A inscrição da violência território e trauma colonial

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Jéssica Kellen Rodrigues

Resumen

Este texto busca analisar elementos que permitam considerar a relação entre trauma colonial e território, argumentando que a violência colonial não se limita à exploração econômica, mas produz uma ferida psíquica permanente ao romper os vínculos históricos, simbólicos e materiais que um povo estabelece com seu território. O território é compreendido não como mera propriedade, mas como campo constitutivo das formas de vida, da memória coletiva e da identidade. Consideram-se os conceitos de orientalismo e palimpsesto, elaborados por Said, para mostrar como o discurso colonial impõe uma narrativa única sobre o território, inferiorizando culturas não europeias e justificando sua dominação. A reflexão de Said também permite pensar a identidade como intrinsecamente fissurada, sem origem pura, o que evita nacionalismos exclusivistas. Esse aparato conceitual se completa em diálogo com o pensamento de Lélia Gonzalez, para analisar a divisão racial do espaço no Brasil, a naturalização da subalternidade de negros e indígenas, o mito da democracia racial como violência simbólica e a amefricanidade como possibilidade de construção de identidades ativas de resistência. Assim, analisam-se, em Gonzalez, as noções de amefricanidade e de memória como resistência ao apagamento histórico. Ao fim da análise, busca-se compreender o trauma colonial como ferida secular, atualizada cotidianamente pelo racismo estrutural, pela desterritorialização forçada e pela relação artificial imposta com o território.


 

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Sección

Dossiê

Biografía del autor/a

Jéssica Kellen Rodrigues, Universidade Estadual de Campinas

Professora e pesquisadora de pós-doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas entre 2024 e 2026, desenvolvendo projeto intitulado “Teorias críticas da raça e o ensino da história da filosofia como base para uma pedagogia engajada enquanto práxis política”. Mestra e doutora em Filosofia pela mesma instituição. Possui licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal de Lavras. É membra do Grupo de Estudos, Pesquisas e Escritas Feministas (GEPEF), do Grupo de Estudos Luiz Gama e do Physis — Centro de Pesquisa sobre a História da Filosofia da Natureza. Editora da Enciclopédia Mulheres na Filosofia.

Cómo citar

A inscrição da violência: território e trauma colonial. EXILIUM Revista de Estudios de la Contemporaneidad, [S. l.], v. 7, n. 12, p. 132–150, 2026. DOI: 10.34024/2qbcgz15. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/exilium/article/view/22535. Acesso em: 24 sep. 2026.

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Referencias

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