Olhares: Revista do Departamento de Educação da Unifesp https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares <p>A revista Olhares é um periódico de publicação exclusivamente eletrônico, de circulação nacional e internacional, do Departamento de Educação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo. Vinculada aos Programas de Pós-Graduação – PPG Educação e Saúde na Infância e na Adolescência e PPG em Educação.</p> Universidade Federal de São Paulo pt-BR Olhares: Revista do Departamento de Educação da Unifesp 2317-7853 EXPERIÊNCIA E PROFISSIONALIDADE: MEMÓRIA E SABERES DE PROFESSORAS APOSENTADAS https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12349 <p>O presente trabalho é o recorte de uma pesquisa de mestrado que buscou compreender como cinco professoras aposentadas, que ingressaram na década de 80 na Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte, interpretam episódios de suas trajetórias profissionais. Discute-se aqui as muitas faces assumidas pela construção dos saberes docentes. Para tal, recorre-se à entrevista narrativa de Schütze (2014) e à análise compreensivo-interpretativa (SOUZA, 2014) como uma alternativa para interpretar e produzir conhecimentos acerca da profissionalidade docente. Nas narrativas, as professoras elucidaram elementos que compõem a docência (TARDIF; LESSARD, 2007), como: práticas pedagógicas e da cultura escolar vigente na época, momentos significativos e formativos que possibilitaram a construção de saberes docentes (TARDIF, 2002) em diferentes contextos e experiências profissionais. As narrativas revelaram que a profissão docente envolve estar em constante aprendizado, e a profissionalidade docente em permanente transformação. A partir das contribuições de autores como Roldão (2005, 2007), Gauthier (2013), Shulman (2014) Nóvoa (2017), conclui-se que a profissionalidade se fortalece à medida que as professoras se relacionam, trocam experiências com seus pares na escola e/ou fora dela bem como com os alunos e a comunidade e frequentam as formações continuadas.</p> Ariadne Cristiane Fantoni Silva Carmem Lucia Eiterer Maria Cristina da Silva Copyright (c) 2022 Ariadne Cristiane Fantoni Silva, Carmem Lucia Eiterer, Maria Cristina da Silva https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12349 CULTURAS COTIDIANAS: análise de experiências com educação patrimonial em escolas baianas https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12845 <p style="text-indent: 0cm; line-height: normal;">Neste artigo analisamos a aproximação entre a cultura e a escola no processo de formação de estudantes da educação básica e tem como objetivo refletir como o patrimônio cultural local pode ser partícipe deste processo. Realizamos uma pesquisa qualitativa do tipo exploratória, por meio de revisão bibliográfica e documental, elaboramos um estado de conhecimento sobre o projeto Educação Patrimonial e Artística – EPA em escolas baianas, como resultado constatamos que com intencionalidade pedagógica é possível que os estudantes da educação básica se reconheçam como partícipes da construção do patrimônio e memórias locais por meio destas políticas culturais promovidas e estabelecidas pela SEC/BA. O Projeto EPA é uma possibilidade de estudo do patrimônio cultural formalizada pelo Estado, mas que pode ser adaptada pelos educadores para o ensino – aprendizagem do patrimônio cultural local. Pode ser uma iniciativa para os educandos realizarem pesquisas e aprender sobre a história, a cultura, o patrimônio e as memórias locais, baianas e brasileiras. Deste modo, cabe às escolas e aos docentes usufruírem da sua autonomia e com criatividade, reflexão e criticidade aprimorar estas metodologias e adaptar à realidade local.</p> Lidiane Sousa Trindade Mary Weinstein Copyright (c) 2022 Lidiane Sousa Trindade, Mary Weinstein https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12845 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO E VIOLÊNCIA NA ESCOLA: problemas e contradições https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/13842 <p>O presente artigo tem por objetivo discutir aspectos da comunicação e das práticas pedagógicas que orientam as dinâmicas da cultura escolar. Para tal, são utilizados dados construídos durante a pesquisa de mestrado da primeira autora, sob orientação da segunda. O estudo está fundamentado na perspectiva da Psicologia Cultural e teve como