De um velho carvalho ainda nascem folhas? Sobre refúgio e resistência pela ótica do filme "O último pub", de Ken Loach
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Résumé
A análise do filme O último pub (The old oak, 2023), de Ken Loach, é a proposta para debater no microcosmo de um vilarejo inglês alguns ecos da relação entre Oriente e Ocidente. Busca-se colocar lentes sobre as dinâmicas de hostilidade e hospitalidade anunciadas pelo encontro entre os moradores do falido vilarejo mineiro inglês e os recém-chegados refugiados sírios. O texto explora como estereótipos e dificuldades de haver uma identificação mútua se manifestam não apenas no vilarejo em si, mas também no espaço do pub, que leva o nome de “Velho Carvalho” e nos remete à árvore que o nomeia, um intermediário representado tanto no folclore inglês quanto nas culturas árabe e persa. A experiência do incômodo (das Unheimliche, em Freud), ligada à ameaça do “outro” e à perda de lugares de pertencimento, é um sentimento comum a ambos os grupos, ainda que através de ódio ao estrangeiro por parte dos habitantes locais e pelo desterro dos refugiados. Destaca-se também a arte da fotografia e a sala reaberta do pub, ressignificada em um espaço de convivência e resistência. Este trabalho articula conceitos psicanalíticos com uma observância ao que é social e cultural, mostrando, através das lentes otimistas do diretor, a possibilidade de alianças e de construção de novos laços sociais a despeito das tensões iniciais.
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Références
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