O narcisismo das grandes indiferenças

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Andréa M. C. Guerra

Resumo

Discuto o tema da construção inconsciente do inimigo a partir da psicanálise freudo-lacaniana em diálogo com a filosofia política de M. Foucault, A. Mbembe e G. Chamayou. Para isso, retomo a teoria da guerra como continuidade da política e baseada no duelo como estrutura em Clausewitz. Sigo com a inversão foucaultiana de que é a política a continuidade da guerra, culminando na necropolítica de Mbembe, bem como avanço com a passagem da estrutura do duelo à da caça na lógica que atualiza a discussão da configuração do inimigo. Busco, então, teorizar os três arranjos de grupo decorrentes da aplicação da teoria freudo-lacaniana à figura do inimigo: o grupo primário estruturado pela identificação com o líder, os grupos formados pelo ódio e a tese do narcisismo das grandes indiferenças. Para isso, analiso a identificação, a projeção e a segregação em sua base. Concluo que a grande indiferença protege o sujeito do reconhecimento de sua própria vulnerabilidade estrutural, operando pela subtração da inscrição política e simbólica do outro inimigo, normalizando as desigualdades estruturais.

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Seção

Dossiê

Biografia do Autor

Andréa M. C. Guerra, Universidade Federal de Minas Gerais

Psicanalista, bolsista de produtividade do CNPq e professora na Universidade Federal de Minas Gerais, onde coordena o Núcleo @PSILACS (Psicanálise e Laço Social no Contemporâneo) e a Coleção de livros Decolonização e Psicanálise, com a Editora n-1.

Como Citar

O narcisismo das grandes indiferenças. EXILIUM Revista de Estudos da Contemporaneidade, [S. l.], v. 7, n. 12, p. 179–194, 2026. DOI: 10.34024/nc9n9496. Disponível em: https://periodicos.unifesp.br/exilium/article/view/22539. Acesso em: 24 set. 2026.

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