White Male Mirror a clínica do eu colonizado
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Este artigo investiga os efeitos do colonialismo na constituição subjetiva, tomando como eixo a formação do eu, os processos de identificação e as relações de reconhecimento. Parte-se da hipótese de que o sujeito se constitui em um campo simbólico atravessado por normas sociais, raciais, sexuais, territoriais e econômicas, de modo que a experiência clínica não pode ser dissociada das estruturas históricas de dominação. O texto propõe a noção de clínica do eu colonizado para pensar como o sofrimento psíquico pode ser produzido e atualizado por fantasias de universalidade, branquitude e patriarcado. A partir de um percurso teórico-clínico, discute-se a relação entre identificação, trauma coletivo, desejo e possibilidade de invenção subjetiva. A análise de um caso clínico-político permite mostrar como o mal-estar colonial incide sobre o corpo, o desejo e os vínculos, mas também como a escuta analítica pode sustentar deslocamentos, formas de agência e novas possibilidades de inscrição simbólica. Defende-se, assim, uma psicanálise crítica, atenta às relações entre inconsciente, história e poder.
Detalhes do artigo
Seção

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Os autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de publicação, sob a licença Creative Commons-NonCommercial-NoDerivs Attribution 2.0 Generic.
Os autores se responsabilizam pelo teor do texto, considerando que a revista adota ferramentas de verificação anti-plágio e segue as diretrizes éticas do Committee on Publication Ethics (COPE), do Code of Ethics American Educational Research Association (AERA), do Código de Boas Práticas Científicas – FAPESP e do Council of Science Editors (CSE) em relação a publicação.
Em caso de artigo traduzido ou em outros idiomas, entrar em contato com os editores responsáveis para evitar conflitos de política de direitos autorais relativa à publicação do material.
Como Citar
##plugins.generic.shariff.share##
Referências
Collins, P. H. (2019). Pensamento feminista negro: O poder da autodefinição. In H. B. de Hollanda (Org.), Pensamento feminista: Conceitos fundamentais. Bazar do Tempo.
Fanon, F. (2008). Pele negra, máscaras brancas (R. da Silveira, Trad.). EDUFBA. (Obra original publicada em 1952)
Federici, S. (2017). Calibã e a bruxa: Mulheres, corpo e acumulação primitiva. Elefante.
Foucault, M. (2005). Em defesa da sociedade: Curso no Collége de France (1975-1976) (4. ed.). Martins Fontes. (Obra original publicada em 1975-1976)
Freud, S. (1996). Psicologia das massas e análise do eu. In Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud (Vol. 28). Imago. (Obra original publicada em 1921)
Freud, S. (2018). Moisés e o monoteísmo: Três ensaios. In Obras completas (Vol. 19) (P. C. Souza, Trad.). Companhia das Letras. (Obra original publicada em 1939)
Frosh, S. (2018). Assombrações: Psicanálise e transmissões fantasmagóricas. Benjamin.
Gonzalez, L. (1984). Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, Anpocs, 223–244.
Kilomba, G. (2019). Memórias da plantação: Episódios de racismo cotidiano (J. Oliveira, Trad.). Cobogó.
Lacan, J. (1996). Seminário 1: Os escritos técnicos de Freud. (B. Milan, trad.). Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1953-1954)
Lacan, J. (2005). Seminário Livro 10: A Angústia. (V. Ribeiro, trad.). Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1962-1963)
Lacan, J. (1992). Seminário 17: O avesso da psicanálise. (A. Roitman, Trad.; A. Quinet, Consult.). Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1969-1970)
Lacan, J. (1998). Escritos. Jorge Zahar.
Lacan, J. (1998). O estádio do espelho como formador da função do eu tal como nos é revelada na experiência psicanalítica. In Escritos. Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1949)
Lacan, J. (1998). Observação sobre o relatório de Daniel Lagache: “Psicanálise e estrutura da personalidade”. In Escritos. Jorge Zahar. (Obra original publicada em 1961)
Layton, L. (2006). Racial identities, racial enactments, and normative unconscious processes. Psychoanalytic Quarterly, 75(1), 237–269.
Martins, A. S. (2020). As voltas do reconhecimento na clínica e política da psicanálise [Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo].
McClintock, A. (2010). Couro imperial: Raça, gênero e sexualidade no embate colonial (P. Dentzien, Trad.). Unicamp.
Oliver, K. (2001). Witnessing: Beyond recognition. University of Minnesota Press.
Oliver, K. (2004). The colonization of psychic space: A psychoanalytic social theory of oppression. University of Minnesota Press.
Pavón-Cuéllar, D. (2024). Psicoanálisis y colonialidad: Hacia una inflexión anticolonial de la herencia freudiana. Fontamara.
Rose, J. (2004). Resposta a Edward W. Said. In E. W. Said. Freud e os não-europeus (A. Clemesha, Trad.). Boitempo.
Said, E. W. (2004). Freud e os não-europeus (A. Clemesha, Trad.). Boitempo.
Said, E. W. (2007). Orientalismo: O Oriente como invenção do Ocidente (R. Eichenberg, Trad.). Companhia das Letras.
Souza, N. S. (2021). Tornar-se negro. Jorge Zahar.
Vyrgioti, M. (2018). The cannibal trope: A psychosocial critique of psychoanalysis colonial fantasies [Doctoral thesis, Birkbeck, University of London].
Winnicott, D. W. (1989). Fear of breakdown. In Psycho-analytic explorations. Harvard University. (Obra original publicada em 1963)