A Guerra da Cisplatina no seu Bicentenário
Renovação Historiográfica e Rupturas Históricas
DOI:
https://doi.org/10.1590/236-463340ef21201Palavras-chave:
Guerra da Cisplatina, Guerra dos Farrapos, Rio Grande do Sul, cultura política, independência, redes comerciaisResumo
A Guerra da Cisplatina (1825-1828) ocupou por muito tempo um lugar paradoxal na historiografia do Cone Sul. Apesar de seu profundo impacto sobre o Brasil, as Províncias Unidas do Rio da Prata e o surgimento do Uruguai independente, e a despeito da vasta literatura militar, diplomática e política dedicada ao tema, o conflito permaneceu relegado a uma posição secundária nas memórias nacionais, raramente integrado às narrativas de formação de cada país e marcado pela escassez de diálogo entre as historiografias nacionais. Este ensaio, centrado sobretudo na perspectiva brasileira e, em parte, na produção uruguaia, persegue três objetivos. Primeiro, mapear parte das contribuições de uma nova geração de historiadores, sem pretender cobrir toda a produção sobre o tema, mas destacando os trabalhos que considero mais generativos na renovação das perspectivas regionais e nacionais, atentos às práticas de recrutamento, à circulação de discursos políticos e ao papel da imprensa na conformação da cultura política. Segundo, analisar a guerra como ponto de ruptura nas redes comerciais transimperiais que estruturavam o espaço platino desde o período colonial, evidenciando o colapso do projeto Cisplatino e a desarticulação das conexões mercantis de Montevidéu, agravada pelo corso insurgente de Buenos Aires. Por fim, retomando a interpretação clássica de Spencer Leitman e os historiadores que recentemente avançam nessa direção, refletir sobre como os impasses socioeconômicos deixados pelo conflito alimentaram as tensões que culminaram na Guerra dos Farrapos (1835-1845).
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Referências
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