O conceito de revolução no discurso ultramontano no Brasil oitocentista
um estudo de semântica histórica
DOI:
https://doi.org/10.1590/236-463340ea20812Palavras-chave:
Revolução, Ultramontanismo, Imprensa católica , História dos conceitosResumo
O presente artigo analisa as mutações semânticas operadas no conceito de “revolução”, à luz de seus usos discursivos pela imprensa ultramontana editada no Brasil da segunda metade do século XIX. Tomado em uma perspectiva de longa duração, que reporta ao movimento dos astros na formulação copernicana, esse conceito adentra o contexto das rupturas que marcam o advento da modernidade, denotando a descontinuidade ontológica na experiência do tempo, cujo marco decisivo fora a Revolução Francesa (1789). Desde então, segundo Koselleck (2014), a percepção subjetiva de um tempo acelerado e imanente à história afetaria profundamente o modo como os homens passaram a se relacionar com o passado e a projetar expectativas de futuro. Essa dinâmica envolveu a Igreja e seus representantes, fazendo surgir o movimento de adiamento e reação às transformações em curso. Nesse embate, o conceito de “revolução” passou a integrar o conjunto dos “erros da modernidade” condenados pela Santa Sé e combatidos pelos católicos ultramontanos, que elegeram a imprensa periódica como uma das principais armas na cruzada contra os inimigos da Igreja. Pautado no ferramental metodológico da História dos Conceitos, o presente artigo analisa os significados atribuídos ao conceito de “revolução” em seus usos discursivos pelos jornais ultramontanos publicados no Brasil. Denotativo da ruptura semântica instaurada pela modernidade, esse conceito comportou significados polissêmicos, que acompanharam e, ao mesmo tempo, buscaram atribuir sentido à experiência brasileira da secularização.
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