participantes professores e estudantes de uma turma de sexto ano de uma escola situada em uma comunidade pobre de Brasília, a qual participava de um projeto de aceleração da aprendizagem. Os métodos adotados foram a observação participante em sala de aula, a realização de grupo focal com discentes e docentes e entrevistas individuais com alguns alunos. Os resultados indicaram aspectos da cultura escolar que reiteram práticas de violência, distanciamento entre professores e alunos, bem como o individualismo e o autoritarismo como valores que estabelecem e marcam as relações. A partir disso, discute-se os processos de construção e manutenção de violências escolares e sugere-se a implementação de práticas e relações dialógicas como mobilizadores de mudança.</p> Theresa Raquel Borges de Miranda Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco Copyright (c) 2022 Theresa Raquel Borges de Miranda, Angela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.13842 SER ESTUDANTE: UMA VISÃO CRÍTICA DAS HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12726 <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;">O presente trabalho foi realizado no contexto de reorganização das escolas no Ensino Remoto Emergencial, mediante a análise documental e bibliográfica, com estudo, fichamento e elaboração conceitual dos temas investigados de videoaulas do projeto Emocionário, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação de Goiás em parceria com o SEBRAE/GO para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais em alunos(as) do Ensino fundamental. Com objetivo de discutir o que se espera dos(as) estudantes no âmbito do Emocionário, a análise ocorreu a partir de uma ficha contendo itens de identificação e de conteúdo sobre dezessete vídeos produzidos para os alunos. A discussão no que se refere ao desenvolvimento afetivo das crianças e adolescentes foi pautada na psicogenética walloniana e em outros estudos fundamentados na psicologia histórico-cultural. Os resultados indicam que o programa parte de uma concepção mercadológica de indivíduo e de educação, visando docilização dos(as) alunos(as) de acordo com o modelo capitalista de produção. Além disso, é esperado que os(as) estudantes assumam o lugar de máquinas, ou seja, adaptados e passivos e rejeitem uma série de experiências que fazem parte do desenvolvimento e das vivências especialmente humanas. Assim, o projeto tende a obscurecer a possibilidade de transformação inerente à ação educativa, em virtude da ênfase em processos individualizantes.</span></p> Ana Laura Brasil Peralta Soraya Vieira Santos Copyright (c) 2022 Ana Laura Brasil Peralta, Soraya Vieira Santos https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12726 ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM TEMPOS DE ISOLAMENTO FÍSICO: relato de experiência em um curso de Psicologia https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/13339 <p>O presente artigo tem como objetivo analisar a experiência de estágio supervisionado ofertado em um curso de graduação de Psicologia durante o isolamento físico. O método utilizado foi a pesquisa bibliográfica e documental, além do relato e a análise de um estágio que foi supervisionado pela autora. Como considerações conclusivas, têm se que, diante da conjuntura imposta pela pandemia do coronavírus, a realização do estágio de maneira remota não apenas respeita as orientações sanitárias, mas prepara as estudantes para a realidade vivenciada atualmente que pode se repetir no futuro. Quanto ao estágio analisado, apesar das dificuldades enfrentadas, considera-se que foi uma oportunidade de construção coletiva entre supervisora e alunas, sendo que essas últimas foram ativas e responsáveis na sua formação.</p> Roberta Andrade e Barros Copyright (c) 2022 Roberta Andrade e Barros https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.13339 ENSINO DE ESPANHOL EM MUNICÍPIOS DE FRONTEIRA ENTRE BRASIL E ARGENTINA, EDUCAÇÃO INTERCULTURAL BILÍNGUE https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12888 <p>O presente artigo é o recorte de uma dissertação de mestrado que pesquisou a oferta do ensino de Língua Espanhola nas escolas estaduais paranaenses, após a revogação da Lei 11.161/2005, com enfoque principal nas escolas municipais e estaduais paranaenses dos municípios que fazem linha de fronteira com a Argentina. A pesquisa se apoia em estudos de Ferrari (2011) Krause-Lemke (2010), Sturza (2006). Caracterizada como multimetodológica (CRESWELL; CLARK, 2007), teve como objetivo analisar se, nas escolas estaduais/municipais de linha de fronteira entre Paraná e Argentina, há, de fato, a implementação do ensino da língua espanhola. Para tanto, foram realizadas pesquisas dentro das Secretarias de Educação dos municípios de linha de fronteira e junto à Secretaria de Educação do Paraná (Seed). Com o estudo também demonstramos qual o espaço que a língua espanhola ocupa dentro das instituições de ensino paranaenses, após a revogação da Lei 11.161. Os resultados deste trabalho apontaram um declínio na oferta do espanhol dentro dos CELEMs das escolas estaduais paranaenses nos últimos cinco anos. Com relação às escolas dos municípios de linha de fronteira, a língua inglesa sobrepõe a espanhola, para ser ensinada sob a justificativa de sua hegemonia. Concluímos que, em regiões de fronteira, o aprendizado da língua espanhola seria imprescindível, uma vez que nossos alunos têm contato direto com a referida língua, porém, são tolhidos do seu aprendizado, devido à implementação de políticas educacionais restritivas.</p> Rosangela Kuspiosz Calliari Cibele Krause Lemke Copyright (c) 2022 Rosangela Kuspiosz Calliari, Cibele Krause Lemke https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12888 FIGURAS TÁTEIS NO ENSINO DE CITOLOGIA A PARTIR DAS HISTÓRIAS DE VIDA DE PROFESSORAS BRAILISTAS https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12680 <p>O artigo buscou discutir as contribuições da experiência tátil com a construção e utilização de gravuras ou figuras táteis, no ensino de Biologia, voltadas para estudantes com deficiência visual. Realizamos uma abordagem interdisciplinar entre Metodologia da História e a Biologia por meio de História Oral/História de vida, na qual professoras, mediante entrevistas realizadas pelo pesquisador, relataram sobre a vida profissional e ensinaram ao pesquisador a técnica da experiência tátil. A partir das transcrições dos relatos das docentes e após analisar os retratos sociológicos e os referenciais literários, foram construídas <em>orientações</em> sobre quais materiais utilizar e as técnicas acerca da confecção e utilização de figuras táteis no processo de ensino-aprendizagem da pessoa com deficiência visual para a formação de imagens mentais com o uso do sistema háptico, que se tornam mais eficazes com o auxílio da audiodescrição. Assim como práticas que contribuíram para a elevação do nível de escolaridade, da ascensão profissional, maximizando processos de inclusão e autonomia de estudantes com algum tipo de deficiência visual.</p> Rinaldo da Silva Viana Ernani Nunes Ribeiro Edson Hely Silva Copyright (c) 2022 Rinaldo da Silva Viana, Ernani Nunes Ribeiro , Edson Hely Silva https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12680 IMPLICAÇÕES DO TRABALHO NA (IN)CONCLUSÃO DA ESCOLA REGULAR NAS TRAJETÓRIAS DE JOVENS CERTIFICADOS PELO ENEM https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12982 <p>Desde a década de 1990, vem crescendo o número de jovens que concluem a educação básica no Brasil. Porém, fatos como a evasão escolar, as reprovações de série e em muitos casos a entrada no mercado de trabalho contribuem para que parte da juventude não consiga finalizar o nível básico, principalmente na etapa do ensino médio. O presente artigo visa fazer uma análise compelida de como o trabalho pode ter influência na conclusão do ensino básico por jovens que se utilizaram do Enem para obterem a certificação do ensino médio e entrar no ensino superior. O artigo utilizou como metodologia a coleta de dados por meio de um questionário online respondido por 29 jovens e entrevistas individuais semiestruturadas com sete jovens respondentes desse questionário. A pesquisa conclui que a frequência no mercado de trabalho esteve presente em boa parte das trajetórias dos jovens entrevistados, principalmente o trabalho informal. Além disso, foi possível notar que assim como o trabalho pode ser grande responsável pela desistência escolar, também pode influenciar na busca da conclusão da escolaridade por esses jovens.