Nietzsche, pensador da história?

Do problema do “sentido histórico” à exigência genealógica

  • Céline Denat Universidade de Reims (França).
Palavras-chave: história, método, genealogia, metafísica, herança, corpo

Resumo

Nietzsche reconsidera a noção de história, não mais como disciplina teórica específica, mas como um modo de pensamento singular, indissociável de determinada maneira de viver, que ele designa como “sentido”, “espírito” ou, ainda, “método” históricos. Com a condição de ser convenientemente repensado e dominado, o “sentido histórico” pode ser visto, então, como uma característica necessária a qualquer filosofia autêntica. O filósofo tem o dever de refletir sobre a história porque, por sua vez, ele deve fazer-se historiador, num novo sentido, mais amplo e radical, a fim de conseguir a superação de qualquer filosofia “metafísica”. E, finalmente, baseado em uma reflexão sobre o sentido e o uso da história, concebida como indissociável de uma história natural, Nietzsche pode começar, enfim, a pensar o método filosófico como método genealógico.

Referências

ARISTÓTELES. Seconds Analytiques (Organon, 4). Paris: Vrin, 2002.

BLONDEL, E. “Critique et généalogie chez Nietzsche ou Grund, Untergrund, Abgrund”, in Revue philosophique de la France et de l’étranger, no 2/1999, p. 199-209.

BREAZEALE, D. “Nietzsche, Critical History and ‘das Pathos der Richtertum’”, in Revue Internationale de Philosophie, no 1/2000, p. 57-76.

FOUCAULT, M. “Nietzsche, la généalogie, l’histoire”, in: Lectures de Nietzsche, dir. Balaudé J. F. e P. Wotling, Paris, 2000, p. 102-130.5. HEGEL. Leçons sur la philosophie de l’histoire. Trad. fr. de J. Gibelin. Paris: Vrin, 1963.

KITTSTEINER, H.-D. “Erinnern – Vergessen – Orientieren. Nietzsches Begriff des ‘umhüllenden Wahns’ als geschichtsphilosophische Kategorie”, in: Borchmeyer, D. (Hg.). Vom Nutzen und Nachteil der Historie für das Leben. Nietzsche und die Erinnerung in der Moderne. Frankfurt am Main: Suhrkamp-Verlag, 1996, p. 48-75.

NIETZSCHE, F. Sämtliche Werke. Kritische Studienausgabe, herausgegeben von Giorgio Colli und Mazzino Montinari, 15 Bde. München-Berlin-New York: Deutscher Taschenbuch Verlag, Walter de Gruyter, 1980, 2000. (KSA).

________. Le Gai Savoir. Trad. fr. de P. Wotling. Paris: GF-Flammarion, 1997.

________. Par-delà Bien et Mal. Trad. fr. de P. Wotling. Paris: GF-Flammarion, 2000.

________. Eléments pour la généalogie de la morale. Trad. fr. de P. Wotling. Paris: Librairie Générale Française, 2000.

SCHOPENHAUER, A. Le Monde comme volonté et comme représentation. Trad. fr. de Burdeau corrigée par R. Roos. Paris: PUF, 1966; reedição: Paris, PUF, Quadrige, 2003.

THATCHER, S. “Zur Genealogie der Moral : Some Textual Annotations”, in Nietzsche-Studien, n° 18, 1989, p. 587-599.

WOTLING, P. Nietzsche et le problème de la civilisation. Paris: PUF, 1995.14. WOTLING, P. Le vocabulaire de Nietzsche. Paris: Ellipses, 2001.

ZUCKERT C. H. “Nature, history and the self : Friedrich Nietzsche’s Untimely Meditations”, in Nietzsche-Studien, no 5, 1976, p. 55-82.

Publicado
2019-03-06
Seção
Artigos Originais