Espasticidade

aspectos neurofisiológicos e musculares no tratamento com toxina botulínica do tipo A

Autores

  • Júlio César de Andrade Chinelato Fisioterapeuta, Pós-graduando em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pela Universidade do Oeste de Santa Catarina - UNOESC; Pósgraduando em Osteopatia pela Escola de Osteopatia de Madri-EOM , Pato Branco-PR, Brasil.
  • Adriane Mazola de Araújo Perpétuo Fisioterapeuta, Mestre em educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Docente titular do curso de Fisioterapia da Faculdade de Pato Branco – FADEP, Pato Branco-PR, Brasil
  • Eddy Krueger Beck Fisioterapeuta, Mestrando em Engenharia Biomédica pela UTFPR campus Curitiba-PR; Bolsista CAPES, Pato Branco-PR, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.4181/RNC.2010.ip03.06p

Palavras-chave:

Espasticidade, Toxina Botulínica Tipo A, Reabilitação

Resumo

O distúrbio de maior frequencia das desordens do neurônio motor superior é a espasticidade, caracterizada por uma hiperexcitabilidade dos reflexos miotáticos e cutâneos que fomentam o tônus muscular (hipertonia espástica). O propósito deste estudo foi fazer um levantamento literário analisando os aspectos neurofisiológicos e musculares possivelmente envolvidos na espasticidade e como a Toxina Botulínica do tipo A (TBA) age no controle e redução da espasticidade. Os resultados encontrados na literatura demonstram claramente melhora no tônus muscular de pacientes submetidos ao uso da TBA. Os testes que combinam a TBA e Fisioterapia, prevaleceram aos grupos de controle que foram somente submetidos à Fisioterapia ou a aplicação de TBA isolados. Ademais, estudos recentes sugerem a presença da TBA em circuitos do sistema nervoso central, provavelmente conduzida via fluxo axoplasmático retrogrado e transcitose. Os mecanismos envolvidos na espasticidade são ainda pouco compreendidos e os efeitos da TBA a longo prazo em humanos ainda não são bem conhecidos. Por este motivo, novas pesquisas deverão ser realizadas a fim de verificar a viabilidade e segurança de tratamentos empregando esta substância de efeito letal em seres humanos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Machado A. Neuroanatomia Funcional. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2006, 363p.

Cohen H. Neurociências para Fisioterapeutas: incluindo Correlações Clínicas. 2. ed. São Paulo: Manole, 2001, 494p.

Bobath B. Hemiplegia em adultos. 3. ed. São Paulo: Manole, 2001, 212p.

Corrêa FI, Soares F, Andrade DV, Gondo RM, Peres JA, Fernandes AO, Corrêa JC. Atividade muscular durante a marcha após acidente vascular encefálico. Arq Neuropsiquiatr 2005;63:847-51.

Camargos ANR, Fontes PLB, Gontijo EG, Araújo FM, Cota K. Fisioterapia associada à toxina botulínica na diplegia espástica: um relato de caso. Fisioter Mov 2007;20:17-24.

Lampropulos M, Puigdevall M. Toxina Botulínica Em Parálisis Infantil. Rev Arg. Neurocienc 2004;18(S2):23.

Kumagai NY, Zonta MB. Espasticidade – Tratamento. Fisioterp Mov 1998;10:123-7.

Lianza S, Pavan K, Lourenço AF, Fonseca AP, Leitão AV, Musse CAI, et al. Projeto Diretrizes Diagnóstico e Tratamento da Espasticidade. Vol 1, cap

Brasil: Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. (Endereço na Internet). São Paulo: Claúdio Gomes (última atualização: 09/2007; citado em: 05/2008). Disponível em: www.projetodiretrizes.org.br

Ozcakir S, Sivrioglu K. Botulinum Toxin in Poststroke Spasticity. CM&R 2007;5:132-8.

Coddy FWJ, Richardson HC, Mac Dermott N, Ferguson IT. Stretch and vibration reflexes of wirst flexor muscles in spasticity. Brain 1987;110:433-50. http://dx.doi.org/10.1093/brain/110.2.433

Gay S, Egon G. Spasticité. Physiothérapie, mesures préventives et traitements Prophylactic management and treatment. Annfar 2005;24:663-6.

Lianza S, Pavan K, Lourenço AF, Fonseca AP, Leitão AV, Musse CAI, et al. Consenso Nacional Sobre Espasticidade: Diretrizes para Diagnóstico e Tratamento. Brasil: Sociedade Brasileira de Medicina Física e de Reabilitação (Endereço na Internet). São Paulo: Claúdio Gomes (última atualização: 06/2003; citado em: 04/2008). Disponível em: http://spmfr.org.br/Download/Consenso.pdf.

