e reorganização. Este estudo teve como objetivo analisar a percepção dos moradores da comunidade São Francisco do Iratapuru, acerca das potencialidades, benefícios e entraves relacionados ao desenvolvimento do turismo sustentável como estratégia de promoção do desenvolvimento local. Por meio da Análise de Conteúdo, foram identificadas categorias temáticas que evidenciam o predomínio da dimensão econômica nas representações sociais dos participantes, com destaque para aspectos como geração de renda, criação de empregos e fortalecimento da economia comunitária. Além dos ganhos materiais, a pesquisa revelou a valorização de benefícios intangíveis, tais como acesso ao conhecimento, preservação ambiental e promoção da identidade cultural. Tais achados dialogam com os pressupostos de um turismo voltado à sustentabilidade e ao empoderamento das comunidades locais. Contudo, foram apontados obstáculos significativos, como a ausência de incentivos governamentais, baixa articulação institucional, escassez de projetos estruturados, dificuldades de acesso físico à localidade e frágil mobilização comunitária. A expressiva parcela de moradores que desconhece iniciativas relacionadas ao turismo sinaliza falhas nos processos de comunicação e de inclusão social, comprometendo o engajamento efetivo da população. No tocante às modalidades turísticas consideradas viáveis, destacam-se o ecoturismo, o turismo cultural, de aventura e de eventos. Conclui-se que a comunidade apresenta elevada receptividade à implementação do turismo sustentável, compreendido como vetor de transformação socioeconômica. No entanto, a concretização desse potencial requer planejamento participativo, capacitação contínua dos moradores e atuação colaborativa entre poder público, instituições de ensino e organizações da sociedade civil, a fim de assegurar um processo de desenvolvimento ético, inclusivo e ambientalmente responsável.

Biografia do Autor

  • Cleiciane Nascimento Marques, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá - IFAP

    Possui graduação em Tecnologia em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal do Amapá (2020). Possui especialização em agroextrativismo e desenvolvimento regional pelo Instituto Federal do Amapá. Atualmente atua como analista executiva - Fundo Iratapuru. Tem experiência na área de Ciências Ambientais, com ênfase em Ciências Ambientais; Turismo e Secretariado Executivo.

  • Nubia Deborah Araujo Caramello, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá - IFAP

    Pós-doutoranda no Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável - UNIOESTE com instância investigada junto ao Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território na Universidade de Coimbra, na linha Turismo e Sustentabilidade. Professora Adjunta no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Amapá -IFAP (atuando no ensino médio, graduação, especialização Lato e Stritco Sensu - Mestrado de Educação Profissional e Tecnológica-ProfEPT), cursos FICs profissionalizantes e (via cooperação técnica) no Mestrado Profissional em rede Nacional em Gestão e Regulação dos Recursos Hídricos - ProfÁgua Polo Ji-Paraná/RO, na Universidade Federal de Rondônia. Coordenadora no Amapá de projetos aprovados na Iniciativa Amazônia + 10 (2022 e 2024) junto a pesquisadores da UFSCAR, UNIOESTE e UNIR e Projetos de fomentos financiado pela Fundação Iratapuru. Integra O Núcleo Temático de Estudos Aplicados à questões hídricas do Bioma Amazônia (NUTEA Águas da Amazônia). Coordena projetos de pesquisa, ensino e extensão na Bacia Hidrográfica do Rio Jari - Fronteira com Suriname e Guiana Francesa e na Bacia Hidrográfica do Rio Guaporé, nas linhas de qualidade hídrica, governança por comunidades tradicionais, mudanças climáticas, bioeconomia, turismo e ODSs. Realizou o doutorado pleno em Geografia, na Universidade Autônoma de Barcelona - UAB/Cataluña (Bolsista CAPES) reconhecido e validado pela Universidade Federal do Ceará. Mestrado e Graduação em Geografia, e em Pedagogia através da Universidade Federal de Rondônia - UNIR. Especialista em Processamento das Informações Geográficas na Gestão Ambiental, em Metodologia do Ensino Profissional e Tecnológico (IFAP), e em Gestão Pública (IFAM). Integrante como pesquisadora nos grupos de pesquisa: Aigua, Territori i Sostenibilitat GRATS (UAB/Cataluña); Dinâmica e Gestão de Rios (Geomorphos/UFRJ), Resiliência Climática RIPERC. e idealizadora do Grupo Experiemental de Pesquisa Diálogo Hídrico Multidisciplinar (motivando a pesquisa dentro e fora dos territórios universitários.

