Psicanálise e colonialismo recepção de Freud no kibutz no Brasil e a política da neutralidade
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Resumo
Este artigo analisa criticamente a recepção, no Brasil, da obra Freud no kibutz, problematizando os modos pelos quais a psicanálise institucional tem se alinhado a narrativas políticas e históricas marcadas por apagamentos e silenciamentos. A partir da leitura sobre o entusiasmo acrítico com que o livro foi acolhido, o texto propõe compreender como a psicanálise brasileira tende a celebrar narrativas externas idealizadas sem considerar suas contradições sociopolíticas. O objetivo é evidenciar de que forma essa recepção opera como sintoma de uma dificuldade estrutural do campo psicanalítico em elaborar as próprias implicações históricas, tanto no contexto do colonialismo quanto no da ditadura militar brasileira. Argumenta-se que a celebração da experiência do kibutz, tomada como fábula de justiça social, encobre a violência colonial do projeto sionista e o consequente apagamento da catástrofe palestina. A contribuição central do artigo está em propor que a psicanálise assuma uma escuta ético-política, capaz de articular crítica social e clínica, bem como de ler a Palestina para além de narrativas coloniais, reconhecendo a violência histórica que sustenta o apagamento de seu povo. Ao situar a recepção da obra como ponto central de análise, o texto aponta para a urgência de uma práxis psicanalítica comprometida com a nomeação das violências que fundam o mal-estar contemporâneo.
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