“É possível controlar a multidão?” Libânio em defesa de Juliano e contra a população de Antioquia (séc. IV)

  • Gilvan Ventura da Silva Universidade Federal do Espírito Santo
Palavras-chave: Antiguidade Tardia, Antioquia, Libânio, Juliano, Multidão.

Resumo

Quando tratamos do emprego do humor e do deboche como mecanismos de resposta da população urbana ao desempenho das autoridades romanas, um caso emblemático de estranhamento entre súditos e imperador é aquele que ocorre entre 362 e 363, em Antioquia, durante a estadia de Juliano na cidade.  Esse estranhamento foi tão intenso que acarretou, num primeiro momento, a elaboração de uma obra no mínimo desconcertante como o Misopógon, texto satírico no qual Juliano tece duras críticas ao modus vivendi dos habitantes da cidade.  Na sequência, como desdobramento do episódio, vem à luz dois discursos de Libânio, um deles intitulado Aos antioquenos, sobre a ira do imperador (Or. XVI) e o outro, Embaixada a Juliano (Or. XV).  Ambos os discursos buscavam reverter a difícil situação na qual se encontrava Antioquia, alvo da cólera do soberano.  Nesse artigo, pretendemos explorar os argumentos de Libânio sobre a controvérsia envolvendo Juliano e os antioquenos a fim de demonstrar como o sofista se encontrava comprometido com a proposta de reforma da pólis idealizada pelo imperador.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando métricas...

Biografia do Autor

Gilvan Ventura da Silva, Universidade Federal do Espírito Santo
Gilvan Ventura da Silva é doutor em História pela Universidade de São Paulo (Usp), mestre em História Antiga e Medieval, bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É Professor Titular de História Antiga da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e atual coordenador do Programa de Pós-Graduação em História. É editor de Romanitas, Revista de Estudos Grecolatinos e membro dos seguintes grupos de pesquisa: Laboratório de Estudos sobre o Império Romano (Usp); Arqueologia Histórica (Unicamp); Núcleo de Estudos Mediterrânicos (UFPR); Serápis - Laboratório de Estudos do Mundo Helenístico-Romano (UnB); Cultura escrita e oralidade na Antiguidade e no Medievo (Uece); Estudos de gênero, discursos, religiosidades e uso e costumes do passado da Antiguidade Clássica à Tardia (UFPA) e ATRIVM - Espaço Aberto de Estudos Clássicos (UFRJ). É coordenador da seção ES do Laboratório de Estudos sobre o Império Romano (Leir), desenvolvendo projetos de investigação acerca dos vínculos entre espaço, identidade, religião e poder na Antiguidade. Em 2014, cumpriu estágio técnico-científico na Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, no âmbito do Projeto de Cooperação Internacional Ufes/UMinho. Em 2017, atuou como Professor Visitante junto à Università Ca'Foscari (Veneza) no âmbito do Programa Erasmus Plus de mobilidade acadêmica. (Texto informado pelo autor)
Publicado
2018-03-24
Como Citar
da Silva, G. V. (2018). “É possível controlar a multidão?” Libânio em defesa de Juliano e contra a população de Antioquia (séc. IV). Heródoto: Revista Do Grupo De Estudos E Pesquisas Sobre a Antiguidade Clássica E Suas Conexões Afro-asiáticas, 3(1), 374-393. https://doi.org/10.31669/herodoto.v3i1.357