</p> Evelyn de Souza Lima Diógenes Pinheiro Copyright (c) 2022 Evelyn de Souza Lima, Diógenes Pinheiro https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12982 ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO REMOTO EM EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: desafios para a formação de professores/as https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/13441 <p>Neste relato de experiência de supervisoras acadêmicas de estágio, o estágio curricular supervisionado remoto realizado em um curso de licenciatura em educação física nos anos de 2020 e 2021, durante a pandemia do COVID-19 e o ensino remoto, é focalizado. O principal questionamento foi: É possível formar professores/as habilitados a lidar com as questões da escola através de estágios remotos? Reflexões sobre a implementação e resultados deste componente curricular são desenvolvidos a fim de discutir limites e possibilidades para a formação de professores/as neste contexto. Considera-se finalmente que por meio da implementação realizada, os estágios supervisionados remotos atuaram positivamente na formação das/os professoras/es, superando as expectativas. Esse modelo de implementação trouxe aprendizagens significativas àqueles em processo de formação, principalmente, com relação ao vínculo da unidade teoria-prática da educação física em relação aos seus objetos de estudos e objetivos na escola. Contudo, esse modelo de ensino também possibilitou verificar uma sobrecarga de trabalho atribuído às/aos supervisoras/es de campo e acadêmicas/os.</p> Gabriela Baranowski Pinto Rebeca Signorelli Miguel Copyright (c) 2022 Gabriela Baranowski Pinto, Rebeca Signorelli Miguel https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.13441 A FILA https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12456 <p>Presentes em diversos espaços sociais, filas são organizadas com o intuito de escalonar, individual e linearmente, sujeitos que se encontram em busca de algum serviço e atendimento, ou que intentam adentrar um recinto. Estas formações temporárias, regidas por convenções institucionais ou sociais, também estão presentes regularmente nas escolas. O objetivo do artigo é compreender a ocorrência das filas no cotidiano escolar. O estudo foi realizado com o uso do método regressivo-progressivo de Henri Lefebvre, a produção do material de pesquisa foi proveniente de textos literários, imagens e relatos da escola, e sua apropriação e restituição se deram na conversação histórico-genética posta a fragmentos deste material. O estudo aponta que a fila se constitui enquanto prática não contemporânea reproduzida no cotidiano escolar, e que sua ocorrência é resguardada pela tradição e antiguidade, preservando o controle, a vigilância, a fragmentação, as hierarquias, classificações, exclusões, silenciamento e tantas outras influências que já foram criticadas e refutadas.</p> Mitsi Pinheiro de Lacerda Copyright (c) 2022 Mitsi Pinheiro de Lacerda https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12456 ABSTRAÇÃO REFLEXIONANTE E APRENDIZAGEM DA ESCRITA https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12307 <p>Este estudo teve como objetivo destacar como a teoria piagetiana pode explicar a evolução da aprendizagem da escrita pela interação entre sujeito e objeto, neste caso entre criança e escrita, sob o ponto de vista do mecanismo da abstração reflexionante. Foram relacionados os níveis da Psicogênese da Língua Escrita, elaborada por Emilia Ferreiro e Ana Teberosky, com os tipos de abstrações estudadas por Jean Piaget. O estudo visou mostrar o quanto a abstração reflexionante se faz presente na passagem de um nível anterior, mais simples, de escrita para o seguinte, mais complexo. Os dados foram coletados através de diálogos, inspirados no método clínico piagetiano, com doze crianças entre 4 e 8 anos da Pré-escola e do Ensino Fundamental. Os diálogos foram realizados por plataformas digitais devido à ausência de aulas presenciais causada pela pandemia da Covid-19. Constatou-se que é possível, ao analisar os dados coletados, fazer relação entre as abstrações reflexionantes, realizadas pelas crianças, e os níveis de escrita evidenciados pela Psicogênese da Língua Escrita.