  • Frederico Yuri Hanai, Universidade Federal de São Carlos

    É docente do Departamento de Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) do campus São Carlos-SP, no Curso de Bacharelado em Gestão e Análise Ambiental e nos Cursos de Mestrado e de Doutorado (credenciado como orientador permanente) no Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais da UFSCar. Possui pós-doutorado pelo Instituto de Ciências e Tecnologias Ambientais da Universidade Autônoma de Barcelona, Espanha (ICTA/UAB) e pós-doutorado pelo Centro de Recursos Hídricos e Estudos Ambientais (CRHEA) da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC/USP), é Doutor em Ciências da Engenharia Ambiental, Mestre em Hidráulica e Saneamento, Especialista em Educação Ambiental e Recursos Hídricos, Engenheiro pela Universidade de São Paulo (EESC/USP) e Especialista em Ecoturismo, Educação e Interpretação Ambiental pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). Atua no ensino de graduação e pós-graduação, em projetos de extensão universitária e desenvolve pesquisas científicas nas áreas de Gestão da Água, Gestão de Bacias Hidrográficas, Sensibilização e Comunicação Ambiental, Sustentabilidade, Turismo e Desenvolvimento Local. Participa do Grupo de Pesquisa SUSTENTA (Sustentabilidade e Gestão Ambiental), no qual é líder e do Grupo de Pesquisa GEOTUR (Geografia, Espaço e Turismo)

  • Irene Carniatto, Universidade do Oeste do Paraná

     É Bolsista de Produtividade para Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT) do CNPq (Ministério da Educação do Brasil). Pós-doutora em Educação com foco em Internacionalização e Redes Internacionais de Pesquisa, pela Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT (concluído em 2021). Doutora em Ciências Florestais, Conservação e Planejamento Integrado de Bacias e Recursos Hídricos pela UFPR (2007). Coordenadora da Câmara Temática de Educação Ambiental Climática do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (no FBMC-2017-atual). Coordenadora da Resilience Climate International Research Network RIPERC (2019-atual). Editora-chefe do International Journal of Environmental Resilience Research and Science - IJERRS (2019-atual). É pesquisadora e docente de Pós-Graduação de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Rural Sustentável, do Programa de Pós-Graduação em Administração, e docente Curso de Ciências Biológicas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná desde 1993, no Campus Cascavel -Paraná. Coordenadora do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Proteção e Desastres da UNIOESTE- CEPED UNIOESTE (2014-atual). Parceira no Programa Formação de Educadores Ambientais FEA com Itaipu desde 2004; Participa da Comissão Estadual de Educação Ambiental (CIEA) no Governo do Estado do Paraná. Membro da Câmara Técnica de Urbanismo do Conselho de Desenvolvimento de Cascavel; Participou como Membro do Conselho Gestor de Educação Ambiental do Governo do Estado do Paraná; Participa como facilitadora da Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA), da Rede de Educação Ambiental da Região Sul (REASUL) e da Rede Paranaense de Educação Ambiental (REA-PR). 

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Publicado

03.02.2026

Como Citar

MARQUES, Cleiciane Nascimento; CARAMELLO, Nubia Deborah Araujo; HANAI, Frederico Yuri; CARNIATTO, Irene. Turismo em território extrativista: Um estudo na comunidade São Francisco do Rio Iratapuru (AP). Revista Brasileira de Ecoturismo (RBEcotur), [S. l.], v. 19, n. 1, 2026. DOI: 10.34024/nyb6ka71. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/ecoturismo/article/view/20682. Acesso em: 16 out. 2026.
Recebido 14.08.2025
Aceito 10.12.2025
Publicado 03.02.2026