Fowler EG, Ho TW, Nwigwe AI, Dorey FJ. The Effect of Quadriceps Femoris Muscle Strengthening Exercises on Spasticity in Children With Cerebral Palsy. Physic Therp 2001;81:1215-23.

Alibiglou L, Rymer WZ, Harvey RL, Mirbagheri MM. The relation between Ashworth scores and neuromechanical measurements of spasticity following stroke. J Neuroengrehab 2008;5:1-14.

Cramer SC. Spasticity After Stroke: What’s the Catch? Stroke 2004;35:139-40. http://dx.doi.org/10.1161/01.STR.0000105387.38892.98

Lee JK, Kim JE, Sivula M, Strittmatter SM. Nogo Receptor Antagonism Promotes Stroke Recovery by Enhancing Axonal Plasticity. J Neuroscienc 2004;27:6209-17. http://dx.doi.org/10.1523/JNEUROSCI.1643-04.2004

Sposito MMM. Toxina botulínica tipo A - propriedades farmacológicas e uso clínico. Act Fis 2004;4:8-43.

Biering S, Nielsen JB, Klinge K. Spasticity-assessment: a review. Spinal Cord 2005;44:708-22. http://dx.doi.org/10.1038/sj.sc.3101928

Sun SF, Hsu CW, Hwang CW, HSU PT, Wang JL, Yang CL. Application of Combined Botulinum Toxin Type A and Modified ConstraintInduced Movement Therapy for an Individual With Chronic Upper-Extremity Spasticity After Stroke. Physic Therp 2006;86:1387-97. http://dx.doi.org/10.2522/ptj.20050262

Ekman LL. Neurociência: Fundamentos para a Reabilitação. 2. ed. Elsevier LTDA: Rio de Janeiro, 2004, 532p.

Heffran MP, Kucharova K, Kinjo K, Kakinohana O, Sekerkova G, Nakamura S, et al. Spinal Astrocyte Glutamate Receptor 1 Overexpression after Ischemic Insult Facilitates Behavioral Signs of Spasticity and Rigidity. J Neuroscienc 2007;27:11179-91. http://dx.doi.org/10.1523/JNEUROSCI.0989-07.2007

Manganotti P, Amelio E. Long-Term Effect of Shock Wave Therapy on Upper Limb Hypertonia in Patients Affected by Stroke. Stroke 2005;36:1967-71. http://dx.doi.org/10.1161/01.STR.0000177880.06663.5c

Watkins CA. Mechanical and Neurophysiological Changes in Spastic Muscles: Serial casting in spastic equinovarus following traumatic brain injury. Physic Therp 1999;85:603-9.

Mirbagheri MM, Settle K, Harvey R, Rymer WZ. Neuromuscular Abnormalities Associated With Spasticity of Upper Extremity Muscles in Hemiparetic Stroke. J Neurophysiol 2007;98:629-37. http://dx.doi.org/10.1152/jn.00049.2007

Fride NJ, Lieber RL. Spastic Muscle Cells are Shorter and Stiffer than Normal Cells. Musc Nerv 2003;26:157-64. http://dx.doi.org/10.1002/mus.10247

Diário Oficial Imprensa Nacional. Brasil: República Federativa do Brasil. (Endereço na Internet). Brasília: José Carvalho de Noronha (última atualização: 05/2008; citado em: 04/2008). Disponível em: htttp://ftpsaude.sp.gov.br/ftpsessp/bibliote/informe_eletronico/2007/iels.set.07/iels175/U_CPSAS3_130907.pdf.

Xie J, Wu EQ, Zheng ZJ, Croft JB, Greenlund KJ, Mensah GA, et al. Impact of Stroke on Health-Related Quality of Life in the Noninstitutionalized Population in the United States. Stroke 2006;37:2567-72. http://dx.doi.org/10.1161/01.STR.0000240506.34616.10

LeBrasseur NK, Sayers SP, Ouellette MM, Fielding RA. Muscle Impairments and Behavioral Factors Mediate Functional Limitations and Disability Following Stroke. Physic Therp 2006;86:1342-50. http://dx.doi.org/10.2522/ptj.20050162

Kumar RTS, Pandyan AD, Sharma AK. Biomechanical measurement of post-stroke spasticity. Ageing 2006;35: 371-5.

Teive HAG, Zonta M, Kumagai Y. Tratamento da espasticidade: uma atualização. Arq Neuropsiquiatr 1998;56: 852-8. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-282X1998000500025

Gelber DA, Jozefczyk PB. Therapeutics in the Management of Spasticity. Neurorehab Neural Repair 1999;13:5-14. http://dx.doi.org/10.1177/154596839901300103

Oliviero A, Rubio-Esteban M, Foffani G, Aguilar J, Lopez-Dolado E, Arzoz-Lezaun T, et al. Effects of baclofen on temperature perception in humans. Neuro Res 2007;59:89-92.