</p> Camila Moura Costa Fernando Becker Copyright (c) 2022 Camila Moura Costa, Fernando Becker https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12307 A LITERATURA PARA A INFÂNCIA COMO “FONTE” PARA A HISTÓRIA DOS PROCESSOS CULTURAIS E EDUCACIONAIS: o caso italiano https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/13596 <p>Com base na evolução dos estudos sobre a história da literatura infantil na Itália durante os últimos vinte anos, o artigo visa analisar o papel da literatura infantil nos séculos XIX e XX como ferramenta para a transmissão e universalização dos valores fundamentais para a realização da hegemonia política e cultural burguesa na Itália e no resto da Europa. O texto, também, ressalta a produção literária para crianças e jovens como fonte de importância primordial para uma análise profunda do imaginário infantil e adulto sobre a infância e para uma compreensão mais articulada dos processos educacionais que caracterizaram a sociedade italiana na virada dos séculos XIX e XX</p> Roberto Sani Copyright (c) 2022 Roberto Sani https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.13596 FRAGMENTOS DE UMA HISTÓRIA: Rick , seus objetivos e suas conquistas pelos movimentos dos olhos https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12665 <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif;">O artigo tematiza a vida escolar e a preparação para escrever uma redação no ENEM de 2021/2022 de um jovem que emprega apenas os olhos para ler e para escrever, usuário de um notebook com mouse ocular, comprado com a colaboração da comunidade onde vive. Para essa preparação, um projeto de pesquisa e de extensão, financiado pela Pró-Reitoria da UNESP, foi posto em marcha por uma equipe composta por um professor pesquisador, por uma bolsista, por uma professora de educação especial, em Marília, SP no ano de 2020. Os encontros semanais com o aluno, presenciais no início, foram substituídos pelos remotos com a chegada da pandemia em março. Nos primeiros encontros, o jovem, aspirante a um curso superior de jornalismo, trocou informações sobre princípios argumentativos e persuasivos, e teve acesso a vídeos e artigos sobre temas debatidos na mídia. Aos poucos, as condições domésticas deixaram de ser adequadas para a continuidade dos trabalhos remotamente. Em janeiro 2021, embora inscrito, o aluno não participou do ENEM. Em março de 2021, esgotado o prazo do projeto, a equipe o orientou a matricular-se em um cursinho pré-vestibular gratuito organizado por alunos do campus da UNESP em Marília. Os fragmentos de esboços de um artigo de opinião sobre o racismo analisados neste artigo revelam que o jovem começava a desenvolver estruturas argumentativas, próprias de artigos de opinião, na abordagem de temas polêmicos.</span></p> Dagoberto Buim Arena Raíssa Pimenta Sônia de Oliveira Santos Copyright (c) 2022 Dagoberto Buim Arena, Raíssa Pimenta, Sônia de Oliveira Santos https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12665 PROFESSORES NÃO LICENCIADOS NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL: seus saberes, suas práticas https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12166 <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;">A educação profissional (EP) no Brasil surgiu oficialmente no século XX e, desde seu surgimento, os professores dessa modalidade de ensino exibem um perfil bastante diverso, como consequência da ausência de políticas concretas que considerem as especificidades da EP. Este estudo é parte de uma pesquisa em desenvolvimento que objetiva analisar os saberes da docência que se manifestam com mais evidência na prática docente de professores não licenciados da EP. A pesquisa pautou-se nas bases teóricas da EP e na temática dos saberes da docência, referendados por Kuenzer (2006), Moura (2008), Machado (2011), Pena (2016), Tardif (2014), Pimenta (2012), dentre outros. O percurso metodológico norteou-se na abordagem qualitativa, sendo realizadas 7 entrevistas semiestruturadas com bacharéis e tecnólogos docentes da EP. A análise dos dados foi realizada seguindo os pressupostos de Creswell (2014) para a análise em espiral. Os resultados revelaram que os participantes da pesquisa mobilizam especialmente os saberes da experiência, por meio de memórias de antigos mestres e troca com os pares. Também valorizam os saberes da formação profissional, haja vista a necessidade de formar alguém que atenda as demandas do mercado de trabalho. Pouca referência foi conferida aos conhecimentos pedagógicos, tampouco aos saberes curriculares próprios da EP. Conclui-se que as considerações feitas pelos entrevistados reforçam a falta de políticas efetivas para a formação dos professores da EP o que, futuramente, pode ser reforçado pelas recentes legislações que permitem o notório saber e a comprovação de competências para atuar como docente, desconsiderando-se a formação integral do sujeito.