Psicanálise e colonialismo recepção de Freud no kibutz no Brasil e a política da neutralidade

Conteúdo do artigo principal

Marcus Vinicius Neto Silva
Lucas Felix Novaes
João Henrique de Sousa Santos

Resumo

Este artigo analisa criticamente a recepção, no Brasil, da obra Freud no kibutz, problematizando os modos pelos quais a psicanálise institucional tem se alinhado a narrativas políticas e históricas marcadas por apagamentos e silenciamentos. A partir da leitura sobre o entusiasmo acrítico com que o livro foi acolhido, o texto propõe compreender como a psicanálise brasileira tende a celebrar narrativas externas idealizadas sem considerar suas contradições sociopolíticas. O objetivo é evidenciar de que forma essa recepção opera como sintoma de uma dificuldade estrutural do campo psicanalítico em elaborar as próprias implicações históricas, tanto no contexto do colonialismo quanto no da ditadura militar brasileira. Argumenta-se que a celebração da experiência do kibutz, tomada como fábula de justiça social, encobre a violência colonial do projeto sionista e o consequente apagamento da catástrofe palestina. A contribuição central do artigo está em propor que a psicanálise assuma uma escuta ético-política, capaz de articular crítica social e clínica, bem como de ler a Palestina para além de narrativas coloniais, reconhecendo a violência histórica que sustenta o apagamento de seu povo. Ao situar a recepção da obra como ponto central de análise, o texto aponta para a urgência de uma práxis psicanalítica comprometida com a nomeação das violências que fundam o mal-estar contemporâneo.

Detalhes do artigo

Seção

Crítica da Contemporaneidade

Biografia do Autor

Marcus Vinicius Neto Silva

Doutor em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Membro da Coletiva Psicanalista Trabalha e da Frente Psicanalistas pela Palestina.

Lucas Felix Novaes, Faculdade Nove de Julho

Mestre em Ciências do Envelhecimento pela Universidade  São Judas Tadeu (USJT) e Especialista em Psicologia Clínica e Psicanálise pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Professor e membro do NDE do curso de Psicologia da Faculdade Nove de Julho. Membro da Frente Psicanalistas pela Palestina.

João Henrique de Sousa Santos, Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais

Doutor em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor no Curso de Psicologia na Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG). Membro da Frente Psicanalistas pela Palestina.

Como Citar

Psicanálise e colonialismo: recepção de Freud no kibutz no Brasil e a política da neutralidade. EXILIUM Revista de Estudos da Contemporaneidade, [S. l.], v. 6, n. 11, p. 101–113, 2025. DOI: 10.34024/321sqp18. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/exilium/article/view/21243. Acesso em: 24 set. 2026.

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