Armutlu K, Meric A, Kirdi N, Yakut E, Karabudak R. The Effect of Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation on Spasticity in Multiple Sclerosis Patients: A Pilot Study. Neurorehab Neural Repair 2003;17:79-82. http://dx.doi.org/10.1177/0888439003017002001

Lee SU, Bang MS, Han TR. Effect of cold air therapy in relieving spasticity: applied to spinalized Rabbits. Spinal Cord 2002;40:167-73. http://dx.doi.org/10.1038/sj.sc.3101279

Cardoso E, Pedreira G, Prazeres A, Ribeiro N, Melo A. Does toxin botulinum improve the function of the patient with spasticity after stroke. Arq Neuropsiquiatr 2007;65:592-5. http://dx.doi.org/10.1590/S0004282X2007000400008

Chae J, Yang G, Park BK, Labatia I. Muscle Weakness and Cocontraction in Upper Limb Hemiparesis: Relationship to Motor Impairment and Physical Disability. Neurorehab Neural Repair 2002;16:241-8. http://dx.doi.org/10.1177/154596802401105180 http://dx.doi.org/10.1177/154596830201600303

Segura DCA, Adamchuk CC, Nascimento FC, Moraes NV. A utilização da toxina botulínica associada a fisioterapia para o controle da espasticida-de. Arq Cienc Saúde Unipar 2005;9:217-22.

Simpson DM, Gracies JM, Graham HK, Miyasaki JM, Naumann M, Russman B, et al. Assessment: Botulinum neurotoxin for the treatment of spasticity (an evidence-based review). Neurology 2008;70:1691-8. http://dx.doi.org/10.1212/01.wnl.0000311391.00944.c4 http://dx.doi.org/10.1212/01.wnl.0000311389.26145.95

Oyama H, Ikeda A, Inoue S, Nakashima Y, Shibuya M. Local injection of botulinum toxin type A for hemifacial spasm. Neurol Med Chi 2002;42:245-9. http://dx.doi.org/10.2176/nmc.42.245

Foran PG, Mohammed N, Lisk GO, Nagwaney S, Lawrence GW, Johnson E, et al. Evaluation of the Therapeutic Usefulness of Botulinum Neurotoxin B, C1, E, and F Compared with the Long Lasting Type Am J Biol Chem 2003; 2:1363-71.

Chen X, Deng Y. Long-time molecular dynamics simulations of botulinum biotoxin type-A at different pH values and temperatures. J Mol Model 2007;13:559-72. http://dx.doi.org/10.1007/s00894-007-0178-7

Pontes LS, Fontes SV, Botelho LAA, Fukujima MM. Toxina Botulínica Tipo A em Pacientes com Hemiplegia e/ou Hemiparesia Espástica: uma Abordagem Fisioterapêutica. Rev Neurocienc 2000;8:99-102.

Faria TCC, Masiero D, Spósito MMM, Saad M. Avaliação do uso da toxina botulínica A e da cinesioterapia na melhora da marcha do portador de paralisia cerebral do tipo hemiparético. Act Fisi 2001;8:101-6.

Franco CB, Pires LC, Pontes LS, Souza EJ. Avaliação da amplitude articular do tornozelo em crianças com paralisia cerebral após a aplicação de toxina botulínica seguida de fisioterapia. Rev Para Med 2006;20:43-9.

Giovanelli M, Borriello G, Castri P, Prosperini L, Pozzilli C. Early physiotherapy after injection of botulinum toxin increases the beneficial effects on spasticity in patients with multiple sclerosis. Clin Rehab 2007;21:331-7. http://dx.doi.org/10.1177/0269215507072772

Hesse S, Krajnik J, Luecke D, Jahnke MT, Gregoric M, Mauritz KH. Ankle Muscle Activity Before and After Botulinum Toxin Therapy for Lower Limb Extensor Spasticity in Chronic Hemiparetic Patients. Stroke 1996;27:455-60.

Antonucci F, Rossi C, Gianfranceschi L, Rossetto O, Caleo M. LongDistance Retrograde Effects of Botulinum Neurotoxin A. J Neurosci 2008;28:3689-96. http://dx.doi.org/10.1523/JNEUROSCI.0375-08.2008

Downloads

Publicado

2010-09-30

Como Citar

Chinelato, J. C. de A., Perpétuo, A. M. de A., & Beck, E. K. (2010). Espasticidade: aspectos neurofisiológicos e musculares no tratamento com toxina botulínica do tipo A. Revista Neurociências, 18(3), 395–400. https://doi.org/10.4181/RNC.2010.ip03.06p

Edição

Seção

Revisão de Literatura

Artigos Semelhantes

<< < 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 > >> 

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)