</span></p> Antonio Acioli Blanco Lins Cinara Calvi Anic Copyright (c) 2022 Antonio Acioli Blanco Lins , Cinara Calvi Anic https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12166 LETRAMENTOS, NARRATIVA TRANSMÍDIA E MULTIMODALIDADE: percursos entre o tipográfico e o digital https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12659 <div class="page" title="Page 1"> <div class="section"> <div class="layoutArea"> <div class="column"> <p>Este artigo apresenta resultados da pesquisa que examinou práticas de letramento contemporâneas que tramitam entre os universos on-line e off-line. Para tanto, encontrou-se amparo metodológico na Etnografia Digital. O corpus é formado por extratos de páginas na internet do perfil “Adjetivou” e do livro de poesias “Colecionando partes de mim”, de Nogueira (2018). A análise está fundamentada em discussões bakhtinianas acerca da linguagem, nos estudos dos Letramentos e no conceito de narrativa multimodal e transmídia. A discussão dos dados aponta o papel dos ambientes digitais como espaços de afinidade e para a construção de “escritas do eu”, focalizando sua evidente interface com saberes e fazeres do mundo analógico. Sugere-se também que é preciso considerar que a leitura e a escrita na atualidade estão sustentadas por recursos que integram práticas sociais características tanto da sociedade tipográfica quanto da sociedade digital, o que apresenta implicações para a formação docente, especialmente no campo da educação linguística.</p> </div> </div> </div> </div> Eliane Fernandes Azzari Ingrid Tainá Vieira Nascimento Copyright (c) 2022 Eliane Fernandes Azzari, Ingrid Tainá Vieira Nascimento https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12659 EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE PANDEMIA: uma reflexão acerca da pobreza, opressão e humanização https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12621 <p style="text-align: justify;">Este trabalho discute como as condições sociais, culturais e econômicas interferem na perpetuação do lugar de opressão das famílias e, consequentemente, das suas crianças, tendo por objetivo discutir a educação em tempos de pandemia, considerando o contexto de pobreza, os mecanismos de opressão e seus efeitos no processo de humanização à luz dos pressupostos freireanos e vigotskianos. Trata-se do recorte de uma pesquisa que aborda, originalmente, dificuldades de aprendizagem. Posteriormente, este mesmo estudo permitiu também analisar os aspectos sociais observados, que estão na origem das questões de humanização/desumanização das crianças. Tal pesquisa é um estudo de caso realizado durante a pandemia de Covid-19, no segundo semestre do ano de 2020. Analisou-se o caso de um menino que apresentava, segundo indicação da professora, dificuldade de alfabetização. Os dados de pesquisa foram construídos por meio de entrevistas e atendimentos individualizados a ele, sua mãe e professora. Apoiou-se a análise nas contribuições de Freire e Vigotski. A análise dos dados destacou o impacto da privação de bens materiais e culturais na escolarização do estudante e, assim, a cristalização da condição de oprimido e seu impacto no processo de humanização dele.</p> Fábia Daniela Schneider Lumertz Adriana Paz Nunes Lisiane Machado de Oliveira Menegotto Copyright (c) 2022 Fábia Daniela Schneider Lumertz, Adriana Paz Nunes, Lisiane Machado de Oliveira Menegotto https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12621 A EDUCAÇÃO BÁSICA NA PANDEMIA NO ESTADO DO PARANÁ: o que as pesquisas revelam? https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12968 <p>O presente artigo trata-se de uma pesquisa qualitativa que aborda a conjuntura da educação pública paranaense durante a pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19). Possui como justificativa os impactos do fenômeno excepcional que se apresentou aos gestores escolares, educadores e educandos da Educação Básica no período de 2020 a 2021 no Paraná. Como metodologia, utiliza-se da pesquisa bibliográfica e tem como objetivo discutir acerca dos desafios e dilemas no trabalho pedagógico dos professores. Considera-se que não foi possível evitar os impactos negativos no processo de ensino e aprendizagem, e que dentre as adversidades que impeliram no trabalho pedagógico, estão o fator econômico e a limitação tecnológica de educandos e educadores.</p> Adriana Regina de Jesus Santos José Alexandre Gonçalves Samuel de Oliveira Rodrigues Copyright (c) 2022 Adriana Regina de Jesus Santos, José Alexandre Gonçalves, Samuel de Oliveira Rodrigues https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12968 SOB O OLHAR ATENTO DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ACERCA DA IMUNIZAÇÃO VACINAL ENTRE JOVENS E ADULTOS DA EDUCAÇÃO BÁSICA https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/12368 <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: black;">Há na atualidade um movimento antivacinas e que talvez a gênese deste movimento esteja ancorada em representações aversivas acerca da imunização vacinal, na qual se acentua e reverbera com as redes sociais. Assim, o objetivo principal desta pesquisa é identificar e analisar as Representações Sociais de estudantes, da Educação de Jovens e Adultos – EJA, da periferia da capital do Rio de Janeiro, acerca da imunização vacinal. Caracterizando, portanto, os códigos, as regras e os valores que são compartilhados. O teste de Associação Livre de Palavras (TALP) e a análise de coocorrência das evocações serviram para identificar a centralidade das Representações Sociais. Os resultados demonstraram que o ‘medo’ é quem suporta a centralidade das Representações Sociais do grupo social pesquisado, constituindo-se, portanto, como o principal elemento de resistência à imunização vacinal, particularmente entre os homens. No que tange às mulheres há um reconhecimento de que as vacinas são importantes porque protegem as crianças. Como considerações finais, sugerimos que a prevenção, dessa possível fobia, deva começar o quanto antes e, de preferência, durante a primeira infância quando ocorrem as primeiras experiências com agulhas. Neste propósito, pensamos o quanto as escolas e creches poderiam ser boas aliadas neste enfrentamento juntamente com uma efetiva parceria com a secretaria de saúde. Ademais, importante enfatizar a relevância do atendimento aos pais, preferencialmente por profissionais da saúde mental, para que o ciclo do medo não se perpetue.</span></p> Luciano Luz Gonzaga Copyright (c) 2022 Luciano Luz Gonzaga https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-03-17 2022-03-17 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.12368 NADA É NOVO, MAS TUDO MUDOU: a metamorfose da escola https://periodicos.unifesp.br/index.php/olhares/article/view/13593 <p>Esta é uma resenha do livro intitulado “Escolas e professores: proteger, transformar, valorizar”, de António Nóvoa (2022). Apresenta discussões sobre temas atuais como o futurismo da educação e a metamorfose dos estabelecimentos de ensino; a necessidade de (re)pensar a escola futura e o modelo adotado; a pandemia, os docentes e seus papéis na construção de um espaço público comum da educação; a criação de novos ambientes escolares e a composição de uma pedagogia do encontro; a formação continuada e a indução profissional dos professores; tecnologias; entre outros. Observa-se que, apesar de serem essenciais, os meios digitais não desfazem as possibilidades educativas, pois existe um patrimônio humano que não pode ser digitalizado – sem ele, a educação se reduziria a uma “caricatura digital”. O texto aborda “três ilusões perigosas”: a) presente em todos os lugares e tempos, a educação acontece “naturalmente”, sobretudo em um viés familiar e virtual; b) enquanto ambiente físico, a escola não existe mais e haverá uma “educação a distância” por intermédio de diferentes “orientadores” ou “tutores” das aprendizagens; c) enquanto conhecimento especializado dos professores, a educação será substituída por tecnologias permeadas pela Inteligência Artificial (IA). Diante da redução da esfera educacional às aprendizagens, da construção de uma visão hiperpersonalizada das aprendizagens e da defesa de uma perspectiva consumista da educação, convida-se a uma leitura necessária da obra para refletir sobre a formação de professores em tempos de consumismo pedagógico e solucionismo tecnológico desvelados e aprofundados nos dois anos de pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2).</p> Mauricio dos Reis Brasão José Carlos Souza Araújo Copyright (c) 2022 Mauricio dos Reis Brasão, José Carlos Souza Araújo https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2022-07-21 2022-07-21 10 1 10.34024/olhares.2022.v10.13593